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“Eles estão juntos na eternidade”, relata filha de casal que morreu por Covid-19

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Coronavírus

“Eles estão juntos na eternidade”, relata filha de casal que morreu por Covid-19


Uma história de amor que durou mais de 70 anos, marcada por admiração, respeito e companheirismo, foi interrompida pelo novo coronavírus (Covid-19). Florentino Domingos Altoé, 92 anos, e Ana Gertrudes Altoé, 93, morreram por complicações da doença.

Florentino Domingos Altoé, 92 anos, e Ana Gertrudes Altoé, 93: casal estava junto há 68 anos (Foto: Acervo pessoal)
Florentino Domingos Altoé, 92 anos, e Ana Gertrudes Altoé, 93: casal estava junto há 68 anos (Foto: Acervo pessoal)

No último dia 29 de maio, quando completou 68 anos de casado, o aposentado Florentino não resistiu às complicações da doença. Três dias depois, Ana partiu. Em meio à tristeza, a empresária Elvira Altoé, 67, falou sobre os pais com carinho.

A Tribuna – Seus pais foram internados para tratar da Covid-19?

Elvira Altoé – Papai já estava acamado, pois sofria da síndrome de pós-poliomielite há 11 anos, além de Parkinson. Embora ele dependesse de cuidados especiais, mantinha-se lúcido.

No final de março, mamãe teve uma hemorragia por conta de uma úlcera e foi internada. Ficou 16 dias e voltou para casa. A gente tentou separá-los de quarto por causa da pandemia, mas eles não quiseram. Aceitamos o pedido.

No dia 18 de maio, papai teve problemas de próstata e ficou internado. Um dia depois, mamãe se sentiu muito mal novamente por conta de problema renal.

Fizeram teste de Covid-19?

Sim. Foi realizado no hospital particular de Cariacica onde estavam internados. No dia 23 de maio, eles foram para a UTI. Estavam um ao lado do outro sem que soubessem. Resolvemos poupá-los.

Como era essa união?

Foi marcada por muito companheirismo. Tinham um relacionamento maravilhoso. Como trabalhavam em casa, ele era alfaiate e ela costureira, ficaram a vida inteira juntos, assistiam à TV de mãos dadas. Foram separados por complicações dessa doença, mas permanecem juntos na eternidade.

Onde se conheceram?

Em Jaciguá, distrito de Vargem Alta. Casados, tiveram cinco filhos. Em 1971, mudamos para Campo Grande (Cariacica), para continuarmos os estudos. Mamãe era amante da leitura, lia a A Tribuna todos os dias, livros e revistas. Era uma pessoa extremamente culta. Eles também sempre foram muito religiosos. Mamãe foi ministra de eucaristia e trabalhou a vida inteira com amor e prestando serviço à comunidade e ao próximo. O que fica é o exemplo de amor, de união da família e obediência a Deus.


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