Trump decide hoje sobre “tarifaço” que pode afetar até 500 itens no ES
Até 500 itens exportados pelo Espírito Santo podem ser afetados, segundo estudo da Federação das Indústrias do Espírito Santo
Os Estados Unidos devem definir nesta quarta-feira (15) se irão impor um “tarifaço” de até 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A medida reúne uma tarifa de 25% e um adicional de 12,5%.
A decisão será tomada após o encerramento do prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para concluir a análise da medida.
De acordo com os dados da Comex Stat, compilados pelo Observatório Findes, considerando a lista de exceções divulgada pelo governo dos EUA, a tarifa adicional de 25%, atingiria quase 500 produtos comercializados pelo Espírito Santo.
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O setor de rochas ornamentais seria o mais afetado. Aproximadamente 28% das exportações capixabas desse segmento para os Estados Unidos seriam impactados.
Caso também seja implementada a tarifa adicional de 12,5% sobre produtos classificados pelo governo norte-americano como relacionados ao uso de trabalho forçado, o impacto alcançaria quase 500 produtos exportados pelo Espírito Santo, que representaram 10,3% da pauta exportadora capixaba.
Entre eles estão produtos de elevada relevância para o ES, como outras rochas naturais e minério de ferro, que estavam isentos na lista anterior.
Já na hipótese de adoção simultânea das duas medidas, 508 produtos exportados pelo Espírito Santo estariam sujeitos à tarifa combinada de 37,5%. Enquanto 12 produtos seriam impactados exclusivamente pela tarifa de 12,5%, por estarem isentos da tarifa adicional de 25%.
Segundo o coordenador dos cursos de Relações Internacionais e Comércio Exterior da UVV, Daniel Carvalho, o impacto vai além das empresas exportadoras.
“Quando o produtor vende menos, ele lucra menos e reduz investimentos. Com menos investimento, circula menos dinheiro na economia. Quem perde o emprego ou tem a renda reduzida deixa de consumir no comércio, nos restaurantes, nos postos de combustíveis e em diversos outros setores. É um efeito cascata.”
Presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Paulo Baraona, destaca que as medidas ampliam a insegurança no comércio internacional e reduzem a competitividade dos produtos capixabas no mercado no país estadunidense.
Cenário é incerto, dizem especialistas
A indefinição do governo americano sobre a aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros mantém um cenário de incertezas.
O coordenador dos cursos de Relações Internacionais e Comércio Exterior da UVV, Daniel Carvalho, salienta que todo o processo técnico conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) já foi concluído, incluindo consultas públicas e audiências.
“Isso indica que a decisão ainda está na mesa da Casa Branca e depende de um posicionamento do presidente Donald Trump”.
Para ele, alguns movimentos recentes reforçam a possibilidade de um adiamento. Um deles foi a participação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nas audiências públicas realizadas nos EUA, defendendo que as tarifas não fossem impostas ao Brasil. Outro foi a declaração do presidente Lula de que não haveria um novo tarifaço.
Apesar desses sinais, Daniel Carvalho ressalta que o cenário mais provável continua sendo a adoção das tarifas, ainda que de forma parcial ou com exceções para alguns produtos.
Ele afirma que existe uma possibilidade de alguns produtos apresentarem queda temporária de preços no mercado interno.
Isso pode ocorrer caso empresas que exportam itens como café solúvel, carnes processadas e outros produtos industrializados não consigam repassar o custo das tarifas aos compradores americanos e direcionem essa produção para o mercado brasileiro.
“O aumento da oferta pode provocar promoções e uma redução pontual dos preços. Mas esse efeito tende a ser temporário, até que as empresas encontrem novos mercados para exportação.”
O presidente da Câmara Americana para Comércio do Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, considera que ainda há “uma distância grande” a ser percorrida para um acordo entre os dois lados e que o cenário ainda está indefinido.
“O cenário ainda está em aberto e não é simples. Mas ainda é importante buscar esse espaço para encontrar uma solução”, afirmou.
Governo avalia criar nova medida para ajudar empresas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal pode editar nova medida provisória (MP), nos moldes do programa "Brasil Soberano", para socorrer os setores da economia que vierem a ser atingidos pelo novo tarifaço que os Estados Unidos podem aplicar contra produtos brasileiros. O governo também não descarta retomar mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade.
As medidas, contudo, serão avaliadas com cautela e tomadas conforme a necessidade, disse na última terça-feira (14) à noite.
"Eu não descarto, porque a gente precisa proteger as nossas empresas e os nossos empresários. Mas isso vai ser feito com muita cautela, para que a gente avalie de fato o impacto que, se vier [o tarifaço], trará às empresas brasileiras", explicou.
Saiba Mais
500 produtos em risco
A lista da Findes inclui 500 produtos capixabas que são exportados para os Estados Unidos e que podem ser impactados pelo tarifaço de Trump. Dentre os principais produtos estão:
- Rochas variadas (incluindo granito, quartizitos e mármore)
Minério de Ferro
- Ovos
- Celulose
- Madeira
- Peixes
- Nozes frescas ou secas, sem casca
- Algas próprias para alimentação humana
- Inhames
- Partes e acessórios de instrumentos musicais de cordas
- Cavalinhas
- Mel natural
- Chocolate não recheado, em tabletes, barras e paus
- Móveis de madeira, do tipo utilizado em quartos de dormir
- Bolachas e biscoitos
- Chocolate branco sem cacau
- Xampus
- Calçados de borracha ou plásticos
- Condimentos e temperos
- Desodorantes
- Caramelos
- Sal de mesa
- Absorventes
- Doce de leite
Setor de rochas será o mais afetado
- Na avaliação da Findes, o setor de rochas ornamentais seria o mais afetado. Aproximadamente 28% das exportações capixabas desse segmento para os Estados Unidos seriam impactados. O Espírito Santo é o principal produtor e exportador brasileiro de rochas naturais, o que amplia a relevância dos impactos para a economia estadual.
- Caso também seja implementada a tarifa adicional de 12,5% sobre produtos classificados pelo governo norte-americano como relacionados ao uso de trabalho forçado, o impacto alcançaria quase US$ 1,1 bilhão em exportações para os Estados Unidos, levando em consideração dados de 2025, ou 10,3% da pauta exportadora capixaba.
- Entre eles estão produtos de elevada relevância para o Espírito Santo, como outras rochas naturais e minério de ferro, que estavam isentos na lista anterior.
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