Vale anuncia R$ 12 bi em investimentos
Projetos no Estado até 2030 focam ampliar capacidade, cortar emissões e modernizar operações com Inteligência Artificial
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A Vale vai investir cerca de R$ 12 bilhões até 2030 no Estado, em projetos nas áreas de gestão hídrica, modernização de instalações e substituição de equipamentos. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da mineradora, Gustavo Pimenta, em evento de celebração dos 60 anos da Unidade Tubarão, em Vitória.
“Tem muita modernização e inovação, com aplicação de Inteligência Artificial, digitalização das operações, agenda de descarbonização e de eficiência, atualização e modernização de equipamentos, para tornar o porto mais moderno, eficiente e ampliar a capacidade de transacionar volumes aqui”.
Pimenta comentou sobre consolidar a fábrica de briquete verde, tecnologia inovadora que aglomera minério de ferro a baixas temperaturas, reduzindo em até 10% as emissões de gases do efeito estufa na produção de aço:
“A gente está agora ‘rampando’ a primeira (fábrica) e no processo de desenvolvimento. O retorno dos clientes tem sido positivo. Vamos ver se depois teremos oportunidade de expandir, mas o foco agora é ter certeza de que a gente consegue ‘rampar’ essa primeira”.
Pimenta diz estar sempre olhando oportunidades de crescimento e de utilização maior do porto, que tem uma capacidade disponível, e falou em destravar a mineração.
“Se a gente conseguir destravar o potencial minerado que ainda temos em Minas e encher a Vitória a Minas, isso traz mais volume para cá e mais contribuição para o Estado; estamos trabalhando forte, numa agenda também federal, para destravar a mineração”, afirmou o presidente da Vale.
O governador Ricardo Ferraço destacou a eficiência da Vale, integrando produção, ferrovia e porto, e o olhar para a sustentabilidade.
Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), avaliou que a história da Vale se confunde com a do Estado na sua industrialização, inclusive, sendo pioneira na integração de minas, ferrovia e porto, e isso é exemplo para hoje, em que é preciso transformar o Estado com um hub logístico para enfrentar impactos da reforma tributária.
“O nosso Estado hoje é exportador e importador e temos aí o Parklog ES no Norte e no Sul.”
Participaram também do evento, autoridades como a prefeita de Vitória, Cris Samorini, o prefeito da Serra, Weverson Meireles, e o secretário de Estado do Desenvolvimento, Rogério Salume.
Investimentos
A Vale vai investir cerca de R$ 12 bilhões até 2030 no Estado, em projetos nas áreas de gestão hídrica, modernização de instalações e substituição de equipamentos.
Sensores, Inteligência Artificial, operações remotas e o desenvolvimento de novos produtos já fazem parte da rotina da Unidade Tubarão, que integra ferrovia, porto e indústria em um sistema logístico único.
No Porto de Tubarão, por exemplo, carregadores de navios operam de forma totalmente remota e contam com sistemas anticolisão.
A umidade do minério é monitorada com apoio de inteligência artificial, reforçando a segurança no embarque. O terminal também utiliza drones para leitura de calado e inspeções subaquáticas.
Fonte: Vale.
Definição sobre ferrovia em 4 meses
A repactuação dos contratos das ferrovias da Vale – Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e Estrada de Ferro Carajás (EFC) – deve ser definida nos próximos quatro meses, segundo o presidente da Vale, Gustavo Pimenta.
A negociação envolve um pacote bilionário para reequilibrar concessões e destravar investimentos no setor ferroviário, como a EF-118, que ligará o Espírito Santo à região metropolitana do Rio.
“O principal hoje é o nosso compromisso de tentar concluir essa repactuação, essa discussão com o governo federal, ao longo dos próximos quatro meses”, disse ele, ao afirmar que foi uma proposta da Vale unificar o projeto da EF-118, para uma licitação conjunta, incluindo o Ramal Anchieta.
“Eventualmente vai contar com aportes, seja do acordo que a MRS fez, seja inclusive de autorgas que a própria Vale tem. Isso cria uma condição econômica para viabilizar. Então acho que a gente está num bom caminho, para que isso possa vir a leilão em algum momento e ter um desenho que funcione para os investidores”.
No fim do evento, um monumento em homenagem aos 60 anos da Vale no Espírito Santo foi inaugurado em Tubarão.
Qualificação em parceria
Para enfrentar os desafios com mão de obra, a Vale tem parcerias para qualificação de profissionais, a exemplo de instituições como Senai, Sesi e universidades, e até financiamentos junto as instituições.
“Essa é uma pauta super importante, uma das principais pautas que eu tenho desde que eu assumi a companhia”, disse.
O presidente contou que objetiva deixar, como legado, investimentos pesados no desenvolvimento de talentos.
“A gente tem feito muita parceria com o Sistema S, por exemplo, Senai e Sesi, no sentido de trazer competências técnicas para dentro da companhia, fazer parceria, onde em alguns casos a gente até financia infraestrutura, ajuda para que esses sistemas possam fornecer mão de obra de qualidade”, explicou.
Pimenta detalhou que a Vale trabalha muito proximamente com as universidades, e dali consegue capturar e trazer muitos talentos, com trilhas internas de desenvolvimento.
“A gente tem uma plataforma de desenvolvimento técnico, porque essa indústria é essencialmente técnica, e você precisa desenvolver, capacitar e leva tempo. A Vale é conhecida por ser uma companhia que é tecnicamente muito capaz”.
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