Novo tarifaço: Empresas do ES podem receber ajuda do governo federal
Governo estuda linhas de crédito e programa de R$ 130 milhões para ampliar as exportações de 480 produtos do ES afetados pela sobretaxa
Cinco grandes setores da economia exportadora do Espírito Santo podem ser beneficiadas por duas medidas em estudo pelo governo federal para aliviar os impactos da nova tarifa, de 25%, imposta pelos Estados Unidos a indústrias do Brasil.
A taxação atinge segmentos como rochas naturais e minerais, alimentos, agronegócio e bebidas, o mercado de cosméticos e higiene pessoal, o setor de máquinas, equipamentos elétricos e tecnologia, e a cadeia de vestuário, calçados e bens de consumo diversos.
Com o objetivo de aliviar a pressão para os segmentos impactados, o governo federal avalia implantar em breve dois programas de socorro focados nos produtos que serão taxados.
Um deles é o “Brasil Soberano”, com linhas de crédito com juros subsidiados, semelhante ao plano lançado em agosto passado — mas, nessa nova edição, sem diferimento de impostos e facilitação de compras públicas.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, é esperado um volume mais modesto desta vez, já que há mais exceções incluídas.
A outra medida, elaborada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), autarquia ligada ao governo federal, deve instituir tarifas reduzidas às indústrias afetadas para que possam exportar à União Europeia, sob o acordo Mercosul-União Europeia assinado em janeiro.
A medida contará com investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.
Ao todo, 480 produtos de empresas capixabas devem ser afetados pela nova tarifa, que se soma aos 10% em vigor até o final do mês. É o que aponta a Federação das Indústrias do Estado (Findes).
A nova tarifa está prevista para entrar em vigor em 22 de julho.
O setor de rochas naturais e minerais será o mais atingido. Ele concentra a maioria dos valores exportados em 2025 — aproximadamente US$ 207 milhões, cerca de R$ 1 bilhão.
Alguns tipos de madeiras, nozes, peixes e ovos também incluem a lista de produtos submetidos à sobretaxa que serão mais afetados.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraonao Espírito Santo está entre os estados brasileiros mais expostos ao novo ciclo tarifário.
“A sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas brasileiras e norte-americana”, diz.
Saiba mais
Quem pode ter a ajuda
Rochas ornamentais e minerais
Rochas trabalhadas: granitos, mármores e obras derivadas já polidas ou prontas para uso.
Rochas brutas e derivados: blocos ou placas brutas de granito, quartzito, dolomita, mármores e pedras preciosas.
Construção: obras de cimento/concreto, areias naturais e sal de mesa.
Alimentos, agronegócio e bebidas
Produtos frescos e agropecuários: ovos de aves com casca, filés e carnes de peixes, castanhas/nozes, raízes de mandioca, batata-doce e plantas vivas.
Doces e panificação: chocolates, confeitaria sem cacau (chocolate branco), pães, biscoitos, massas (macarrão/lasanha) e produtos à base de cereais em flocos.
Molhos, temperos e bebidas: preparações para caldos, sopas, molhos prontos, açúcares sólidos e águas minerais/gaseificadas (com açúcar ou aromatizadas).
Máquinas, Equipamentos Elétricos e Tecnologia
Comunicação e sinalização: transmissores de rádio ou TV, câmeras de vídeo, alarmes e sirenes elétricas.
Maquinário industrial e peças: motores elétricos, geradores, impressoras comerciais, máquinas para moer/esmagar minérios, cabos isolados e peças para circuitos (como interruptores e relés).
Vestuário, calçados e bens de consumo
Moda e calçados: vestuário feminino (saias, vestidos), camisas masculinas, trajes de banho, pijamas e calçados com sola de borracha ou plástico.
Utilidades e artigos diversos: móveis em geral, utensílios domésticos de alumínio, artigos sanitários de plástico, instrumentos musicais, jogos de salão e livros.
Cosméticos e higiene pessoal
Cuidados pessoais e beleza: produtos capilares (shampoos/cremes), perfumes, desodorizantes corporais, maquiagem, protetores solares e sabonetes (líquidos ou em barra).
Higiene de consumo: absorventes, fraldas infantis, cremes dentais e fios dentais.
Fonte: Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), em levantamento organizado com o auxílio da ferramenta de Inteligência Artificial NotebookLM.
Itens taxados superam R$ 1 bi em exportações aos EUA em 1 ano
Os produtos que serão taxados somaram mais de R$ 1,1 trihlão (230,8 milhões de dólares) em exportações em 2025. O valor corresponde a 2,3% de toda a pauta exportadora do Espírito Santo e a 8,1% das vendas do Estado para os Estados Unidos.
Os dados são da plataforma Comex Stat, do governo federal, compilados pelo Obsevatório Findes, da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
Em 2025, foram exportados por empresas no Espírito Santo para os Estados Unidos cerca de 2,8 bilhões de dólares, o que equivale a 27% de todas as exportações.
Já no 1º semestre de 2026, o Estado exportou 1,4 bilhão de dólares (27,5%). No comparativo com o mesmo semestre de 2025, as exportações caíram 17,2% — recuo estimulado pelos ciclos anteriores das tarifas importas, que atingiram o patamar de 50%.
Em 30 de julho do ano passado, por exemplo, Trump impunha uma tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros que, somada à tarifa recíproca de 10%, elevou a tributação total de parte da pauta brasileira para 50%.
Antes, o governo norte-americano elevou de 25% para 50% as tarifas sobre as importações de aço, alumínio e seus derivados, com base na Seção 232.
Tudo começou com a aplicação de uma tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros, no dia 2 de abril de 2025.
Análise: “Clima não é tão desesperador”
“O clima com esse novo tarifaço não é tão desesperador quanto foi no ano passado. Não que não seja grave, mas o próprio tarifaço agora é menos grave do que o do ano passado.
Primeiro, porque a lista de isenções foi significativamente maior do que a do ano passado. Segundo, porque o próprio empresário brasileiro já vem se preparando e entendendo essa incerteza que existem agora no comércio internacional.
O programa Brasil Soberano, uma linha de crédito com juros subsidiados, vai ser interessante porque vai ajudar a manter um capital de giro, ou seja, vai ajudar esses setores e esses empresários mais afetados a fechar o mês, a pagar as contas e, portanto, a não demitir.
Ele é uma mistura de Selic com LCI, o que faz com que o juro fique mais barato do que o do mercado privado. A medida, porém, não está impedindo que o navio afunde, mas está servindo de bote salva-vidas, o que é importante para a gente agora”.
Daniel Carvalho, professor de Relações Internacionais.
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