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“Ela foi ao supermercado e depois passou a tossir”, diz pai de professora que morreu

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Coronavírus

“Ela foi ao supermercado e depois passou a tossir”, diz pai de professora que morreu


Professora Valéria Nicolini, que morreu vítima do coronavírus. Nas imagens, ela com a bandeira do Flamengo, celebrando o Ano Novo, com o sobrinho Matheus e os irmãos (Foto: Acervo de família)
Professora Valéria Nicolini, que morreu vítima do coronavírus. Nas imagens, ela com a bandeira do Flamengo, celebrando o Ano Novo, com o sobrinho Matheus e os irmãos (Foto: Acervo de família)
Uma partida precoce, aos 38 anos, deixará muitas saudades, mas sobretudo lembranças de quem sempre viveu intensamente fazendo que gostava: proteger a família e se dedicar aos seus alunos.

Esse é apenas um resumo em forma de homenagem feito pelo comerciário João Benedito Mathias. Aos 64 anos, ele teve de se despedir da filha, de longe, a professora de artes visuais da rede pública Valéria Mathias Nicolini, a quem chamava carinhosamente de Leleco desde a infância.

Internada há cerca de 10 dias, Valéria entrou para as estatísticas de quem não resistiu ao novo coronavírus (Covid-19).

Ela morreu na noite do último domingo (10). Casada, morava em Santo Antônio, Vitória, mas desde o início da pandemia optou por ficar isolada em casa, para preservar a família.

O pai contou que não é possível saber onde a filha teve contato com o vírus, mas disse que após uma ida ao supermercado, de máscara, ela retornou com tosse seca. Depois, os sintomas foram piorando.

A Tribuna – Quando a sua filha começou a passar mal?
João Benedito Mathias – Foi na sexta-feira, no Dia do Trabalho (1º de maio). Ela teve febre e já estava com tosse seca. Ela foi em uma clínica particular, mas nada foi diagnosticado. Depois, a levamos ao PA (Pronto Atendimento) de São Pedro (Vitória). Lá, foi medicada e à tarde começou a melhorar. Só que horas depois, teve uma crise forte de tosse e perdeu o ar. Tudo isso no mesmo dia.

Nós a levamos ao Hospital Jayme Santos Neves (na Serra), mas não a internaram. Fomos orientados a retornar para o PA de São Pedro, onde ficamos aguardando vaga no Jayme, sendo liberado no dia seguinte.

Depois de alguns dias internada no Jayme, ela foi transferida para o Hospital Evangélico de Vila Velha, de onde não saiu mais com vida.

Foi comprovado que ela estava com Covid-19?
O resultado deu positivo para Covid-19, mas disseram que a causa da morte foi insuficiência respiratória aguda.

Valéria (ao centro) com os pais Aldicilea e João: vítima do coronavírus (Foto: Acervo pessoal)
Valéria (ao centro) com os pais Aldicilea e João: vítima do coronavírus (Foto: Acervo pessoal)
O senhor tem suspeita de como ela tenha sido infectada?
Não tem como imaginar, ela ficava em casa se dedicando aos alunos. Ela trabalhava em duas escolas da rede pública, em Cariacica. Sempre foi muito dedicada. Ficava direto ensinando pelas plataformas virtuais. Ela já tinha deixado várias aulas preparadas.

Ela estava dentro de casa?
Sempre em casa. Ela morava na parte de baixo da nossa casa e sempre foi muito cautelosa. Usava álcool em gel, máscara. Desde o início da quarentena, a gente não teve mais contato físico. Ela só foi uma vez ao supermercado e voltou tossindo. Ela foi com máscara de tecido. Não sei se ela se contaminou lá, mas nesses ambientes as pessoas se aglomeram.

Como era sua filha?
Uma pessoa muito boa, determinada, dedicada, cuidava muito bem da família. Era ela quem colocava a mão na massa para resolver qualquer problema.

Amava a profissão?
Já nasceu assim, artista. Formou-se pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) em Artes Visuais. Era apaixonada pela educação, pelos alunos, principalmente os carentes. O lastro de amor com as crianças era muito grande. Ela chegava a investir recurso do próprio bolso para comprar materiais, como papéis.

Doamos esses materiais para a escola onde ela trabalhava.

Ela tinha sonhos?
O sonho dela era viver cada dia mais, ajudar mais as crianças. Era flamenguista doente e ensinou o nosso netinho, sobrinho dela, o Matheus, de 3 anos, a ser Flamengo.

O que muda agora?
Mudou tudo. Nós éramos muito família, muito unidos. Ela era a alegria de casa, da vizinhança. Sem ela, não vai ser fácil, mas somos da Renovação Carismática e sabemos que ela está nos braços do Pai.

Queria aproveitar para agradecer a todas as manifestações de carinho, orações de pessoas da nossa comunidade, de outras religiões, colegas de trabalho, amigos.

No próximo dia 22, ela iria completar 39 anos. Desta vez, será sem festa. Vou ver se conseguimos fazer uma live no momento de oração na comunidade.

O senhor disse nas redes sociais que o céu ganhou mais uma estrela...

A Sedu divulgou nota de pesar pela morte da professora Valéria Mathias Nicolini (Foto: Acervo da família)
A Sedu divulgou nota de pesar pela morte da professora Valéria Mathias Nicolini (Foto: Acervo da família)
O que a gente vai passar a fazer agora é ficar olhando para céu todas as noites, vigiando para ver qual estrela vai brilhar mais. Será ela. Vou te contar uma coisa. O Matheus, meu netinho, mora praticamente em frente ao hospital Jayme. Depois que Leleco faleceu, ele subiu em um pufe e olhou para o céu. Os pais perguntaram o que ele estava fazendo e ele disse: ‘estou procurando a tia Leleco’.

Lembra quando foi a última vez que falou com a sua filha?
Lembro de uma cena: ela estava com frio por causa da febre e pediu o meu paletó para se aquecer quando estava sendo levada para o PA. Ela disse que queria o meu casaco e isso me marcou. A última vez que vi a minha filha foi quando eu e o meu genro a amparamos nos braços para levá-la ao PA. Estava muito fraquinha. Depois disso fomos acompanhando a ambulância até ela chegar ao hospital.

Sobre o atendimento, não podemos reclamar. Ela foi muito bem atendida por onde passou.

Qual recado deixa?
Até os próprios médicos falaram que não tem mais espaço nos hospitais. Quem não se cuidar, para entrar no hospital será difícil. Por isso, digo que as pessoas não devem sair para nada, pois não sabemos o que pode acontecer. A bola da vez ninguém sabe de quem vai ser.

Deus convoca, ela foi chamada e muitos serão. O coronavírus não ira matar o nosso amor por Leleco. Cuidem-se, pois não existe idade para este vírus. Fiquem em casa


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