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Recorde de nomes no SPC

| 04/03/2020 20:03 h | Atualizado em 04/03/2020, 20:35

Geraldo Calenzani: 743.998 consumidores estão com nome no SPC
Geraldo Calenzani: 743.998 consumidores estão com nome no SPC |  Foto: Divulgação
O número de capixabas com nome negativado bateu recorde em janeiro e chegou a 743.998, seguindo tendência de crescimento que se repetiu nos últimos anos. O total de registros é de 2.231.994, mas uma pessoa pode ter o nome inserido no banco de dados mais de uma vez. O gerente de negócios da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Vitória, Geraldo Calenzani, disse que, pelo menos nos últimos cinco anos, o número de registros vem crescendo. Ele citou uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) que revela que as despesas do início do ano sobrecarregam o orçamento dos brasileiros, que, muitas vezes, não se planejam e, consequentemente, as dívidas aumentam. Por causa disso, muitos optam por empréstimos, acabam se enrolando e dão início a uma “bola de neve”.

Os dados mostram que, no Estado, são as mulheres que lideram o ranking da inadimplência. A leitura feita por Geraldo Calenzani é de, além de algumas serem consumistas, muitas fazem compras para terceiros, usando seus cartões de crédito, por exemplo.

Quando essas pessoas não honram com os compromissos, essas mulheres podem não ter como pagar o débito, porque muitas são responsáveis por parte ou pela totalidade das despesas da casa.
Na análise por faixa etária, quem se destaca são os consumidores entre 30 e 39 anos.
Para o gerente da CDL Vitória, é nessa faixa etária que muitas pessoas terminam a faculdade, ingressam no mercado de trabalho, buscam a independência, financiam imóveis, vão morar sozinhas e até se casam. “Mas nem sempre o lado financeiro está equilibrado”.

A maior parte das dívidas é de valores entre R$ 500 e R$ 999. De acordo com Calenzani, roupas, calçados e produtos eletrônicos, em especial, os celulares, impulsionam essa realidade.

Sem citar quantidade, ele afirmou que a maior parte das pessoas que realiza acordos em feirões para endividados consegue quitar as débitos e ter o crédito restabelecido. Mas disse que ainda não há data definida para a realização do próximo feirão na Grande Vitória. “Normalmente, ele acontecem no final do ano”.

Após o pagamento da dívida, a empresa credora tem cinco dias úteis para retirar o nome do consumidor do SPC ou da Serasa (órgão de proteção ao crédito).

Cartão de crédito é o maior vilão dos endividados

O cartão de crédito é o principal vilão da economia doméstica. Dívidas com o cartão foram contraídas por 78,6% das famílias endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em seguida, estão dívidas com carnês (15,9%) e financiamento de veículos (10,7%).

O percentual de famílias brasileiras que relataram ter dívidas (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro) alcançou 65,1% no mês passado. Houve uma pequena redução em relação aos 65,3% observados em janeiro.
Houve alta, porém, em relação a fevereiro de 2019, quando o indicador alcançou 61,5% das famílias, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC.

O presidente da confederação, José Roberto Tadros, disse que a tendência observada no endividamento das famílias é reflexo de aquecimento do consumo e que a alta de alguns indicadores não deve ser vista como negativa.

“Embora ele tenha esfriado um pouco no último mês, o endividamento em alta está associado a condições mais favoráveis no mercado de crédito ao consumidor, impulsionado por fatores como a melhora recente do mercado de trabalho e a redução significativa das taxas de juros, o que permite a queda do custo do crédito.”

Análise

“Não há melhora a curto prazo”

Arilda Teixeira, economista e  professora da Fucape
Arilda Teixeira, economista e professora da Fucape |  Foto: Divulgação
“Não há solução fácil e imediata para o problema da inadimplência, que é estrutural. Tivemos um longo período de baixo crescimento econômico, de 2013 até agora. Isso manteve uma taxa de desemprego muito alta, que explica a maior parte das inadimplências. O crescimento que observamos agora ainda não recupera a queda anterior.

E esse cenário de inadimplências não vai melhorar a curto prazo: com indefinições na economia, o empresariado fica inerte e sem estímulo para novas contratações, novos empreendimentos, enfim, não movimenta a cena.

Dito isso, os feirões ou descontos no pagamento do IPTU podem amenizar o problema e melhoram autoestima do pagador, mas não são garantia de que a dívida continuará sendo paga e será quitada.

O governo federal, por sua vez, pode ajudar conferindo estabilidade ao mercado e com diminuição de tributos, para esquentar a economia.”

Arilda Teixeira, economista e professora da Fucape

Procon negocia dívidas

Quem deseja negociar as dívidas e não conseguiu resolver diretamente com as empresas ou caso a resposta não seja satisfatória pode procurar o Procon-ES.

Os atendimentos são de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, na avenida Princesa Isabel, 599, edifício Março, 9º andar, no centro de Vitória, ou no Faça Fácil Cariacica, que atende também aos sábados, das 8h às 13h.

É preciso ser o titular da dívida e apresentar documentos pessoais e comprovantes que atestem a relação de consumo, como contratos, e boletos.

“Na hora de negociar, o consumidor tem o direito de saber o valor da dívida e os encargos, por meio de demonstrativo de evolução do débito concedido pela instituição financeira. Dessa forma, ficará mais fácil avaliar se o valor é justo”, explicou o diretor-presidente do órgão, Rogério Athayde.

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