Preço da gasolina cai nas refinarias, mas fica mais cara para os motoristas
Segundo a ANP, em 3 anos, a gasolina caiu 16% na refinaria, mas subiu 27% nos postos. No Estado, média hoje é de R$ 6,22 por litro
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A diferença entre o preço da gasolina nas refinarias e nas bombas tem chamado a atenção de consumidores atentos ao quanto pesa no bolso o deslocamento por meio de veículos à combustão no Brasil.
Em três anos, a gasolina caiu 16% na refinaria, mas o preço subiu 27% nos postos, apontam dados coletados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
No Espírito Santo, o preço médio do combustível está em R$ 6,22 por litro, segundo o monitor de preços da própria Petrobras. Nas refinarias, o produto sem a adição do etanol anidro — que compõe a gasolina comum — custa R$ 1,78.
Após serem produzidos, os combustíveis são vendidos para os distribuidores, quando são adicionados os tributos do combustível.
É nesse momento que R$ 0,68 de tributos federais e R$ 1,57 de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) são incluídos no cálculo da gasolina vendida no Espírito Santo, destaca a petrolífera estatal.
“A tributação federal sobre a gasolina é formado por CIDE, Pis/Pasep e Cofins. Além deles, é adicionado o imposto estadual, nesse caso o ICMS, que é incorporado ao valor cobrado nas refinarias”, explica.
Nessa etapa, o valor da gasolina sobe para R$ 4,03 o litro.
Os distribuidores, no entanto, precisam adicionar etanol à gasolina, etapa que é uma obrigação legal dos distribuidores de combustíveis. Atualmente, a legislação determina o percentual de 30% de etanol anidro na gasolina comum, e o percentual de 27% na gasolina premium.
“O preço do etanol é negociado livremente entre os distribuidores e as usinas produtoras”, esclarece a Petrobras.
Para o Espírito Santo, segundo o monitor de preços da petrolífera, o peso do etanol anidro no combustível está em R$ 1,05 — chegando, portanto, a R$ 5,08.
Com a mistura feita, os distribuidores vendem a gasolina para os postos de combustíveis. Nessa etapa, os distribuidores e revendedores adicionam os seus próprios custos e sua margem de lucro.
No Espírito Santo, isso represente R$ 1,14 a mais no preço, chegando a R$ 6,22.
A margem das distribuidoras atualmente é de 21% a 25%, segundo a ANP, informou o diretor de Comunicação do Sindicato dos Petroleiros do Estado (Sindipetro-ES), Etory Sperandio.
Para economizar
Transporte público
Para lidar com o alto preço da gasolina, a auxiliar administrativa Gisele Dias, de 43 anos, passou a usar transporte público durante a semana, reduzindo os gastos com combustível, que chegam a cerca de R$ 120 por semana.
Gisele conta que reside na Serra e trabalha em Vitória durante a semana e visita a família, em Aracruz, aos finais de semana.
A auxiliar administrativa diz que os impostos e a diferença de preços impactam diretamente o orçamento familiar.
Postos falam em custos e Petrobras culpa privatizações
Impostos e pagamento de salários são os motivos apresentados pelos postos de combustíveis no Espírito Santo para a diferença entre o preço praticado nas refinarias e nas bombas.
“Em 2022, a CIDE e o Pis/Cofins estavam zerados. Eles retornaram em fevereiro de 2023 e hoje somam R$ 0,89 ao preço final da gasolina. Em 2023, também tivemos o início da monofasia do ICMS. De lá para cá, esse imposto aumentou R$ 0,35. Só aqui já temos R$ 1,24 de impacto direto no preço final”, argumenta o presidente do Sindipostos-ES, Maxwel Nunes Paula.
Para ele, “considerações importantes” precisam ser feitas para que “nem o consumidor e nem a sociedade tirem conclusões precipitadas”, afirma.
Entre elas também está o aumento de salários e inflação. Nunes comenta que esses fatores impactam a operação em diversos níveis da cadeia e refletem no preço final do produto.
“Os postos não compram da Petrobras. Somos o último elo da cadeia de abastecimento de combustíveis e, por isso, reflexo de todos os custos anteriores à sua operação, especialmente do preço de compra junto às distribuidoras”, afirma.
Para a Petrobras, porém, a ineficácia dos reajustes é atribuída à venda da BR Distribuidora — como concorda o diretor do Sindipetro-ES, Etory Sperandio. Em entrevista à TV Brasil, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a estatal foi criada para ser responsável pelos combustíveis “do poço ao posto” e que o processo foi interrompido após a privatização da rede da empresa, em 2019.
“Com o acesso ao consumidor final, a Petrobras conseguia ajudar a formular o preço (nas bombas). Quando a Petrobras sai da ponta, ela chega só até as refinarias (...). A gente abaixa o preço do combustível, mas as distribuidoras em geral alargam suas margens e isso (queda dos preços) não alcança o consumidor final”, diz.
Saiba mais
Diferenças
Desde dezembro de 2022, o preço da gasolina foi reduzido em 16,4% para as distribuidoras, de R$ 3,08 para R$ 2,57. No mesmo período, o valor médio do litro do combustível nos postos aumentou 27,1%, passando de R$ 4,98 para R$ 6,33.
foram feitos 11 reajustes, com oito cortes e três elevações pela Petrobras, de dezembro até hoje. A redução mais recente foi anunciada na primeira semana do mês e diminuiu em R$ 0,14 (-5,17%) o valor do combustível para as distribuidoras.
Mesmo com os reajustes da Petrobras, o preço médio do litro do combustível nos postos aumentou de R$ 4,98 para R$ 6,33 desde a última semana de 2022.
Custo
O valor para encher o tanque de 50 litros com gasolina subiu R$ 67,50 em três anos — considerando a alta de R$ 1,35 registrada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no valor médio do litro do combustível.
O gasto pode ser ainda maior, conforme o posto escolhido para abastecer.
Grande Vitória
Nos últimos sete dias, na Região Metropolitana, o preço médio da gasolina nas distribuidoras ficou em R$ 5,50, enquanto nos postos de combustíveis —portanto, para o consumidor final — ficou em
R$ 6,23. É o que aponta o monitor do preço dos combustíveis da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).
Ou seja, uma diferença média de R$ 0,73 por litro entre as distribuidoras e os postos de combustíveis espalhados pelos sete municípios da Grande Vitória.
Impostos
Desde 2023, aparecem em destaque a elevação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em R$ 0,10 por litro da gasolina e o fim da isenção de PIS/Cofins a partir de fevereiro de 2023, com impacto de R$ 0,47 por litro.
Desde o dia 1° de janeiro deste ano o imposto também subiu R$ 0,10 por litro para o tributo estadual: saindo de R$ 1,47 para R$ 1,57.
De acordo com o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), a medida atende a Lei 192/2022 aprovada pelo Congresso Nacional que determina reajuste fixo em todos os estados.
Especialistas explicam que os efeitos da carga tributária são quase imediatos por serem alíquotas fixas.
Fontes: UOL, Sefaz, Comsefaz
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