Petrobras compra áreas de estrangeiras no Espírito Santo
Estatal comprou parte de campo no litoral capixaba, o que criará empregos qualificados em sondas, engenharia e manutenção no ES
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A aquisição pela Petrobras de 100% de uma parcela do campo de Argonauta, na costa do Espírito Santo, concedida a três empresas privadas — Shell, ONGC e Brava Energia — promete servir como passo importante para o objetivo da estatal em ampliar em 50% a produção de barris de petróleo por dia nos próximos cinco anos.
O acordo para a compra foi anunciado na última segunda-feira (27) e depende ainda de aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Com a conclusão, a empresa passa a deter 98,11% da jazida compartilhada de Jubarte — ou seja, da porção territorial do reservatório de petróleo, que perpassa diferentes campos de exploração.
Embora as empresas fossem as detentoras da concessão para exploração, quem de fato retirava o petróleo era a Petrobras, que repassava o percentual devido às empresas — como explica Rafaele Cé, presidente da RedePetro ES.
Mas adquirir a área vem em um contexto de investimentos, já anunciados recentemente, na intensificação da produção.
“(Isso) sinaliza ao mercado capixaba que a empresa tem a intenção de permanecer, continuar e até aumentar a exploração neste campo. A aquisição pode vir a representar novos investimentos e perfurações adicionais, fomentando e ampliando a produção no Estado”.
Com a futura ampliação, uma cadeia de empresas do setor conhecido como “drilling”, responsável por operar sondas de águas rasas, profundas e ultraprofundas, tendem a abrir vagas de emprego qualificado com oportunidades no Estado, avalia Cé. “Muitas dessas empresas têm muitos profissionais que moram no Estado. São empregos que pagam bem, com mão de obra especializada”, diz.
Entre as funções demandadas, estão a de técnico em mecânica e elétrica, operadores de sonda, técnico de instrumentação e engenheiro de petróleo, por exemplo.
Foresea, Ventura Offshore e Constellation são exemplos de empresas do setor que têm contratos ativos com a Petrobras e que podem necessitar de novos funcionários, diz ele. Com contratos que se estendem até 2030, as contratações podem se tornar frequentes em um contexto de ampliação gradativa da produção da empresa.
Os números
- 98,11% de Argonauta são da Petrobras
- 50% a estatal quer ampliar produção
Saiba Mais
Aquisição no campo
A Petrobras firmou acordo para comprar 100% de uma parte do chamado “ring-fence” do Campo de Argonauta, na Bacia de Campos.
A conclusão ainda depende de aprovações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, além de outras condições previstas no contrato.
Essa área pertencia às empresas Shell Brasil Petróleo Ltda., ONGC Campos Ltda. e Enauta Petróleo e Gás Ltda.
A fatia adquirida corresponde a 0,86% da Jazida Compartilhada de Jubarte, no pré-sal, ligada ao Acordo de Individualização da Produção (AIP) em vigor desde agosto de 2025.
Com a conclusão, a Petrobras passará a ter 98,11% da Jazida Compartilhada de Jubarte.
A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), que representa a União, manterá 1,89% de participação, referente à extensão da jazida em áreas não contratadas.
Quantias
O valor total da operação soma R$ 700 milhões e US$ 150 milhões. O pagamento será dividido em três etapas.
A primeira parcela, de R$ 100 milhões, será paga no fechamento do negócio. A segunda, de R$ 600 milhões, está prevista para janeiro de 2027 ou no fechamento, o que ocorrer depois.
Já a terceira parcela, de US$ 150 milhões, será paga dois anos após a conclusão. Todos os valores podem sofrer ajustes previstos em contrato.
Fim de “parceria”
O fechamento do negócio também encerra as negociações de equalização entre Petrobras, Shell, ONGC e Enauta — ou seja, o sistema em que a estatal produzia e repassava às empresas o percentual devido.
Além disso, ficam concluídas discussões sobre a individualização da produção e possíveis acordos relacionados a jazidas compartilhadas entre Jubarte e a área adquirida, informou a Petrobras.
Próximos passos
Segundo a Petrobras, a aquisição tem condições econômicas atrativas e deve simplificar a gestão do ativo — fazendo com que a produção esteja totalmente conectada com a lucratividade da empresa nesse campo.
Otimizar a exploração e manter as plataformas em funcionamento abraça essa proposta, conforme o planejamento da estatal.
A FPSO Maria Quitéria e a P-57, ambas alocadas em Jubarte, são plataformas que devem receber projeto de ampliação da vida útil, anunciou no início do mês a gerente de Planejamento e Gestão, Alice Bonatto de Castro.
Reservatório
A Jazida Compartilhada de Jubarte é operada pela Petrobras de forma integrada à infraestrutura de produção da área conhecida como Parque das Baleias.
O Parque das Baleias é um conjunto de campos localizados na porção norte da Bacia de Campos, em lâmina d’água entre aproximadamente 1220 e 1400 metros, cujo principal campo é Jubarte.
Os ativos são operados pela Petrobras, por meio das plataformas P-57, P-58, FPSO Cidade de Anchieta e FPSO Maria Quitéria, com produção atual de cerca de 210 mil barris de óleo por dia.
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