Roberta Sá celebra 20 anos de carreira com show neste sábado em Vitória
Cantora apresenta “Tudo Que Cantei Sou” hoje, no Sesc Glória, com seus sucessos e os de Teresa Cristina, Rosa Passos e Dora Morelenbaum
Uma celebração. Não só aos seus 20 anos de carreira na música, mas também à produção musical feminina. Assim se apresenta “Tudo Que Cantei Sou”, show da cantora e compositora Roberta Sá que será apresentado hoje, no Sesc Glória, no centro de Vitória.
Com ingressos esgotados, a apresentação marca o retorno da artista potiguar à capital capixaba após uma década. A grande procura para assistir ao espetáculo revela uma plateia com saudade e desejo de ouvir a voz desta estrela da MPB.
“Não sei por que acabei ficando tanto tempo sem ir a Vitória, até porque o meu encontro com o público da cidade é sempre maravilhoso. Infelizmente, passou esse tempo todo, mas agora finalmente chegou o momento desse reencontro. Quem sabe, a partir dessa volta, eu consiga ir com mais frequência?”, diz Roberta em entrevista ao jornal A Tribuna.
É deixando no ar um já possível novo retorno, motivado não só pelo carinho com os fãs, mas também por sua paixão pela culinária do Espírito Santo. Roberta fala ainda sobre a trajetória percorrida pelo espetáculo, que celebra sua carreira na indústria da música com canções fundamentais na sua discografia.
“O show nasceu como uma encomenda para uma temporada carioca no Teatro Ipanema. Quando ele ficou pronto, percebemos que estava muito bonito e que valeria a pena registrá-lo posteriormente. Assim nasceu a ideia de celebrar esses 20 anos de carreira com um audiovisual”.
Assim como no álbum homônimo, lançado em dezembro, a artista de 45 anos será acompanhada no palco por Alaan Monteiro (bandolim) e Gabriel de Aquino (violão). No entanto, o repertório ao vivo tem duração maior do que no registro.
“O espetáculo inclui outras canções que não entraram nesse registro porque já haviam sido gravadas recentemente no 'SambaSá'. Entram músicas como 'Marejada', 'Amanhã é Sábado' e outras que fazem parte da experiência ao vivo”.
A atração ainda traz um bloco dedicado a compositoras como Teresa Cristina, Rosa Passos e Dora Morelenbaum.
“Aconteceu quase que por acaso. No ensaio, percebemos que aquelas canções se agruparam e eram todas de mulheres. Foi muito bonito entender o quanto essas mulheres me constroem como cantora, pessoa e mulher. Achei importante pontuar isso, valorizar a criatividade feminina. Vivemos em um mundo muito machista, então, quanto mais a gente se celebrar, melhor”.
“Hoje faço tudo no meu tempo”
A Tribuna: Tem alguma relação com o Espírito Santo que vai além da música?
Roberta Sá: Tenho uma relação muito forte com os lugares, geralmente mediada pela culinária. Eu adoro a comida capixaba e a moqueca capixaba. Realmente adoro! Inclusive, já estou aguardando ansiosamente por esse momento de comer uma boa moqueca!
Por que o show recebe o nome “Tudo Que Cantei Sou”? A seleção do repertório representa bem quem você é hoje ?
Esse título vem da canção “Olho de Boi”, que traz uma frase muito forte: “rezo pelo popular”. Acho que isso sintetiza uma carreira dedicada à música popular brasileira. “Tudo Que Cantei Sou” é quase uma constatação: ao olhar para o meu repertório ao longo desses 20 anos, percebo que essas canções ainda me representam profundamente.
Dentro desse repertório, qual música mais representa quem você é hoje? E por quê?
É muito difícil escolher apenas uma, porque muitas delas me representam. Mas existe uma frase que sempre bate muito forte em mim, de “Marejada”: “Tem que ser onda forte para me derrubar, sou mais eu no mar”.
Estou em um momento de me apropriar de mim mesma, das minhas conquistas – mas também das minhas falhas, dos meus erros e tropeços. Aos 45 anos, sinto que me apropriei da mulher que eu sou e da minha força.
Quem era a Roberta de 20 anos atrás? E quem ela é hoje?
A Roberta de 20 anos atrás era uma menina com muitos sonhos, especialmente o de construir uma carreira sólida, algo que eu realizei. Mas era muito insegura e sofri bastante ao longo desse percurso, sendo muito rigorosa comigo mesma.
Hoje, sou uma mulher muito mais segura e satisfeita com quem eu sou. Aprendi a aproveitar minhas qualidades como cantora e como pessoa e a traduzir isso para o público. E hoje, principalmente, eu me divirto muito no palco.
Qual foi o momento mais feliz dessa trajetória?
Foram muitos! Um deles foi o encerramento das Olimpíadas, em 2016, quando fiz um dueto com a Carmen Miranda e a representei naquele momento histórico. Foi inesquecível.
Mas gravar meus discos e audiovisuais, tudo isso me traz muita felicidade. Ainda assim, sinto que estou vivendo agora o momento mais feliz da minha carreira. Quanto mais o tempo passa, mais satisfeita eu fico em viver tudo com alegria.
De que forma as composições dessas mulheres que interpreta no show te atravessam?
Cada uma me atravessa de um jeito. “Lavoura”, de Teresa Cristina, fala sobre o ato de compor, e eu estou vivendo intensamente esse momento. A Rosa Passos fala do amor, de se apaixonar de novo, algo que é muito meu. E a Dora Morelenbaum traz uma força arrebatadora, de uma geração jovem que admiro e escuto muito. São vozes que dialogam profundamente com quem sou hoje.
O que o público pode esperar de você em 2026?
Quero muito voltar ao estúdio para gravar um disco de inéditas. Vai acontecer, só não sei ainda quando. Hoje faço tudo no meu tempo e essa é uma conquista da qual não abro mão.
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