Saída da Häagen-Dazs do Brasil provoca onda de nostalgia e ironia nas redes sociais
Anúncio da retirada da Häagen-Dazs do Brasil mobiliza relatos nostálgicos, queixas de preço alto e comparações com sorveterias nacionais
A saída da Häagen-Dazs do Brasil provoca manifestações de lamento, nostalgia e ironia nas redes sociais. Depois que a General Mills Brasil, dona da marca, anunciou, na segunda-feira (24) que vai excluí-la do seu portfólio no país, consumidores passaram a relembrar sabores preferidos e lamentar o fim de uma marca que chegou ao mercado brasileiro em 1997.
Mas, enquanto para uns não encontrar mais o pote Häagen-Dazs nas prateleiras é uma tristeza, para outros o sorvete nunca passou de um produto caro demais. A saída também alimentou comparações com outras marcas e sorveterias que passaram a disputar o consumidor disposto a pagar mais por uma sobremesa.
Nesta terça (25), a reportagem encontrou sorvetes Häagen-Dazs no e-commerce por cerca de R$ 21 a mais de R$ 80, dependendo do tamanho, sabor e estabelecimento.
No X, muitos usuários comparam os preços aos dos produtos das brasileiras Bacio di Latte e a Gelato Borelli, duas das maiores redes de gelato artesanal no estilo italiano do Brasil.
Na conta oficial da Häagen-Dazs no Instagram, brasileiros pedem que a marca não deixe o país "pelo amor de Deus".
"Prezados, façam uma revisão da estratégia! Pelo amor de Deus, deixar de oferecerem o sorvete em um país como o Brasil é um absurdo", comentou um usuário na última publicação.
"Lamento imensamente o encerramento da comercialização dos sorvetes premium Häagen-Dazs no Brasil", diz outro, que afirma ter encontrado mais dificuldade para encontrar o produto em Belo Horizonte (MG).
Uma outra cliente chama a atenção dos usuários. "Olhando o perfil da marca aqui no Instagram, o último post tem 6 meses e antes disso 3 anos. A falta de rentabilidade de operação no Brasil claramente por falta de condução (talvez falta de interesse e investimento) do marketing."
Há também uma vertente política em comentários. Parte dos comentários no X atribui a saída da marca ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a uma suposta deterioração do ambiente para empresas no país.
Os posts vão de críticas à política econômica a comentários que tratam a saída da Häagen-Dazs como mais um sinal de que empresas estariam deixando o Brasil. Também há manifestações de consumidores sobre preço, concorrência e a própria qualidade do produto.
A General Mills, por sua vez, não relacionou a decisão ao ambiente econômico brasileiro. A empresa afirmou que a Häagen-Dazs deixará de ser distribuída no país devido a um plano de reformulação de portfólio anunciado em março de 2026.
A Häagen-Dazs, criada nos Estados Unidos em 1960 pelo empresário Reuben Mattus, chegou ao Brasil em 1997 e, nos primeiros anos, também teve lojas próprias. A partir de 2018, deixou de operar unidades físicas e passou a ser distribuída no varejo.
A decisão de tirar a marca do Brasil ocorre cinco meses depois de a General Mills vender sua operação brasileira, que inclui marcas como Yoki e Kitano, para o grupo 3corações por cerca de R$ 800 milhões. O negócio incluiu as unidades de produção da companhia em Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT), mas a Häagen-Dazs ficou fora da transação. Em 2025, as operações brasileiras contribuíram com cerca de US$ 350 milhões (R$ 1,8 bilhão) para as vendas líquidas da General Mills.
A retirada da marca não significa, porém, desaparecimento imediato dos produtos. Estoques remanescentes ainda podem ser encontrados em supermercados, empórios e plataformas de entrega.
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