Porto Central inicia mil contratações e vai ter mais vagas em usinas e estaleiro
Empresa já tem de 50 a 100 profissionais em atuação e intensifica a seleção de mão de obra. Projetos no complexo abrirão vagas adicionais
O Porto Central iniciou a contratação de mais de mil profissionais para o avanço das obras do empreendimento em Presidente Kennedy, Sul do Espírito Santo. Já há em torno de 50 a 100 profissionais atuando na instalação.
O projeto tem acordo firmado para receber usinas termelétricas e um estaleiro, cuja implantação e operação vão criar ainda mais empregos, disse José Maria Vieira de Novaes, presidente do Conselho de Administração do Porto Central.
Entre as operações previstas para o porto estão a M.A.R.S., que possui memorando de entendimento para a implantação de um estaleiro de grande porte voltado ao descomissionamento de plataformas de petróleo, e a Eneva, que tem projeto de termelétricas para Presidente Kennedy.
Novaes frisou que as obras vão entrar em uma nova fase de consolidação com o avanço de três frentes de trabalho simultâneas e o planejamento estratégico para os próximos anos. Atualmente, o empreendimento foca na infraestrutura de base e no cumprimento rigoroso de condicionantes ambientais.
Contudo, a expectativa é de que o ritmo se acelere a partir do ano que vem, segundo Novaes. Ele destacou que as atividades atuais dividem-se entre a gestão ambiental, a produção de insumos e a preparação do terreno.
“Nós temos uma série de pessoas contratadas hoje para fazer a gestão do controle ambiental. Para atender as condicionantes do licenciamento do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a gente tem de manter uma série de programas socioambientais ativos”, explicou.
Nas frentes operacionais, o destaque é a extração de rochas.
“Também já estamos produzindo pedras que vão compor o quebra-mar do porto. Temos a pedreira operando, motoristas e operadores de máquina contratados para fazer o transporte dessas rochas até o canteiro de obras, numa distância aproximada de 25 km”, detalhou Novaes, apontando também a montagem da infraestrutura necessária para dar mais velocidade aos trabalhos.
Embora o contingente atual seja inicial, a previsão é alcançar a marca de 1.200 empregos diretos, e o pico dessas admissões tem cronograma bem definido. “Essa é a previsão, mas essas contratações vão se intensificar no ano que vem. Aí vai demandar um número maior de pessoas. À medida que a obra avança, a gente vai contratando à medida da necessidade”, pontuou.
Pedido incentivo extra para dar competitividade e garantir projetos
O presidente do Conselho de Administração do Porto Central, José Maria Vieira de Novaes, avalia que seja necessário um incentivo extra e igualar condições para dar competitividade e garantir projetos como o das usinas térmicas.
“Essa é uma preocupação muito grande nossa, de que os empreendimentos que a gente captura e traz para o Sul do Estado, numa fase seguinte, percamos para o Norte.”
O governo do Estado destacou que há incentivos fiscais como o Invest-ES e o Compete-ES, além do Fundesul, no campo do fomento e crédito, dirigido aos municípios do Sul capixaba, com recursos subsidiados operados pelo Bandes, que também oferece linhas próprias e repasses do BNDES em condições competitivas de longo prazo.
“Soma-se o recente Fundo de Descarbonização, com cerca de R$ 1 bilhão para projetos de transição energética, capitalizado pelo Fundo Soberano e por recursos privados — porta de entrada para empreendimentos alinhados à agenda de baixo carbono e ao posicionamento do Porto Central”, disse Rogério Salume, secretário de Estado de Desenvolvimento.
Mas o diferencial competitivo, a exemplo do ParklogES, não está só nos incentivos: está na clusterização em torno do porto, complementou Salume.
Novaes avalia, no caso do Fundesul, por exemplo, que tenha condições de financiamento semelhantes às ofertadas no Norte, e “alternativas, como redução de ICMS, para compensar os municípios que estão fora da zona da Sudene”.
Saiba Mais
Obras do Porto Central
- Em março, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) aprovou um financiamento de R$ 2,18 bilhões para o Porto Central, voltado à infraestrutura portuária.
- Com a área terrestre já preparada e a pedreira em operação para fornecimento de rochas, a próxima etapa do Porto Central contempla o início das intervenções marítimas, incluindo a dragagem do canal de acesso e da área portuária, além da construção do quebra-mar sul, elementos fundamentais para a implantação da infraestrutura portuária.
Empregos e contratações
- A estimativa é de abertura de cerca de 1.200 empregos diretos, principalmente na área de construção pesada. São atividades como movimentação de terra, transporte de rochas e produção de concreto, que exigem mão de obra tanto operacional quanto técnica.
- Já foram feitas contratações nas áreas de controle ambiental, planejamento e operações ligadas à produção e transporte de rochas. São entre 50 e 100 trabalhadores atualmente. Porém, o volume mais expressivo de vagas deve surgir a partir do ano que vem.
Terminal de líquidos
- O Porto Central já tem contrato firmado com seis petrofíferas para atuação no terminal de granéis líquidos, com previsão do início das operações no 1º trimestre de 2028, com as primeiras operações de transbordo de petróleo. São as empresas Petrobras, Equinor, CNOOC e Repsol Sinopec, além de outras duas que não podem ter o nome divulgadas por sigilo contratual.
- A fase 1 foi concebida para viabilizar a operação de exportação de petróleo por meio da atividade de transbordo entre navios (ship-to-ship).
Parklog Sul Capixaba
- Foi lançado no dia 4 de maio por meio da assinatura do decreto que instituiu oficialmente o ecossistema integrado de logística, energia e indústria e designa à Secretaria de Estado de Desenvolvimento a coordenação da iniciativa.
- Entre os principais vetores estão os portos de Ubu e Porto Central, Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, construção da Ferrovia EF-118 e a ampliação da BR-101, além do potencial de geração de energia, especialmente no segmento eólico offshore.
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