Ex-vocalista do The Fevers: “A música é nosso maior ativo econômico e cultural”
O capixaba César Lemos, ex-The Fevers, falou no Formemus sobre o potencial de exportação da música brasileira para o mundo
Escute essa reportagem

O potencial de exportação da música brasileira para o mundo foi o tema discutido no painel de abertura da 7ª edição do Formemus, que acontece até sábado (30), na Ufes, em Goiabeiras.
Ocorrido na tarde da última quinta-feira (28), o encontro teve como um dos convidados o produtor musical e compositor César Lemos, voz da banda The Fevers entre 1988 e 1991.
Como um capixaba que morou grande parte da vida no exterior, ele falou sobre a capacidade que os sons produzidos no Brasil e, principalmente, no Espírito Santo têm para atravessar fronteiras.
“Ninguém tem a real noção do valor que a música brasileira tem lá fora. A música é o nosso maior ativo econômico e cultural. Quando eu saí daqui, eu não tinha a noção da riqueza musical do Espírito Santo. Gostaria muito que esse evento pudesse despertar um pouquinho mais desse interesse pelo que é nosso. Pelo que está guardadinho aqui”, contou César.
Representante da Warner Chappell Music, Flávia César destacou a força que os produtos do audiovisual têm para levar o que é produzido nacionalmente para mais longe. “O mundo está de olho na gente e no que a gente pode produzir”, disse.
Ela lembrou ainda que o ex-vocalista do The Fevers participou de um acampamento de composição com autores de Nashville (EUA), a capital mundial da música country. A reunião se deu após um evento para executivos internacionais, que puderam ver em números a força do sertanejo.
“Até uma compositora que escreveu várias músicas para a Taylor Swift esteve presente e ficou maravilhada com o nosso poder de composição”.
O painel ainda foi composto por Jeft Dias, do Festival Psica (PA); Vince Athayde, do Festival Zona Mundi (BA); e Ricardo Leão, da Rede Globo.
Fabrício Noronha, secretário da Cultura do Espírito Santo, também esteve presente na abertura do Formemus. “A cena musical do nosso Estado está vivendo um momento muito especial. O Brasil precisa conhecer mais de perto o que está sendo produzido aqui”.
Nesta sexta-feira (29), a programação do festival-conferência continua com mais painéis, palestras, rodadas de negócios e shows.
“Tenho prazer em inspirar artistas”
A Tribuna — Como avalia a oportunidade de conversar com novos artistas?
César Lemos — Estou encantando com o Formemus. Tenho consciência da importância que é porque temos um mercado pequeno, que se fomenta de forma muito tímida ainda. Tenho o maior prazer em poder inspirar esses artistas.
No painel, você e os outros participantes falaram sobre a importância do audiovisual em levar a música para fora.
A novela já teve uma importância maior, uma força maior no mercado. Não só com relação à música, mas em todos os aspectos. Mas, por outro lado, nós temos séries, que você tem acesso hoje em qualquer lugar do mundo. Participei da produção musical e composição da série “Rensga Hits!” e o sucesso foi tão grande que agora vão fazer uma novela com essa temática sertaneja.
O artista daqui está tendo mais noção do potencial que a música nacional tem lá fora?
O artista brasileiro está tendo mais noção agora, muito por conta da internet. Mas acho que não é nem perto do real potencial.

Acredita que isso também é um reflexo da forma apaixonada com que o público brasileiro consome música?
Eu, lá fora, tive a oportunidade de conversar com algumas pessoas sobre esse assunto especificamente. E é impressionante ver entrevistas de artistas ingleses, americanos. Quando perguntam: 'qual foi o maior público que você teve?' e eles falaram que, com certeza, no Brasil. Um artista brasileiro às vezes tem mais seguidores no Instagram do que um artista americano. Existe uma cultura que é muito forte.
A internacionalização da música não é uma novidade. Vem desde a bossa nova. Como você vê essa realidade hoje?
O funk se fortalece um pouco com o reggaeton, com a música urbana em si. Há um elo. E o funk acabou ganhando destaque realmente. Há gravações de artistas que cantam em inglês e espanhol com elementos do funk.
Só acho que não é suficiente você ficar dependendo de similaridades de nicho. É o rock nacional, então tem que estar com o rock americano. Acho que a música brasileira vai além disso aí.
Aqui, por exemplo, tem o congo e acho importante explorar essa diversidade. Mas lógico que você tem que saber como misturar. Há um respeito lá fora, uma pré-disposição do público de fora com a música do Brasil e que vai além desses nichos pop.
Serviço
Formemus 2025
- Quando: Até sábado (30).
- Onde: Ufes, em Goiabeiras, Vitória.
- Quanto: Entrada gratuita. Credenciamento pelo formemus.com.br.
Sexta-feira — 29/08
Teatro Universitário
Das 12 horas às 17 horas: Credenciamento.
Das 13h45 às 14h45: Painel “Sucesso, Imagem e Reflexos - As fronteiras da ilusão no mundo da música”.
Das 15 horas às 16 horas: Painel “Como chegar, entrar no line-up e amplificar minha apresentação em um festival”.
Tenda
Das 13h45 às 14h45: Painel UBC “Finanças - Artista independente: como separar o CPF do CNPJ”.
Das 15 horas às 16 horas: Palestra Abramus “É beat, é hit… mas tá registrado?”.
Das 16h15 às 18 horas: Rodadas de Negócios.
Cine Metrópolis
Das 13h45 às 15h45: Workshop “Planejamento de turnê - Caindo na estrada com saúde financeira e mental”.
Palco Petrobras
18 horas: Luiza Dutra.
18h45: Cidade Dormitório (SE).
19h30: Carla Sceno (MG).
20h15: Calorosa (MT).
21 horas: Afronta.
Nos intervalos, Mostra de Clipe.
Bolt
23 horas: “Noite Francesa”. Credenciados no Formemus tem entrada gratuita.
Sábado — 30/08
Teatro Universitário
Das 12 horas às 17 horas: Credenciamento.
Das 13h45 às 14h45: Painel IA “Os Novos Ritmos da IA e dos Algoritmos na Música”.
Das 15 horas às 16 horas: Painel Profissional “Viver de Música - Um mercado repleto de oportunidades para quem quer levar a sério!”.
Das 16h15 às 17h15: Painel Case da Música Independente.
Tenda
Das 13h45 às 14h45: Painel Casas de Shows e Circulação “Desafios Locais e Perspectivas de Circulação Nacional”.
Das 15 horas às 16 horas: Painel Diversidade “O Poder Transformador da Música”.
Das 16h15 às 18 horas: Rodadas de Negócios de Selos Musicais e Casas de Shows.
Cine Metrópolis
Das 13h45 às 14h45: Palestra “Panorama de Festivais de Música do Brasil”.
Das 15 horas às 16 horas: Painel Casas de Shows e Gestão “Panorama e Mapa das Casas de Shows do Brasil”.
Palco Petrobras
18 horas: Vozmecê (MS).
18h45: Thays Sodré (PA).
19h50: Àíyé (RJ).
20h15: Mombojó (PE).
21h05: Fernando Anitelli (SP) em “O Teatro Mágico Voz e Violão”.
MATÉRIAS RELACIONADAS:




Comentários