Volks anuncia que vai tirar de linha metade dos carros
Lucro menor e avanço das chinesas levaram a empresa a confirmar que vai enxugar a linha de veículos e rever o tamanho da produção
A Volkswagen anunciou um amplo plano de reestruturação que prevê reduzir em até metade o número de modelos oferecidos ao mercado e diminuir a produção anual de veículos para 9 milhões de unidades.
A medida faz parte da estratégia da montadora alemã para cortar custos, simplificar sua operação e enfrentar o avanço das fabricantes chinesas, que ganharam espaço nos últimos anos com veículos elétricos mais competitivos.
A empresa não detalhou quais modelos deixarão de ser produzidos nem informou quantos empregos poderão ser afetados. Também não confirmou as informações publicadas pela imprensa alemã sobre a possível demissão de até 100 mil trabalhadores até o fim da década e o fechamento de quatro fábricas na Europa.
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Segundo o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, a companhia precisa eliminar a capacidade excedente para se adaptar ao novo cenário da indústria automobilística.
Ele afirmou que o ambiente geopolítico se tornou mais complexo e que os próximos anos serão decisivos para definir quais fabricantes seguirão na liderança mundial.
A montadora pretende produzir 9 milhões de veículos por ano, abaixo da meta de 12 milhões antes da pandemia e dos 10 milhões projetados mais recentemente.
A decisão representa uma mudança significativa para uma empresa historicamente conhecida por expandir gradualmente sua produção. O plano ocorre em meio à queda dos resultados financeiros. No primeiro trimestre deste ano, o lucro da Volkswagen recuou 28%, para 1,6 bilhão de euros, enquanto as vendas caíram 2%.
O grupo reúne marcas como Audi, Porsche, Skoda, Lamborghini e Bentley, além de controlar a fabricante de caminhões Traton, responsável pelas marcas MAN, Scania e International. Analistas avaliam que parte dessa estrutura tornou a companhia excessivamente complexa, com diversas marcas oferecendo veículos semelhantes e elevando custos de desenvolvimento, produção e comercialização.
A Volks também enfrenta dificuldades na China, mercado que por muitos anos respondeu por parcela expressiva de seus lucros. As vendas da empresa no país caíram 20% no 1º trimestre, refletindo a perda de espaço para fabricantes locais e o avanço da eletrificação no maior mercado automotivo do mundo.
Os números
- 28% caiu o lucro da Volkswagen
- 2 por cento foi a queda nas vendas
Receio de cortes de pessoal
Embora a Volkswagen não tenha confirmado cortes de pessoal, o anúncio aumentou a preocupação entre trabalhadores e autoridades alemãs. Reportagens publicadas nos últimos dias apontam que a empresa estuda eliminar até 100 mil postos de trabalho e fechar quatro fábricas na Europa até o fim da década.
Tradição
A possibilidade representa uma ruptura com a tradição da indústria alemã, que costuma promover reestruturações graduais.
Representantes dos trabalhadores e do governo da Baixa Saxônia, estado que possui participação na companhia e ocupa assentos no conselho de supervisão, já haviam sinalizado resistência a medidas dessa dimensão.
Em Neckarsulm, onde cerca de 15 mil funcionários trabalham na produção de modelos da Audi, o receio é de que um eventual fechamento da unidade provoque forte impacto na economia local.
“Se a Audi morrer, tudo aqui morre”, afirmou um funcionário da fábrica.
O chanceler Friedrich Merz também defendeu a manutenção das unidades industriais e declarou que o objetivo do governo é evitar o fechamento de fábricas na Alemanha.
Marcas chinesas aceleram pressão sobre tradicionais
O plano da Volkswagen reflete uma transformação que atinge toda a indústria automobilística. Fabricantes chinesas como BYD e Geely ampliaram rapidamente sua presença internacional após anos de investimentos em veículos elétricos, impulsionados por incentivos governamentais.
Na União Europeia e no Reino Unido, as montadoras chinesas venderam, em maio, mais veículos do que as fabricantes japonesas. Ao mesmo tempo, cerca de um em cada cinco carros novos comercializados na Europa já é elétrico, movimento acelerado pelo aumento dos preços dos combustíveis.
A Volkswagen tornou-se uma das empresas mais expostas a essa mudança. Durante décadas, a China foi sua principal fonte de lucro, mas a companhia perdeu competitividade diante das marcas locais. Apenas no primeiro trimestre deste ano, suas vendas no mercado chinês recuaram 20%.
Outro fator de pressão veio dos Estados Unidos. A Porsche passou a enfrentar as tarifas de 25% impostas pelo governo norte-americano sobre automóveis importados, aumentando os desafios para a montadora alemã em um cenário de concorrência global cada vez mais intensa.
O cenário também levou o governo alemão a reagir. O chanceler Friedrich Merz anunciou medidas para fortalecer a indústria automotiva, entre elas novos subsídios e pressão sobre a União Europeia para flexibilizar parte das regras do setor.
O objetivo é preservar a competitividade das montadoras alemãs diante da rápida expansão das fabricantes chinesas, que hoje disputam mercados antes dominados pelas marcas tradicionais da Europa, dos Estados Unidos e do Japão.
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