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"Black Fraude"

Três mil sites falsos criados para a Black Friday

Empresa de segurança aponta novas páginas criadas por criminosos na internet para dar golpes no consumidor usando a liquidação

10/11/2021 17:53:18 min. de leitura

Todo cuidado é pouco para a Black Friday não se tornar uma “Black Fraude”. A chegada da data, que surgiu nos Estados Unidos logo após o Dia de Ação de Graças e que antecede a temporada de compras natalinas, tem estimulado a criação de páginas e aplicativos fraudulentos. 

Bandidos utilizam esses recursos para captar dados bancários e outras informações pessoais de consumidores na internet. 

Levantamento feito pela Axur, firma especializada em segurança que atende grandes empresas de comércio eletrônico e varejo, mostra que 3.020 páginas falsas, citando marcas de e-commerce, foram criadas no último trimestre deste ano em todo o País. 

Empresas e bancos do setor aparecem com 34,5% das incidências. O consultor de tecnologia da informação Eduardo Pinheiro afirma que, na verdade, o que existe não são sites falsos, mas sim clonados. 

Segundo ele, é importante se atentar para o endereço eletrônico que está sendo acessado e verificar, principalmente, se existe um certificado de conexão segura (o https). “A letra S só é concedida a sites confiáveis, ou seja, idôneos”, disse. 

Pinheiro destaca que, caso a pessoa tenha sido vítima de compra em algum site clonado, o ideal é que ela reúna todo o material, salve boletos e  os dados da compra para levar à polícia.

“Se o golpe for acima de 10 salários mínimos, o ideal é que ela procure a delegacia de crimes cibernéticos, se for abaixo desse valor, pode procurar a delegacia do próprio bairro”, explicou. 

Pinheiro afirma que é  preciso desconfiar dos sites, anúncios e links das redes sociais na hora de ir às compras. 

“A palavra de ordem é ser conservador, priorizar redes privadas na hora de fazer uma compra e ser muito cauteloso antes de realizar qualquer pagamento no ambiente digital”, disse. 

Imagem ilustrativa da imagem Três mil sites falsos criados para a Black Friday
Taiany Colombi teve o cartão de crédito clonado Foto: Divulgação
  

Vendedora vítima de clonagem

A vendedora Taiany Colombi, 28 anos, foi vítima de uma compra em um site e teve seu cartão de crédito clonado. Ela conta que clicou em um anúncio que viu no WhatsApp e foi atraída pelo preço, que estava praticamente pela metade. 

“O anúncio estava bem atrativo e o site clonado era idêntico ao da loja oficial, pois era o mesmo modelo, com informações idênticas e muito bem avaliado pelos usuários que, supostamente, haviam comprado a mesma geladeira”, relatou.

Vendas online crescem e Fecomércio faz alerta para risco

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo (Fecomércio-ES) está otimista em relação a Black Friday e acredita que a data pode aumentar em até 60% as vendas pela internet.  

Imagem ilustrativa da imagem Três mil sites falsos criados para a Black Friday
José Lino Sepulcri: alerta aos consumidores Foto: Arquivo/AT
 

O presidente da federação, José Lino Sepulcri, afirma que a pandemia ensinou a população a se habituar com essa modalidade de compra.  No entanto, com a multiplicação das fraudes, ele reforça para que os consumidores fiquem atentos em relação a propaganda enganosa, sites e links suspeitos e optem por parcelar o pagamento.

O diretor-presidente do Procon-ES, Rogério Athayde, destaca que o ideal é o consumidor pedir indicação de sites   confiáveis  a pessoas conhecidas, além de pechinchar antes de ir às compras. 

“Outro detalhe é ficar atento em relação ao valor de certos produtos, que podem ser muito baratos”, disse. 

O diretor do Procon-ES recomenda ainda que o consumidor observe, no caso de compras pela internet, se o estabelecimento possui CNPJ, endereço físico, telefone para atendimento, além de sites e redes sociais confiáveis. 

Ele alerta também para ficar atento à  garantia do produto.  “O consumidor tem até uma semana para fazer a devolução ou troca, caso  o produto adquirido apresente algum defeito”, explicou.


SAIBA MAIS

O que fazer

  • Antes de fazer compras pela internet, conheça o site e verifique se outras pessoas de confiança já fizeram compras através dele.
  • Priorize uma rede de internet privada, uma vez que redes gratuitas podem não estar protegidas e são vulneráveis.
  • Verifique se o site é seguro e se a compra está sendo feita também em uma página segura, ao checar a presença de um cadeado ao lado do link.
  • Tenha um antivírus confiável, que possa detectar sites que contenham arquivos maliciosos.
  • Lembre-se de usar somente uma senha para cadastro em sites de compras.

Cuidados

  • Proteja o cartão de crédito, ao desabilitar a opção de salvar dados do cartão no site de compra. Se possível, utilize o cartão virtual.
  • Desconfie de lojas que aceitam apenas transferência ou boleto e não oferecem outras formas de pagamento para o cliente.
  • Verifique se o estabelecimento possui atendimento on-line para esclarecimento de dúvidas.
  • Veja também se o estabelecimento fornece descrição detalhada do produto, ficha técnica, além de fotos ou até mesmo vídeo.
  • Observe se a loja oferece informações claras sobre prazos de entrega, pagamentos, frete, entre outros.
  • Procure saber  se o site da loja tem espaço para que os clientes opinem sobre produtos, além de interações em redes sociais (Facebook, Twitter, Google+, etc.).
  • Verifique a existência física da loja, ou seja, se ela informa CNPJ, telefone, e-mail, redes sociais confiáveis, além de Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).
  • Fique atento em relação ao valor de certos produtos, que podem ter preço muito inferior ao praticado no mercado.
  • Não faça compras a partir de e-mails não solicitados (spam). Esta prática é muito prejudicial à internet e, ao aceitá-la, o internauta está incentivando a sua continuidade. 
  • Verifique o endereço antes de clicar em links recebidos.
  • Priorize a página oficial da loja.
  • Cuidado com possíveis páginas falsas, que visam roubar dados, principalmente nas redes sociais.
  • Nas lojas menores, dê preferência às que possuem algum sistema de pagamento como intermediário. Evite depósitos e boletos.

Direitos

  • O Código de Defesa do Consumidor alerta que o cliente  tem o direito de se arrepender da compra no prazo de até 7 dias.  
  • O Procon-ES disponibiliza um número à população para  dúvidas, problemas ou denúncias. O telefone, com WhatsApp, é o (27) 3323-6237.

Fonte: pesquisa AT e  Procon-ES.