search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Empresas propõem mudanças para turbinar o ensino e a carreira

Notícias

Publicidade | Anuncie

Economia

Empresas propõem mudanças para turbinar o ensino e a carreira


“Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”.

A frase do poeta Mário Quintana mostra como a educação é transformadora. É por isso que a reportagem de A Tribuna ouviu diversas empresas para saber suas sugestões para turbinar o ensino e a carreira dos jovens.

Ao todo, são 20 sugestões para o Ministério da Educação, instituições de ensino públicas e privadas, professores, alunos e famílias. Entre as instituições que deram ideias estão Samarco, Suzano, Sankhya, startup Gama Ensino e Associação Brasileira de Recursos Humanos no Espírito Santo (ABRH-ES) e nacional.

Para o diretor executivo da Sankhya, Renato William, o mundo está dinâmico e quando o aluno se forma em um curso de graduação, o conhecimento que ele adquiriu já está obsoleto. Ele defende uma matriz curricular mais voltada para o futuro.

Alunos precisam entender a responsabilidade que têm para o autodesenvolvimento. (Foto: Freepik)Alunos precisam entender a responsabilidade que têm para o autodesenvolvimento. (Foto: Freepik)

A vice-presidente da ABRH-ES, Neidy Christo, acrescentou que professores precisam estar abertos a aprender novas formas de ensinar, e alunos precisam entender a responsabilidade que têm para o autodesenvolvimento.

“Devem participar ativamente das aulas, fazer uma autoavaliação para entender como aprendem melhor e quanto tempo podem se dedicar aos estudos fora da escola para colocá-los em prática”.

Além do pensamento crítico e criativo, a Samarco aponta que o jovem precisa desenvolver competências socioemocionais, como colaboração, comunicação e tomada de decisão responsável. A gerente de Atração e Desenvolvimento da empresa, Adriana Gomes, destacou que “elas são essenciais para este cenário de integração entre tecnologia e humano”.

Quem também tem responsabilidade no processo são as empresas, conforme o presidente da ABRH Brasil, Paulo Sardinha. “Elas têm o papel de oferecer um estágio onde o aluno consiga se desenvolver, completar os estudos e ter uma carreira estando mais bem preparado. Quando a empresa fornece o estágio buscando mão de obra barata, ela está se deturpando”.

Ele destaca que muito do que se vê no ensino hoje precisa mudar. “Isso demanda um projeto de governo. Não se resolve em quatro anos. É preciso que uma geração inteira se dedique para mudar”.

As 20 propostas das empresas

Sugestões para:

Ministério da Educação

1 Matriz curricular

O mundo está muito dinâmico, assim como o conhecimento necessário para acompanhá-lo. Empresas apontam que ao fim dos cursos de graduação, o mundo já mudou, por isso é necessário uma matriz curricular mais voltada para o futuro.

Questionado sobre o pretende fazer em relação à situação, o Ministério da Educação não respondeu até o fechamento desta reportagem, às 22 horas da última quarta-feira.

2 Valorização da educação

A educação no Brasil precisa se tornar prioridade.

Secretaria de eEstado da Educação (Sedu): a educação é uma prioridade do governo do Estado e reflexo disso são os investimentos. Só neste ano foram implantadas 26 novas escolas de tempo integral e investidos mais de R$ 34 milhões em obra, mais de 44 mil profissionais formados com certificações, entre outros.

  • MEC: não respondeu até o fechamento da edição.

Instituições de ensino

3 Teoria em prática

Há profissionais recém-formados chegando muito crus ao mercado. Seria interessante que os estudantes tivessem chance de colocar o conhecimento em prática desde o primeiro período da faculdade. Um exemplo seria com uso de dinâmicas voltadas para a aplicação do conhecimento.

  • Sinepe: na faculdade recebemos alunos de escolas públicas e particulares. Alguns chegam com deficiências em matérias básicas, por isso nos primeiros períodos são dadas disciplinas como Português e Matemática para identificar as dificuldades e corrigi-las. Além disso é necessário dar ao aluno a base teórica para depois ir para a prática.
  • Sedu: não se manifestou sobre o tema.

4 Professor facilitador

O professor precisa receber suporte para atuar como um facilitador, um provocador, que leva os alunos a buscarem mais conhecimento e não atue só como transmissor de conhecimento.

  • Sinepe: O nosso professor estimula a autonomia do aluno para buscar conhecimento também.
  • Sedu: a secretaria preza pela formação continuada de seus profissionais, para a melhoria da qualidade do ensino.

5 Professor aprendiz

O professor tem que estar sempre aberto a aprender novas formas de ensinar. Além disso, tem que ter humildade e entrar em sala de aula para ensinar, mas também para aprender com os alunos.

  • Sinepe e Sedu informaram que a pandemia mostrou como os professores estão abertos ao aprendizado e que conseguiram se adaptar à nova realidade das aulas não presenciais com sucesso.

6 Valorização do professor

A profissão deveria ser mais valorizada no Brasil, proporcionando a eles um salário melhor. Incentivo, motivação e valorização.

  • Sinepe: consideramos a remuneração do professor da rede privada justa. A convenção coletiva traz vários benefícios para os profissionais.
  • Sedu: a secretaria preza pela formação continuada e a valorização de seus profissionais. Um exemplo foi a implementação do Programa Pró-docência, voltado para oferta de vagas e readequação da jornada de trabalho, para que o professor realize pós-graduação.

