Pagamento com a palma da mão vai virar o “novo Pix”
Biometria identifica o cliente em menos de meio segundo e deve chegar este ano a máquinas de cartão e estabelecimentos
O futuro dos pagamentos pode estar na sua mão. Uma tecnologia que permite pagar usando apenas a palma — sem necessidade de senha, cartão ou carteira — já existe no Brasil, pode ser o “novo Pix” e chegar a eventos e restaurantes ainda este ano.
A Positivo Tecnologia é uma das empresas que trabalham para tornar isso realidade. Seu dispositivo, o PalmAI, combina imagens em RGB — sistema de cores aditivas — e infravermelho para identificar características da palma da mão em menos de meio segundo, incluindo padrões vasculares que ficam sob a pele.
A palma, na verdade, funciona como uma forma de identificação do consumidor, que pode estar vinculada a um Pix, cartão ou carteira digital.
Segundo Norberto Maraschin, vice-presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da empresa, do ponto de vista tecnológico, a solução está pronta. “Estamos integrando diferentes aplicações e usos de parceiros. Existem projetos já iniciando em outubro”.
Alguns exemplos do que está sendo feito é: Pix na palma da mão, controle de comandas em estabelecimentos comerciais e vinculação de cartões. Enquanto a Positivo desenvolveu e fabrica o terminal que incorpora a tecnologia, a fintech Treeal atua na integração e na oferta de soluções de pagamento com biometria palmar.
Mas, na prática, quando essa tecnologia chega ao consumidor? João Carlos Santos, CEO da Treeal, prevê que haverá, em até três meses, máquinas de cartão capazes de fazer a leitura da mão.
“A gente já iniciou com uma adquirente o processo de homologação. Também já fizemos uma solução do Pix por biometria junto com o Open Finance. Estamos fechados com uma empresa de alimentação e bebida.”
A ideia é que, em alguns locais, já seja possível pagar com a mão ainda este ano. Mas o CEO estima que o modelo só esteja consolidado em 2028. “Acredito que vai ser o pagamento do futuro e te digo mais: vai impulsionar ainda mais o uso do Pix no Brasil”.
Não são as únicas empresas disputando esse mercado. A Elo em parceria com a Tecban já desenvolveu uma solução com biometria palmar. Além disso, a Biostation e a Softnext estão negociando no mercado fechado, como cartões de alimentação.
Números
- 3 meses - previsão de máquinas com leitura da mão
- 2028 - estimativa de ano da consolidação do modelo
- 0,5 segundo - é a média de identificação
Empresa vai testar sistema no Estado com funcionários
Mas quando a biometria palmar vai chegar ao Espírito Santo? Ainda não há uma data definida, embora empresas do setor já mencionem possíveis projetos no Estado.
Uma delas, a Lecard, empresa capixaba de cartões de benefícios, está testando a tecnologia internamente com funcionários para avaliar como apresentar a solução aos clientes. A informação é de Jefferson Gomes, CEO da Softnext.
A Positivo Tecnologia não descarta a chegada da solução ao Estado “muito em breve”, mas prefere não antecipar uma data ou estabelecimento antes da confirmação do projeto. A Treeal também informou estar “próxima” de um projeto no Estado, mas, neste caso, o foco inicial será controle de acesso, e não pagamento.
Já a Elo, que desenvolveu uma solução em parceria com a TecBan e participação da 4cashpay, informou que não há projeto específico para o Estado, embora ele esteja inserido no contexto regional da iniciativa.
A Mastercard afirmou que a tecnologia chegará ao Espírito Santo à medida que for sendo implementada por emissores, credenciadores e comércio.
Saiba mais
O que é?
A tecnologia usa a biometria da palma da mão como forma de identificação. Sensores captam características da palma e padrões vasculares sob a pele. No caso da Treeal, a tecnologia considera cerca de 400 pontos de identificação, que são transformados em um hash, um código matemático. A partir da leitura da palma, o sistema gera e autentica esse código em milissegundos. Confirmada a identidade, o pagamento é liberado.
Tem quem use no mundo?
Sim. A tecnologia da Tencent já possui aplicações comerciais na China, com mais de 50 milhões de transações por mês. A Amazon também colocou a biometria palmar em algumas de suas lojas físicas, mas descontinuou.
A palma da mão realmente pode substituir o cartão ou o celular?
Pode, nas soluções desenvolvidas pelas empresas. A proposta é que, depois do cadastro, o usuário consiga pagar apenas aproximando a mão do terminal, sem apresentar cartão, celular ou digitar senha.
Como o dinheiro é pago se eu não estou usando cartão ou celular?
A palma não movimenta o dinheiro sozinha: ela identifica e autentica o usuário. Na Treeal, a palma precisa estar previamente vinculada a um método de pagamento, que pode ser uma conta para Pix ou um cartão. Depois da identificação, o sistema autoriza a transação associada àquele meio de pagamento.
A pessoa precisa cadastrar a mão antes?
Sim. O usuário precisa fazer o cadastro inicial da biometria. Depois disso, a identificação pode ser feita pela aproximação da palma ao equipamento, sem precisar tocar. A proposta é que o cadastro seja feito apenas uma vez e o consumidor vá habilitando o uso em outros locais ou meios de pagamento.
É mais seguro do que pagar com cartão ou celular?
As empresas apontam a biometria palmar como mais segura que outras biometrias por vários motivos, inclusive, números menores de falsos positivos. Além disso, o sensor consegue verificar se a leitura corresponde a uma pessoa real e detectar tentativas de fraude com imagens ou vídeos. Outra possibilidade seria detectar se a pessoa está passando por alguma forma de estresse e tomar uma ação, como limitar o valor que pode ser sacado, o que poderia ajudar a evitar golpes.
Uma foto da minha mão fica armazenada?
Não necessariamente. Segundo a Positivo, sua solução transforma as características biométricas captadas da palma em um hash criptografado e irreversível, em vez de armazenar a imagem original. A Treeal também descreve o cadastro como um template biométrico palmar, uma representação matemática.
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