Qualidade do networking é diferencial para carreiras
Especialistas avaliam que é mais importante estar no ambiente certo para criar novas conexões do que a quantidade de contatos
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A carreira de um profissional pode mudar de patamar com um networking bem realizado, avaliam especialistas. Mas, para isso, é preciso estar no ambiente certo para que as conexões sejam feitas com qualidade, e não apenas por quantidade.
Para a especialista em Gestão de Pessoas e CEO da Center RH Eliana Machado, o mercado capixaba é relativamente próximo e incentiva a realização de networking, mas é preciso cultivar relações baseadas em confiança, respeito profissional e colaboração.
“Também é importante compreender que networking é uma via de mão dupla. Não se trata apenas de buscar oportunidades, mas de estar disponível para compartilhar conhecimentos, apoiar colegas e contribuir com o crescimento coletivo”.
Segundo o mentor de carreiras e consultor de desenvolvimento humano Elias Gomes, o networking deixou de ser apenas uma prática social para se consolidar como estratégia essencial de desenvolvimento profissional, independentemente do nível hierárquico ou do setor de atuação.
“Construir e manter uma rede de relacionamentos qualificada pode ser um diferencial decisivo na trajetória de carreira, podendo abrir portas que, de outra forma, seriam inacessíveis”.
Gomes acrescenta que a importância de realizar conexões profissionais estratégicas não se limita à busca por um novo emprego, abrangendo também trocas de conhecimentos, identificação de parcerias estratégicas, acesso a mentores e ampliação de visibilidade profissional.
“Grande parte das oportunidades circula primeiro nas redes de contato. Sem contar o aprendizado contínuo: o networking estimula a inovação e enriquece o repertório profissional do indivíduo, não sendo necessariamente algo sobre quantidade, mas sim sobre qualidade do networking realizado”.
Para o especialista em networking Daniel Gramigna, funcionários devem aproveitar os eventos promovidos pela empresa para realizar esse networking de qualidade. Ele cita as festas de fim de ano como um bom exemplo de momento ideal para isso.
“As pessoas estão mais leves, conversam com mais espontaneidade e baixam um pouco a guarda. Quando você chega com intenção e não com pressão até uma troca rápida vira oportunidade”, afirma.
Cuidados em tempos de redes sociais
Em tempos de redes sociais, a presença on-line também é relevante para a construção de carreiras, mas exige cuidados, explicam especialistas.
Conforme explica a conselheira do Comitê de Jovens Empreendedores da FIESP (CJE) e mentora do Instituto de Formação em Tecnologia e Liderança (IFTL) Laís Macedo, toda recomendação presencial passa por um filtro inevitável: a validação on-line.
“Quando alguém cita seu nome em uma conversa, te indica em uma roda ou sugere seu perfil para uma oportunidade, o próximo movimento é automático: a pessoa pega o celular e procura você”.
Por conta disso, comportamentos on-line devem ser tratados com cuidado, já que essa “pegada digital” pode abrir ou fechar portas em empresas.
Laís cita, por exemplo, que um perfil pessoal e aberto nas redes sociais deixa uma pegada digital com as suas fotos, vídeos, comentários e interações, conteúdos vistos pelos seus seguidores, mas também por pessoas fora do seu ciclo social devido a mecanismos de pesquisa, hashtags ou sugestões algorítmicas.
Segundo Laís, esses conteúdos postados ativamente podem ser acessados e interpretados por recrutadores e empresas interessados em avaliar a presença on-line dos candidatos, como uma extensão do currículo. O que pode ser algo bom ou algo ruim, dependendo da pegada digital do candidato.
“Existem várias ferramentas, ainda mais com tantos agentes de IA, que ajudam a rastrear pelo nosso perfil: quais são os tipos de página que a gente segue, se somos mais ativos ou menos ativos nas redes sociais, entre outras coisas”, conta Caio Infante, especialista em RH.
Conteúdos preconceituosos, ofensas, notícias falsas, exposição de informações sigilosas, críticas públicas a colegas e líderes podem prejudicar um processo seletivo e até toda uma carreira.
Isso aconteceu, por exemplo, com a atriz espanhola Karla Sofía Gascón. Após ser indicada na categoria de Melhor Atriz no Oscar 2025, pelo drama “Emília Perez”, ressurgiram publicações racistas e xenofóbicas antigas publicadas nas redes da atriz.
Com a repercussão, Gascón foi alvo de críticas e afastada da campanha do filme.
Até o Tinder já é usado para criar conexões profissionais
Aplicativos de namoro como o Tinder e o Bumble já estão virando concorrentes do Linkedin: segundo levantamento publicado pela Forbes, um em cada três usuários desses aplicativos o usam para impulsionar suas carreiras e criar conexões profissionais. E um em cada dez afirmou que esse era o principal motivo para estar no aplicativo.
Segundo a pesquisa, homens têm maior probabilidade de usar apps de namoro para fins profissionais do que mulheres (37% contra 30%), e essa tendência apareceu em todas as faixas etárias do grupo pesquisado, entre 18 e 55 anos. Tinder, Bumble, Facebook Dating e Hinge foram as plataformas mais usadas pelos participantes da pesquisa.
As conexões feitas nos aplicativos muitas vezes se transformaram em conquistas reais na carreira. Quase metade dos usuários que fizeram networking nos apps disseram ter recebido conselhos profissionais valiosos, enquanto 39% conseguiram uma entrevista e 37% acabaram recebendo uma proposta de emprego.
A pesquisa não detalhou exatamente como essas conexões profissionais se desenrolaram, então não se sabe se os usuários flertaram primeiro e depois pediram uma oportunidade de emprego, por exemplo. A maioria dos entrevistados afirmou ter sido transparente com seus matches sobre suas motivações.
Os resultados da pesquisa estão alinhados com outras descobertas sobre esse movimento. O Grindr, um app de namoro LGBTQ+, estima que um quarto de seus usuários utiliza a plataforma para fins de networking, e seu CEO admite já ter contratado profissionais pelo aplicativo. O Bumble chegou a ter uma função chamada “Bizz”, voltada para networking profissional.
Enquanto isso, o Tinder considerou a situação relevante o suficiente para incluir “faça conexões pessoais, não profissionais” em sua lista de 13 regras para usuários.
Consultores de carreira estão até recomendando essa estratégia a seus clientes. Alguns argumentam que os apps de namoro oferecem uma vantagem sobre plataformas tradicionais de networking porque os possíveis contatos estão com a guarda baixa quando estão nesse contexto de paquera.
Os usuários também podem checar os apps de namoro com mais frequência do que acessam plataformas profissionais como o LinkedIn.
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