7 Diretor

É um profissional que precisa treinar o olhar para o futuro. Entender quais são as profissões do futuro e ajudar a conectar os alunos com o mundo que está por vir.

  • Sinepe: hoje a concorrência é tão grande que o diretor que não tiver antenado com o futuro e com as novas tecnologia não sobrevive.
  • Sedu: não se manifestou sobre o tema.

8 Habilidades socioemocionais

O mercado de trabalho demanda cada vez mais que o profissional tenha habilidades socioemocionais bem desenvolvidas e as escolas têm o papel de ajudar nesse processo.

  • Sinepe: as instituições de ensino têm profissionais trabalhando no desenvolvimento dessas habilidades por parte dos alunos.
  • Sedu: não se manifestou sobre o assunto.

9 Ensino fundamental

Há alunos que saem da escola pública e chegam na faculdade sem conhecimento de Matemática básica, Português e interpretação de texto. É preciso investir mais na base. O reforço escolar pode ajudar.

  • Prefeitura de Vila Velha: há três meses, o município obteve sua maior nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, em toda a década.
  • Prefeitura de Cariacica: tem aulas de reforço de Língua Portuguesa e Matemática.
  • Prefeitura da Serra: no ano passado trabalhou com um projeto de reforço escolar em Português e Matemática.

10 Abandono

Muitos alunos faltam e até abandonam a escola por não se sentirem acolhidos. É preciso trabalhar para que a escola se torne um lugar mais acolhedor, onde o aluno queira estar.

  • Sedu: a secretaria conta com o Programa Todos na Escola que identifica estudantes que não estão na escola e desenvolve ações que contribuam com o acesso, a permanência e o aprendizado desses estudantes.
  • Sinepe: na escola particular esse tipo de situação é rara.

Para os alunos

11 Compromisso

O aluno precisa se responsabilizar pelo processo de autodesenvolvimento, prestar atenção nas aulas e buscar extrapolar o que é ensinado fora de sala de aula.

12 Ouvir feedback

O aluno precisa estar aberto a ouvir o retorno tanto dos colegas quanto dos professores. Às vezes, ele se vê de um jeito, mas quem o cerca o vê de outra forma. Ouvi-los pode fazer uma grande diferença para melhorar como aluno e profissional.

13 Relacionamentos

Durante o tempo de estudo (que deve ser contínuo), é preciso cultivar o relacionamento com colegas e professores. Os colegas de sala de aula também serão colegas no mercado de trabalho e podem, inclusive, um dia, serem consultados por empresas para dar referência sobre outros profissionais com quem estudou nos tempos de faculdade.

14 Escolha de estágio

O aluno que tem condições de escolher onde realizar o estágio, deve buscar algo na área em que deseja trabalhar e não se render à primeira oportunidade. O importante é buscar uma oportunidade para agregar conhecimento. É por meio do estágio que o jovem pode alcançar mais rapidamente o emprego sonhado.

15 Aprender a aprender

Além das escolas ajudarem os alunos a terem autonomia na busca pelo aprendizado, elas também precisam trabalhar o desenvolvimento dessa habilidade.

O aluno precisa fazer uma auto-avaliação para descobrir como aprende melhor: é lendo, ouvindo, vendo um vídeo? Ele deve procurar saber: em que horário tenho mais facilidade de aprendizagem? Qual é o tempo que posso destinar aos estudos fora de sala de aula? E colocar isso em prática.

Empresas

16 Estágio com propósito

As empresas têm a responsabilidade de proporcionar ao estudante um estágio em que ele realmente consiga se desenvolver e agregar conhecimento. A empresa que fornece um estágio buscando mão de obra barata está se deturpando.

17 Bolsa de estudo

Uma das formas de as empresas contribuírem também é ofertando bolsas de estudos para aqueles que não teriam a oportunidade de estudar sem a ajuda delas. Além de apostar em projetos voltados para a educação.

Famílias

18 Abrir os horizontes

As famílias precisam trabalhar um pouco mais a questão do empreendedorismo, valorizar escolhas menos usuais dos adolescentes, incentivar que participem de projetos coletivos e que coloque suas ideias em prática.

19 Acompanhar o mercado

As famílias precisam acompanhar mais os movimentos de mercado de trabalho. Os pais se angustiam muito querendo uma decisão do filho sobre a profissão, mas têm que diminuir a pressão e ajudar o jovem a fazer uma escolha voltada para o interesse, o que ele gosta, não só pelas habilidades ou conhecimento, mas o que ama fazer.

A família também precisa proporcionar momentos de interação para os filhos, dessa forma eles desenvolvem competências que são exigidas pelo mercado, como capacidade de frustração, paciência, saber perder, assim como flexibilidade, inovação e capacidade de comunicação.

20 Incentivar os estudos

O exemplo ajuda muito. Muitas famílias estão perdidas com os adolescentes que ficam só na internet. É preciso ter um limite. A família precisa ajudar na organização do tempo e na gestão do tempo.

Os filhos precisam entender sobre limites e responsabilidade. Saber que o esforço deles traz consequências. Por isso é importante reconhecer comportamentos e atitudes positivas.

Fonte: Suzano, Samarco, Sankhya, ABRH-ES, ABRH-BR, Gama Ensino, Viviane da Mata, Hérica Gomes, Sedu e prefeituras citadas.

Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados