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Pesquisa aponta que desemprego afeta mulher jovem e com pouco estudo

| 18/08/2021 14:30 h

O público mais atingido pelo desemprego no Brasil é formado por mulheres, jovens e com baixa escolaridade. Atualmente, a cada três trabalhadores desempregados, dois são mulheres.

Os dados foram divulgados por um levantamento realizado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Economia, que avalia o tempo que o trabalhador está à procura de ocupação para identificar a taxa de desemprego de longo prazo.

De acordo com o levantamento, metade das pessoas que estão desempregadas por muito tempo tem entre 17 e 29 anos.

Carteira de trabalho: contribuição para a Previdência também foi reduzida, afetando cálculo da  aposentadoria
Carteira de trabalho: contribuição para a Previdência também foi reduzida, afetando cálculo da aposentadoria |  Foto: Divulgação

Do total, 80% dos jovens desempregados por mais de dois anos têm baixa qualificação, isto é, no máximo, possuem nível médio.

Para a psicóloga e especialista em carreiras Gisélia Freitas, problemas históricos que levaram a esse quadro – de mulheres serem as mais atingidas pelo desemprego – foram agravados na pandemia.

“Temos uma cultura com o machismo enraizado. A mulher ainda sofre preconceitos por parte do mercado de trabalho. O tempo todo ela tem que mostrar qualificações acima da média quando comparada com o homem. Com a pandemia, esse processo agravou-se.”

Segundo ela, as empresas têm dado preferência por manter e contratar homens por algumas questões como licença-maternidade e por conta da lei 14.151/21 (que garante regime de teletrabalho às trabalhadoras gestantes durante a pandemia de covid-19).

O mestre em economia Ricardo Paixão acredita que uma das soluções seria apostar em políticas públicas para capacitar essas mulheres e, assim, ajudá-las a se inserirem no mercado de trabalho.

“O governo deveria promover uma parceria com o setor privado. Não somente dar o curso de capacitação, mas, sim, incentivar empresas a contratar essas mulheres. É criar vagas, capacitar e fazer a ponte entre a empresa”, observa.

Ainda assim, os desafios irão aparecer e a jornada dupla, mesmo sem filhos, fará parte da rotina das mulheres, como pondera Eduardo Sarlo, professor e advogado empresarial. “Elas vão ter que acumular a jornada de trabalho com estudo de qualificação, pois, somente assim, vão conseguir ter mais renda e se destacar em um mercado altamente competitivo”.


SAIBA MAIS


O levantamento

  • Foi realizado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Economia, e teve como objetivo traçar o perfil dos desempregados no Brasil.
  • A nota técnica “Caracterização da Taxa de Desemprego de Longo Prazo Brasileira” aponta que a parcela da população que ficou sem emprego por dois anos ou mais cresceu de forma constante entre 2014 e 2019.
  • foram utilizados os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) referentes ao primeiro semestre de cada ano, para o período 2012-2020.

O que é Pnad Contínua?

  • a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) tem como finalidade a produção de informações básicas para o estudo do desenvolvimento socioeconômico do País.

Resultados

  • A maioria dos desempregados é formada por mulheres, jovens e com baixa escolaridade.
  • A cada três trabalhadores desempregados, dois são mulheres.
  • Metade das pessoas que estão desempregadas por muito tempo tem entre 17 e 29 anos.
  • Do total, 80% dos jovens desempregados por mais de dois anos têm baixa qualificação. Ou seja, no máximo, possuem nível médio – 38% deles não possuem sequer esse nível de escolaridade.

O que pode ser feito na prática?

  • Cursos profissionalizantes direcionados às mulheres;
  • Projetos para mobilizar empresas com algum tipo de subsídio;
  • Campanhas de conscientização para que as empresas abram vagas especificamente para mulheres;
  • Parcerias entre o setor público e privado para garantir a entrada delas no mercado de trabalho.

O que dizem os especialistas?

  • Para eles, muitas empresas dão preferências aos homens, porque ainda são as mulheres que gerenciam a casa, ou seja, são elas que têm uma jornada dupla entre casa e emprego – o que poderia afetar a produtividade.
  • Os especialistas ainda acreditam que o resultado também está relacionado à cultura machista, visto que, muitas vezes, as mulheres jovens são descartadas porque podem engravidar a qualquer momento.

Fonte: Pesquisa A Tribuna e especialistas consultados.

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