Primeiro resort do ES investe no público infantil; confira a entrevista
Complexo mantém 12 recreadores por dia, amplia áreas de lazer, troca 35 acomodações e busca aumentar nos dias úteis a ocupação
Primeiro resort do Espírito Santo, o China Park vai ampliar a estrutura voltada ao público infantil. O empreendimento passou de 120 unidades de hospedagem, em 2016, para as atuais 250, e Valdeir Nunes, o China, fundador do complexo, afirma que os espaços destinados às crianças ficaram pequenos diante do crescimento.
A operação mantém cerca de 12 recreadores por dia e prevê novos espaços, inclusive outro ginásio coberto infantil. A renovação também alcança a hospedagem. Estão em construção 35 novas unidades para substituir outras 35 mais antigas, sem aumento da capacidade.
Paralelamente, o resort quer aumentar a ocupação nos dias úteis, hoje entre 40% e 45%, para 50%. Nos fins de semana, a taxa chega a 100%, e toda a publicidade do empreendimento está direcionada ao meio da semana, segundo o empresário.
Ao Histórias Empresariais, China afirma que a hotelaria exige atualização permanente e que o negócio deve vender experiência, não apenas diária. A mesma visão tem como presidente do Conselho Estadual de Turismo (Contures).
Para ele, o crescimento do turismo do Espírito Santo beneficia também seu próprio empreendimento e depende de atuação coletiva. A estratégia atual prioriza oito mercados no País e, no exterior, pretende avançar, após a Argentina, também sobre Chile, Uruguai e Paraguai.
A Tribuna — O China Park tem a família como principal público. O que está sendo ampliado agora para as crianças?
Valdeir Nunes — A área infantil é muito grande. Temos cerca de 12 recreadores por dia e 230 colaboradores no hotel. A recreação é uma das equipes que mais valorizamos. Temos um brinquedão onde crianças acima de 3 anos ficam com os recreadores enquanto os pais passeiam ou fazem outras atividades. Estamos aprimorando e ampliando esses espaços porque ficaram pequenos.
Tínhamos 120 unidades de hospedagem e hoje temos 250. A estrutura infantil foi dimensionada para aquela capacidade. Temos um ginásio coberto para crianças e vamos precisar fazer outro.
O China Park já é oficialmente classificado como resort. O que foi necessário para receber essa classificação?
Existe a Associação Resorts do Brasil. Hoje somos 83 resorts reconhecidos pela entidade. Não basta pôr o nome resort. Uma equipe visita o hotel e verifica se há estrutura para essa classificação. Resort não é sinônimo de luxo. O que define é a estrutura para o hóspede ficar vários dias sem precisar sair.
O China Park tem 36 equipamentos de lazer, mais de um restaurante e spa. Somos especializados em família. Em muitos fins de semana, hospedamos 800 pessoas, 500 adultos e 300 crianças. Por isso, investimos cada vez mais em estrutura infantil.
Há planos de ampliar a capacidade de hospedagem?
Não. Você não pode fazer hotel pensando só no fim de semana. O hoteleiro que pensa assim está quebrado. Toda nossa publicidade hoje é voltada para o meio da semana. Quanto aos apartamentos, agora é qualificar e melhorar. Estamos construindo 35 novas unidades, mas para desativar outras 35.
O que será feito com as unidades antigas?
Se for prédio, você reforma e deixa novo. Se for chalé, desmancha e dá outra destinação à área. O hotel não pode parar. Uma unidade hoteleira não vive mais de 10 anos sem renovação. Compramos cerca de 500 TVs para as 250 unidades. Cada apartamento tem no mínimo duas. Talvez daqui a três ou quatro anos tenhamos que renovar novamente. A hotelaria vive disso. Não pode parar no tempo.
O que o China Park vende além da hospedagem?
Nós não vendemos diária de hotel. Vendemos bem-estar e experiência. Se você vende apenas uma diária por R$ 100, ela pode parecer cara. Quando vende uma experiência, é diferente.
No China Park, a experiência começa no atendimento. Nossos colaboradores precisam atender de maneira especial. Muitas vezes, o hóspede chega cansado e estressado da viagem. Nesse momento precisamos fazer esforço para recebê-lo bem. Hotelaria é experiência.
O senhor, na qualidade de presidente do Contures, está empenhado em desenvolver o destino Espírito Santo. Além da Argentina, quais mercados o Estado quer conquistar?
O foco principal hoje é o Brasil. Elegemos inicialmente oito mercados: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Brasília e Goiás.
Podemos chegar também a Mato Grosso. Estamos trabalhando esses mercados e participando de muitas feiras. Antes, o Estado chegava, conseguia um espaço pequeno e ficava no cantinho. Hoje está chegando com uma presença maior, na mesma altura dos outros estados.
Primeiro estamos trabalhando o Brasil. Depois, a Argentina. Na sequência, queremos chegar ao Chile. O Chile coloca cerca de 800 mil turistas no Brasil por ano. Depois, quem sabe, Uruguai e Paraguai.
As montanhas capixabas também podem entrar na rota dos turistas argentinos?
Hoje estamos trabalhando principalmente praia, porque o argentino vem ao Brasil muito por esse motivo. Mas descobrimos que há operadoras que também trabalham destinos de montanha, como Gramado. Se trabalham Gramado, por que não nossas montanhas?
Inicialmente, apresentávamos apenas as praias. Depois das conversas com as operadoras, as montanhas também entraram no radar. E podemos chegar até Itaúnas. O mercado está aberto. O Espírito Santo precisa estar na prateleira dos argentinos para que escolham para onde ir e em qual hotel ficar.
Fiz uma entrevista com o Rony Stefano (da Adit Brasil). Ele falou que a Inteligência Artificial pode diminuir a dependência de plataformas e até acabar com serviços como o Booking...
Estou de olho nisso. Vi a entrevista que você fez e já estava atento ao assunto. Depois, enviei para o nosso marketing e disse: “Fica vivo com isso aqui”. É possível que, no futuro, a pessoa faça uma reserva diretamente pela IA, sem intermediários. Hoje, uma operadora fica com cerca de 25%. O Booking, com 18%. Empresas como a CVC giram em torno de 25%.
Elas são importantes para divulgar o negócio, mas você não pode depender delas. No China Park, as operadoras representam no máximo 7% das vendas. Nossa maior venda hoje é direta. Temos uma equipe de 15 vendedores em home office, além do site. A recepção não vende, é voltada ao atendimento.
É preciso ter uma venda própria forte para equilibrar esse peso. O hoteleiro não pode depender apenas de plataformas ou operadoras.
Curiosidades
Hotéis automáticos
China avalia que hotéis comerciais poderão funcionar com equipes cada vez menores, à medida que check-in, liberação de chave e outras tarefas forem automatizadas. Em resorts e hotéis de lazer, contudo, ele diz que o atendimento humano continuará indispensável e não poderá ser totalmente substituído.
Adicional de R$ 300
Para reduzir faltas em meio à dificuldade de contratar, o China Park criou uma gratificação de R$ 300 para funcionários que não registram ausência no mês. China afirma que a medida melhorou bastante a assiduidade da equipe, especialmente em funções mais difíceis de preencher.
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