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Governo Federal quer dividir a Ufes em duas universidades

Proposta é que os campi de Alegre e Jerônimo Monteiro, no Sul do Estado, se transformem em uma instituição independente

Alessandro de Paula e Rafael Gomes, do jornal A Tribuna | 19/10/2021 13:12 h

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) pode ser “dividida” em duas para a criação de uma nova instituição pública, no Sul do Estado. A divisão viria através de uma decisão do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Bolsonaro chamou o campus da Ufes em Alegre de “puxadinho”, prometendo desmembrá-lo da instituição federal para criar uma nova universidade. 

“O ministro da Educação, Milton Ribeiro, já fez o planejamento. E, nos próximos dias, seis ‘puxadinhos’ vão virar universidade. E a do Espírito Santo será uma das primeiras”, afirmou o Presidente.

Campus da Ufes, em Alegre, oferta  cursos de graduação,   mestrado e também de doutorado em várias áreas
Campus da Ufes, em Alegre, oferta cursos de graduação, mestrado e também de doutorado em várias áreas |  Foto: Alessandro de Paula / AT
 

O que Bolsonaro chama de “puxadinho” são os centros de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE) e de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS), localizados nos municípios de Alegre e Jerônimo Monteiro. Nos campi, são ofertados, atualmente, 17 cursos de graduação, oito de mestrado e três de doutorado.

A possível nova instituição vem sendo chamada de Universidade Federal Vale do Itapemirim, mas ainda não houve oficialização por parte do governo federal.

A reportagem procurou o Ministério da Educação para saber se a mudança terá impacto para os atuais estudantes, professores e técnicos-administrativos, além de entender se novos cursos ou vagas poderiam ser ofertadas. Não houve retorno até o fechamento desta edição.

Norte

Além da universidade no Sul do Estado, uma outra nova instituição também pode nascer a partir da divisão da Ufes. 

É a Universidade Federal de São Mateus (UFSM) – proposta prevista em projeto de lei que está em discussão na Câmara Federal. 

Atualmente, o campus já oferece 17 cursos de graduação em diferentes áreas, como  Agronomia, Ciência da Computação, Engenharia de Petróleo e Farmácia.

Essa universidade não chegou a ser citada pelo presidente Jair Bolsonaro. Autor da proposta, o deputado Neucimar Fraga alegou, ao apresentar o projeto, que o desligamento vai gerar autonomia da nova universidade.


Prefeitos do Sul apoiam iniciativa

A proposta de criação de uma nova universidade federal no Sul do Estado conquistou o apoio de prefeitos da região.

Prefeito de Cachoeiro de Itapemirim e presidente da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), Victor Coelho conta que enviou ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, um ofício solicitando a criação da instituição, no início do mês.

“O Estado conta com uma demanda educacional extensa e, até o momento, tem apenas uma universidade federal. Além disso, o desenvolvimento da Região Sul será ampliado com a consolidação da rede de educação superior”, defendeu.

Para Victor Coelho, os benefícios não serão somente locais. “Teremos repercussões positivas no Nordeste de Minas Gerais e no Norte do Rio de Janeiro, regiões que fazem fronteira com o sul capixaba”.

O prefeito de Alegre, cidade que abriga o campus da Ufes, Nemrod Emerick, acredita que o desmembramento vai permitir o diálogo direto com o reitor, que ficará na região, abrindo possibilidades para expansão e criação de novos cursos.

“Num primeiro momento, professores, estudantes e técnicos podem estar vendo com preocupação, mas, com o tempo, a nova universidade terá mais autonomia, poderá realizar concursos. Os dois campi da região vivem a duras penas, com pouco orçamento, pois são dependentes da Ufes”, destacou Nemrod.

O prefeito acredita que, com a nova universidade, a região pode sonhar com novos cursos, como o de Medicina.


"Impactos negativos e prejuízos", diz Conselho

O Conselho Universitário da Ufes informou que é contrário à proposta de divisão da universidade, o que poderia trazer prejuízo e impacto negativo para estudantes e servidores de ambas as instituições. 

O Conselho também criticou a forma como o assunto vem sendo conduzido, destacando que não existe um planejamento e que a proposta sequer foi apresentada e dialogada com a universidade. 

“A proposta de criação de uma ‘nova’ universidade, sem a previsão dos devidos investimentos em termos de pessoal e infraestrutura, pode trazer impactos negativos tanto para a Ufes quanto para a universidade que se pretende criar”, afirmou o Conselho, em nota.

O Conselho alega que, além de impactar diretamente o futuro da Ufes, a alteração pode resultar na criação de uma universidade “acanhada e sem condições mínimas de sustentabilidade”. 

“A criação não pode se dar pela mera separação de dois Centros da Ufes, sem um projeto claro, associado a uma estratégia de desenvolvimento regional, que preveja a criação de novos cursos, a expansão de vagas e um aporte significativo de investimentos. Uma proposta concebida desta forma não contribui para a expansão do sistema de educação”, destaca a nota.

O Conselho citou experiências recentes, de universidades criadas em 2019, para exemplificar seu posicionamento. São os casos da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco e Universidade Federal do Delta do Parnaíba.

“Essas universidades permanecem ainda hoje dependentes das universidades mães, com dificuldades para o estabelecimento de estrutura administrativa própria”.

O reitor da Ufes, Paulo Sérgio Vargas, concedeu uma entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (19) reforçando que é contra a divisão da universidade. "O Conselho não apoia esta iniciativa", disse.

Estudantes

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufes também emitiu uma nota contrária à mudança. O DCE afirma que o projeto cria “Universidades Fakes”. “Querem apenas separar e dizer que teremos duas novas instituições, com objetivo puramente eleitoreiro”, ressaltou, em nota.


SAIBA MAIS

Unidade será anunciada nos próximos dias


Como é hoje

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) possui quatro  campi: dois em Vitória (Goiabeiras e Maruípe), um no Sul do Estado (Alegre e Jerônimo Monteiro) e um no Norte (São Mateus).

Campus da Ufes de Alegre

O Campus localizado no Sul do Estado oferta 17 cursos de graduação, oito cursos de mestrado e três de doutorado.

Entre os cursos oferecidos estão Agronomia, Engenharia de Alimentos, Engenharia Florestal, Engenharia Industrial Madeireira, Engenharia Química, Medicina Veterinária, Zootecnia, Ciência da Computação, Agroquímica (mestrado), Ciências Biológicas, Farmácia, Física (Licenciatura), Geologia, Matemática (Licenciatura), Nutrição, Química (Licenciatura) e Sistemas de Informação.

São dois centros de ensino: Centro de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE) e Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS), com atividades de ensino, pesquisa e extensão, em articulação com os cursos de graduação e as coordenações dos programas de pós-graduação.

O CCAE também mantém em sua estrutura o Hospital Veterinário (Hovet) – o único de instituição pública do Espírito Santo.

Como ficaria

O Campus de Alegre passaria a não responder mais à Ufes, tornando-se independente.

A unidade ganharia o nome de Universidade Federal do Vale do Itapemirim (UFVI).

O governo federal não divulgou como a nova universidade funcionaria, na prática, e não detalhou se haveria novos cursos ou mais vagas nos já existentes.

De acordo com o presidente da República, Jair Bolsonaro, a nova universidade será anunciada “nos próximos dias”.

Fonte: Ufes, Amunes e presidente da República, Jair Bolsonaro.

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