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“Ele deixou um legado de amor, coragem e fé”, diz família de urbanista que morreu por covid-19

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Coronavírus

“Ele deixou um legado de amor, coragem e fé”, diz família de urbanista que morreu por covid-19


Sérgio Tanure era agrônomo e urbanista e realizou trabalho de paisagismo em diversos locais do Espírito Santo (Foto: Acervo Pessoal)
Sérgio Tanure era agrônomo e urbanista e realizou trabalho de paisagismo em diversos locais do Espírito Santo (Foto: Acervo Pessoal)

Buscando força em Deus e demonstrando fé em cada palavra, a família do agrônomo e urbanista Sérgio Junger Tanure, de 59 anos, fez ontem uma homenagem a quem foi definido como um homem que deixou um legado de amor e coragem.

Depois de cerca de 50 dias internado em um hospital particular de Vitória, onde lutava contra o novo coronavírus (Covid-19), Sérgio morreu na última terça-feira.

A homenagem foi feita pela esposa Valéria Tanure, 54, e filhas, a engenheira de Produção Layra, 35, a advogada Monalle, 31, e a estudante de Medicina, Maria Clara, 18. Ele era hipertenso, cardíaco e há dois anos deixou de fumar.


ENTREVISTA


A Tribuna – Quem foi Sérgio Tanure?
Layra Tanure – Foi único. Um cara supercriativo. Um homem que representa coragem, força, determinação, positividade. Era muito sábio, racional e leve. Ele era um grande conselheiro, dava conselhos para levantar as pessoas e dizia: ‘Você é capaz'

O que ele amava fazer?
Valéria – Amava a profissão, o verde, as plantas, as flores. Sua paixão eram as palmeiras, símbolo de imortalidade.

Ele já foi o responsável pelo paisagismo de muitas autoridades, como da residência oficial do governo do Estado, da orla de Vila Velha, de shoppings, no Convento da Penha, Santuário de Vila Velha, de várias cidades. Ele plantou semente, flores e em cada cantinho deixou o verde, a terra, tudo o que representa a vida.

Tinha outras paixões?
Layra – Meu pai também tinha paixão por carros antigos. Estava restaurando uma Scânia de 1960 e dizia que iria presentear o neto, o Rafael, quando ele completasse um aninho. Hoje ele tem nove meses. Ele vivia para a família, amigos.

Viveu intensamente?
Monalle – Com certeza. Ele gostava de viver intensamente, amava trabalhar. Começou a trabalhar na juventude e nunca tirou férias.

Era um aventureiro. Quando jovem, foi à Serra Pelada (garimpo no Pará) para conhecer. Era um desbravador, ousado.

Tinha um coração maior que o mundo e se precisasse tirava a roupa do corpo para ajudar alguém.

E agora, o que fica?
Layra – O tamanho da saudade é imensa, mas é do tamanho do amor que ele cultivou no nosso coração.

Quando ele foi internado?
Valéria – No dia 25 de março ele foi internado em um hospital particular de Vitória com suspeita de Covid-19, o que foi confirmado depois. No dia 31 foi para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e na terça-feira ele não resistiu.

Foram cerca de 50 dias internado. No hospital disseram que ele era o único do Brasil que passou pelas quatro etapas da Covid-19 e morreu pelas consequências desse vírus, das inflamações.

Como foram esses dias em que ele esteve internado?
Valéria – Uma coisa que chamou a atenção durante esse tempo foi a fé das pessoas. Somos católicos. Por conta da pandemia, não estão sendo celebradas missas presenciais, o que não impediu que nos uníssemos em oração em nossas casas, em grupos de WhatsApp. Passávamos 24 horas rezando, em uma corrente de fé.

Percebemos que esse tempo foi importante, pois fez com que as pessoas se aproximassem de Deus, tivessem essa experiência de fé. Isso é motivo de muito orgulho, de muito agradecimento. As orações vinham de todos os lugares, do Estado e até do exterior, como Estados Unidos, França e Itália.

Vocês rezaram muito para ele vencer essa batalha?
Maria Clara – Sim. Quando ele estava saindo de casa para ir para o hospital, já com febre alta, pedi para ele mandar notícias. Ele disse para eu ficar bem e cuidar da nossa mãe. Nesse momento, pedi a Deus para que ele voltasse para casa e voltou, só que não para a nossa casa, mas sim para a casa do Pai.

Como pai, como ele era?
Layra – Era um pai maravilhoso. Um dia eu falei para ele: “Pai, se eu pudesse escolher um pai, eu escolheria você de novo”. Ele fez de tudo para nós. Deixou um legado de amor, coragem, ousadia e fé. Sempre dizia para a gente se proteger desse vírus, para ser temente a Deus e se cuidar. Era sempre muito protetor.

Lembram de qual foi a mensagem que ele disse antes de ser internado?
Monalle – Ele falou comigo, pelo telefone: “Minha filha, a partir de agora não vou poder mais ter contato com vocês. Avisa para sua mãe, suas irmãs.... Se cuidem”.

Depois disso, conseguiram conversar com ele pelo celular ou por videochamada?
Layra – Não, mas essa é a parte mais bonita: a gente se comunicava por cartinhas, pois, mesmo sabendo que ele não estava lúcido, cremos que ele conseguia escutar o que a gente dizia. Mandávamos fotos. A equipe do hospital dizia que a baia dele era a mais enfeitada, repleta de carinho.

No dia 28 de abril foi o meu aniversário (35 anos). Eu escrevi uma cartinha dizendo: “Pai, não esquece do meu aniversário. Te amo!”

Como têm certeza de que ele de alguma forma entendia as mensagens?
Layra – Os médicos e enfermeiros liam essas cartinhas. Eles se fizeram presentes o tempo todo, deram o carinho que a gente não podia fazer. Eles percebiam que isso o acalmava de alguma forma.

Ele era devoto de Nossa Senhora da Penha. Mandei uma cartinha dizendo que a imagem passou pertinho do hospital e perguntei se ele sentiu que ela foi visitá-lo. Nesse dia, ele fazia hemodiálise e disseram que foi o dia em que ele ficou mais calmo. No meio de tanta dor, acreditamos no sobrenatural de Deus nessa doença.

Esse carinho é fundamental nesse momento, não é?
Layra – Sem dúvida. Quando eu fui resolver a parte burocrática para liberar o corpo dele, as enfermeiras estavam todas emocionadas e disseram que ele era muito querido lá. Somos muitos gratas a toda a equipe. Eles eram o elo entre a família e o meu pai. Tenho certeza de que ele foi muito amado por todos. Eles nos devolveram as cartinhas e iremos guardá-las como lembrança.


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