“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” aposta em maior fidelidade a jogo
Filme retorna à franquia com fidelidade ao jogo, mas perde força ao explicar demais o terror psicológico
A nostalgia dos anos 2000 não poupou nem mesmo as adaptações de videogame que, à época, dividiram público e crítica nos cinemas.
“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” marca o retorno do diretor Christophe Gans à franquia após 20 anos, desta vez apostando numa fidelidade maior ao jogo de terror, mas ainda insistindo em oferecer respostas para uma experiência que sempre funcionou melhor pela sugestão.
Agora o protagonista é James, papel de Jeremy Irvine, um pintor alcoólatra atormentado pelo fim de seu relacionamento com Mary (Hannah Emily Anderson), mulher que conheceu por acaso durante uma passagem pela pacata cidade de Silent Hill.
Após uma noite de bebedeira, ele encontra em casa uma carta assinada pela amada, sugerindo um reencontro na cidade, agora tomada por uma névoa que espelha seu próprio estado emocional. Como no jogo, James atravessa uma cidade inóspita, marcada por estruturas enferrujadas, prédios em ruínas e criaturas grotescas, em busca de respostas.
Nessa perambulação inicial, Gans demonstra um olhar apurado para um cinema de movimento que evoca, nos bons momentos, o dinamismo dos “Resident Evil” de Paul W. S. Anderson, sobretudo pela forma como a câmera percorre espaços hostis.
A adaptação é até bem-sucedida em transmitir parte da tensão original, sustentada pela reconstrução dos cenários, o cuidado com pequenos detalhes e o uso eficiente de efeitos visuais, que também evidenciam um orçamento menor.
Mas o problema surge quando a sequência decide ser fiel demais. Ao se propor a adaptar de maneira mais direta “Silent Hill 2”, clássico do PlayStation 2 de 2001, que ganhou um remake há dois anos, o filme promove um bombardeio incessante da iconografia da franquia.
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