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Economia

“Preços de veículos nunca subiram tanto”, diz diretor de Sindicato

Entre os motivos está o desequilíbrio entre oferta e demanda por conta da pandemia de covid-19


Os veículos usados e seminovos estão com uma valorização expressiva, segundo um dos diretores do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Espírito Santo (Sincodives) e empresário do ramo, José Lino Sepulcri.

Imagem ilustrativa da imagem “Preços de veículos nunca subiram tanto”, diz diretor de Sindicato
José Lino disse que a valorização dos veículos é algo jamais visto antes |  Foto: Fábio Nunes — 19/05/2020

“Com a falta de carros zero com preços que cabem no bolso do consumidor desde a pandemia, há uma valorização nunca vista antes com os preços no teto da Tabela Fipe”, afirma.

A Tabela Fipe expressa preços médios de veículos anunciados pelos vendedores, no mercado nacional, servindo apenas como um parâmetro para negociações ou avaliações.

De acordo com Sepulcri, após aumento nas vendas em janeiro e fevereiro no Estado, houveram pequenas quedas nos últimos meses, mas em setembro voltará ter crescimento.

“Os preços na tabela Fipe estão se estabilizando e esperamos um novo crescimento na venda de carros usados e seminovos a partir deste mês”, destaca

Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), no País houve valorização de preço anual em cerca de 20% nos últimos dois a três anos.

Em agosto, houve mais de 1,3 milhão de veículos usados negociados no Brasil, com aumento de 10,9% em comparação com julho.

A Fenabrave destaca, em nota que “são dois meses seguidos de alta, nos quais as transações de usados tiveram seus melhores resultados até agora. O setor automotivo vem consolidando o movimento de recuperação”.

A valorização de veículos usados e seminovos está maior desde a pandemia, devido a alta demanda, segundo José Lino Sepulcri.

“O mercado de carros zero ainda está retraido. No pós-pandemia, o mercado de carros novos ainda está em processo de normalização e os preços ainda estão inflados”.

A redução da procura por carros zero quilômetro hoje é justificada pela produção limitada por falta de peças e oferta restrita.

“Ainda estão em falta principalmente nas montadoras componentes importados da China, por conta de fechamentos lá, problemas de logística, falta de containers e guerra na Ucrânia”, diz o diretor do Sincodives.

Carros zero têm queda nas vendas e lojas negociam

Os preços dos veículos zero quilômetro estão altos para o atual poder de compra do consumidor.

Segundo o diretor do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Espírito Santo (Sincodives), José Lino Sepulcri, os carros tiveram uma supervalorização, com preço médio de venda na casa de R$ 130 mil.

“Os veículos novos mais em conta estão a partir de R$ 60 mil. Preço altíssimo para o baixo poder de compra dos clientes”, diz.

De acordo com a Sincodives, as vendas de carros novos não estão ocorrendo como o esperado, e que isso é um termômetro para o abastecimento das concessionárias.

Segundo Sepulcri, o modelo de consumo teve mudança nesse período. “Apesar da valorização, o consumidor que quer ter um carro bom muitas vezes encontra nos usados”, destaca.

Os estoques das montadoras estão praticamente normalizados. Mas se antes faltava carro, hoje faltam compradores.

Com a falta de clientes no varejo das concessionárias, estas começaram a divulgar promoções, algo que não acontecia desde 2019.

São promoções a exemplo de taxa zero, bônus de até R$ 20 mil na avaliação do usado, seguro total do carro grátis por 12 meses, entrada a partir de 30%, até 35 parcelas reduzidas, e emplacamento grátis.

Nos próximos meses as linhas de produção de quase todos os fabricantes deve ter uma reduzida, pelas baixas vendas, além da falta de chips e outros componentes oriundos do mercado asiático que continuam a afetar a indústria automobilística.

“Por conta de alguns fatores, ainda está faltando insumos e componentes que vem da China. tem montadoras até produzindo veículos com modificações nos modelos por conta dessa escassez de alguns componentes, como por exemplo os semicondutores”, destaca Sepulcri.

Saiba Mais

Imagem ilustrativa da imagem “Preços de veículos nunca subiram tanto”, diz diretor de Sindicato
|  Foto: -

FROTA ATUAL POR ANO DE FABRICAÇÃO

2022 = 41.653

2021 = 75.390

2020 = 64.398

2019 = 84.050

2018- 82.012

EVOLUÇÃO DA FROTA 

1992 =15.780

2002 = 270.952

2012 = 1.559.228

2022 = 2.928.978

SEGUROS DE VEÍCULOS

- Menos de 30% dos veículos da frota hoje têm seguros

- 0,6%  foi o aumento registrado em agosto na  Grande Vitória, segundo o IPCA.

- 60,63% de aumento  no valor do seguro voluntário de veículo no acumulado em 12 meses na Grande Vitória.

- 43,63% foi a variação no mesmo período no Brasil

AUMENTO DOS SEGUROS (IPCA) - ACUMULADO DO ANO:

  • Brasil 28,75%

    Regiões metropolitanas Variação

    • 1  Belo Horizonte (MG)   77,84%
    • Rio de Janeiro (RJ)   54,54%
    • 3  Fortaleza (CE)   52,05%
    • 4  Grande Vitória (ES)   51,21%
    • Salvador (BA)  44,52%
    • 6  Curitiba (PR)  36,72%
    • 7  Recife (PE)   35,55%
    • 8  Porto Alegre (RS)  31,13%
    • 9   Belém (PA)  16,25%
    • 10  São Paulo (SP)   7,01%

Alguns motivos para o aumento

Imagem ilustrativa da imagem “Preços de veículos nunca subiram tanto”, diz diretor de Sindicato
Veículos no trânsito: número de sinistros volta ao patamar pré-pandemia |  Foto: Thiago Coutinho — 22/12/2017

1) Maior circulação

- Um dos motivos para o aumento do valor dos seguros está porque a sinistralidade voltou aos níveis anteriores à covid-19. 

- Com veículos voltando a circular de forma mais intensa, o número de acidentes, colisões e outros sinistros também aumentou.

 2) Valor dos veículos

- Os preços dos carros zero e seminovos foram fortemente reajustados por conta de um desequilíbrio entre oferta e demanda por conta da pandemia de covid-19. 

- Como montadoras tiveram dificuldades para conseguir peças e insumos para a fabricação de carros novos, os veículos novos tiveram dificuldade de chegar ao mercado, aumentando também a procura por semi novos.   

- Como os carros ficaram mais caros, o custo da proteção subiu, já que  é proporcional ao valor de avaliação, já que inclui custos de peças e até a compra de um carro novo em eventual sinistro.

3) Falta de peças

Com a pandemia e a guerra na Ucrânia, insumos têm faltado para que fabricantes produzam peças de reposição, o que fez com que esses itens ficassem mais caros, impactando o valor das apólices.

Comparação

- Apesar do aumento, especialistas da área afirmam que o que está havendo é uma compensação de uma queda que vinha sido registrada nos últimos anos. 

- Eles apontam também a necessidade de realizar orçamentos com diferentes seguradoras, observando sempre itens incluídos e que são essenciais na cobertura para a realidade de  cada um, como cobertura ilimitada para guinchos, carro reserva, indenização de danos a terceiros. 

- Avaliar também valores de franquias é importante na hora da decisão de um seguro. Se optar por uma franquia mais alta, é interessante ter uma reserva para casos de imprevistos.

Fonte: Detran, IBGE, especialistas consultados.

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