“Passagem aérea barata só com mais empresas”, diz presidente da ANAC
Presidente da Anac disse que judicializações e tributações afastam novas empresas de atuar no Brasil, o que aumenta preços
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A solução para o aumento no preço das passagens aéreas no Brasil, que no ano passado foi quase o dobro da inflação, é trazer mais empresas para o setor e aumentar o número de assentos, disse o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein.
A fala foi dita durante um videocast do jornal Folha de São Paulo. Faierstein reclama que a reforma tributária, aprovada pelo Congresso, é um dos problemas que afastam novas companhias no Brasil porque vai aumentar ainda mais o custo das passagens.
Para ele, uma das grandes barreiras que hoje inibem a entrada de novos concorrentes, no entanto, é o grande número de processos judiciais pedindo reparação por atrasos e cancelamentos.
“Nós precisamos de uma nova companhia no Brasil. Para isso, eu tenho que atacar os outros pontos, como a judicialização. O Brasil concentra mais de 95% de ações judiciais contra companhias aéreas do mundo”, afirma.
Ele acrescentou que também é necessário cobrar o governo e o Congresso para trabalhar a reforma tributária, trabalhar no preço do querosene de aviação, para que seja criado um ambiente favorável para que outras companhias venham atuar no País.
A Anac prepara uma revisão das regras sobre indenizações e, paralelamente, um sistema on-line destinado especificamente a juízes de todo País, que poderão acessar dados operacionais das viagens em tempo real, como atrasos e cancelamentos de voos por motivos meteorológicos.
O objetivo das novas regras, que entram em vigor a partir de março, é dar mais clareza sobre o que é falha das empresas e o que está ligado a fatores externos, como questões climáticas que atrasam ou cancelam voos, segundo Faierstein.
“Onde eu vou, o discurso é o mesmo, o custo de judicialização no Brasil é altíssimo”, disse.
Apesar da demanda elevada e do recorde de 130 milhões de passageiros transportados no ano passado, o mercado doméstico segue concentrado em três empresas –Gol, Latam e Azul– e ainda não há solicitações formais de nova operação, embora Faierstein acredite que ao menos um novo investidor deve formalizar seu pedido para entrar no setor neste ano.
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