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Chay Suede vive dias de jejum e silêncio

Ator perdeu 9 quilos e ficava sem conversar por horas para interpretar ladrão no suspense “A Jaula”, em cartaz nos cinemas

Ivy Coutinho, do AT2 | 22/02/2022 14:06 h | Atualizado em 22/02/2022, 14:06

“Foi muito difícil fisicamente e cansativo psicologicamente, afinal foi uma experiência solitária que a gente nunca associa a um set de filmagens”, diz Chay
“Foi muito difícil fisicamente e cansativo psicologicamente, afinal foi uma experiência solitária que a gente nunca associa a um set de filmagens”, diz Chay |  Foto: Divulgação
 

Durante dias, passar horas a fio sem falar uma palavra sequer em um set de filmagem e fazer jejum para perder muitos quilos. Tudo isso é desafiador e requer foco e entrega. E foi assim que Chay Suede fez para interpretar um ladrão no suspense “A Jaula”.

No filme, em cartaz em cinemas da Grande Vitória, o capixaba dá vida a um jovem que tenta roubar o rádio de um carro, mas logo descobre que ficou preso no veículo, resultado de uma armadilha criada pelo médico Henrique, vivido por Alexandre Nero.

A entrega física e psicológica do artista ao personagem se deu porque as filmagens aconteceram  na sequência prevista no roteiro.

“Tínhamos uma única locação, isolada, o que nos deu conforto para trabalhar. Assim, conseguimos fazer algo que é raro no cinema, filmar em ordem cronológica, o que ajudou muito na construção do Chay”, conta o diretor João Wainer.

“Foquei em emagrecer. Estava com 78 quilos e queria perder o máximo de peso já no início e depois continuar esse processo ao longo das filmagens. Cheguei a 69 quilos. E tentei imaginar o universo do Djalma. É um roteiro muito descritivo, com poucos diálogos, já que ele passa a maior parte do tempo sozinho”, observa Chay.

E emenda: “Passar o dia praticamente em jejum me deixava menos comunicativo e mais abatido. Com certeza, esse foi o trabalho mais difícil que fiz no cinema”.

Nero diz que, para construir seu personagem, também precisou entendê-lo profundamente. “Muitas pessoas vão aplaudir a atitude do médico. Eu posso não defender as atitudes dos meus personagens, mas é fundamental para o meu trabalho que eu os compreenda. O Dr. Henrique não é um vilão de quadrinhos. É um homem comum, como qualquer um de nós, que um dia transborda”.

No filme "A Jaula", Alexandre Nero vive o médico Henrique
No filme "A Jaula", Alexandre Nero vive o médico Henrique |  Foto: Divulgação
 

 Insegurança

“Dr. Henrique paga seus impostos e não se sente seguro em casa. Isso faz com que ele não enxergue mais uma saída e ache que a solução está em suas mãos. Meu personagem personifica no Djalma todo o mal e tenta exterminá-lo, pensando que assim estará protegendo a sua família. Acha que pode dar o exemplo para quem o vê, se sente até um grande herói. Um mártir. Crê que aquilo é o correto a se fazer”.


Chay Suede: “Você não pode revidar. É humilhante”


Você construiu um passado para o Djalma?

Chay Suede - Preferi me manter no momento que ele estava vivendo: quais eram os sentimentos, as dores, o cansaço, o desespero, a decadência física e moral que ele estava vivendo ali. Eu me preocupei mais com isso do que com o passado, apesar de ter imaginado muito a dinâmica familiar e como era o círculo social dele, o que é essencial para o momento em que o Dr. Henrique traz isso para a história.

Como foi atuar num espaço tão diminuto quanto o cenário de um automóvel?

Tentei descobrir as melhores maneiras de explorar aquele espaço, as posições que mais cabiam com o que eu tinha que mostrar em cada momento. Como interpretar sem nunca estar de pé? Como interpretar com movimentos limitados, primeiro pelo espaço em si e, depois, pela decadência do personagem? 

Foi muito difícil fisicamente e cansativo psicologicamente, afinal foi uma experiência solitária que a gente nunca associa a um set de filmagens. Foi desafiador e, justamente por isso, único, engrandecedor e, certamente, me alongou como ator.

O filme é claustrofóbico e solitário. Mas você estava num set cercado pela equipe. Como você chegou no tom para transmitir esse sentimento de abandono que o personagem vive dentro do carro?

Isso não fez diferença, porque eu passava o tempo inteiro em silêncio, mesmo quando não estava em cena. Ficava no camarim, me movimentando muito pouco. Ou socando um saco de boxe – que foi o esporte que encontrei para perder o peso que precisava. Grandes algazarras não combinavam com aquele ambiente, e toda a equipe entendeu. 

O diretor João Wainer compreendeu, de maneira magistral, a minha “ausência”. Sinto como se o set não existisse, o momento das refeições não existisse, até porque estava comendo alface e frango. (Risos) Criamos uma solidão. Foi um set cheio, mas parecia que não tinha ninguém.

Você e o Alexandre Nero já viveram o mesmo personagem, mas nunca tinham atuado juntos. Como é a troca?

Minha sensação é de que trabalhamos juntos – e de certa maneira isso aconteceu, pois, durante a preparação de “Império”, fizemos muitos exercícios. Mas contracenar mesmo foi a primeira vez, e só me dei conta disso quando ele já estava caracterizado. Aí me deu um frio na barriga, porque o Nero é grandioso, um dos melhores atores de todos os tempos. 

Admiro profundamente a vida que ele traz para cena, você nunca sabe para onde pode ir. Ele deixa a porta sempre aberta, e tento ser assim também. Nossa troca foi exatamente como eu imaginava.

Você já passou pela experiência de um assalto? 

Já fui assaltado algumas vezes, quando era adolescente e depois de adulto também. É uma sensação horrível, de incapacidade. Você se sente extremamente lesado, não pode revidar, isso é muito humilhante. 

Imagino que ser assaltado sistematicamente, do jeito que aconteceu com o Dr. Henrique, seja enlouquecedor. Não que isso justifique fazer justiça com as próprias mãos, mas acho que quem já foi assaltado consegue projetar essa indignação em algum nível.

Você vê um sofrimento de verdade numa pessoa que está sendo torturada, e essa humanização do bandido mexe com a gente. Até que a ficha criminal dele chega e você percebe que ele não é santinho.

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