Novo tarifaço: ES é um dos mais expostos no País, afirma a Findes
Estado exportou em 2025 R$ 14,3 bi aos EUA. Isenções aliviam parte do impacto, mas setores estratégicos continuam expostos
O Espírito Santo é um dos estados mais expostos do País ao novo ciclo tarifário dos Estados Unidos, que elevou em 25% a taxação contra produtos exportados por empresas brasileiras ao país norte-americano.
É o que afirma a Federação das Indústrias do Estado (Findes). Uma tarifa de 10%, implantada no ano passado, ainda está em vigor, até o final de julho.
Os Estados Unidos foram destino de 27% das exportações do Espírito Santo em 2025, o equivalente a R$ 14,3 bilhões (na cotação atual), consolidando-se como um dos principais parceiros comerciais do Estado.
Entre os produtos que podem ter o maior impacto, segundo a Findes, “estão rochas naturais e minério de ferro, que estavam isentos nas últimas taxações impostas”. Em 2025, esses itens somaram mais de US$ 240 milhões em exportações - valor que representa 2,3% da pauta exportadora capixaba e 8,5% das vendas do Estado para os Estados Unidos.
Para a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), os produtos não isentos devem provocar impactos relevantes especialmente para pequenas e médias empresas do segmento.
No entanto, os quartzitos brasileiros, principal produto exportado pelo setor aos Estados Unidos ficaram de fora da taxação.
Para o vice-presidente da associação, Fábio Cruz, a decisão preserva uma parcela importante das exportações brasileiras de rochas naturais, mas mantém desafios relevantes considerando os outros segmentos.
Já o setor do agronegócio no Estado avalia a lista de isenção como positiva. A principal novidade é a inclusão do café solúvel entre os produtos isentos, a maior demanda do setor no Estado.
“A decisão reduz os impactos para o agronegócio capixaba, já que os Estados Unidos são um importante mercado para produtos exportados pelo Espírito Santo, como café solúvel, celulose e pescados”, afirma a federação em nota.
Por outro lado, alguns produtos do agro continuam sujeitos à tarifa de 25%, entre eles açúcar, etanol e celulose solúvel de alta pureza, o que pode reduzir a competitividade no mercado dos EUA.
Segundo a federação, os derivados da celulose são os principais produtos exportados pelo Espírito Santo aos Estados Unidos. Já a cana-de-açúcar tem Linhares como um grande exportador.
Saiba mais
Produtos isentos
Café: em grão, torrado e também o café solúvel sem sabor (instantâneo);
Carne bovina: fresca, refrigerada e congelada;
Peixes e crustáceos: tilápia (fresca, refrigerada ou congelada, exceto filés em alguns casos); atum albacora e patudo; cavala; espadarte; lagosta; lagostins-do-mar;
Suco de laranja e outros sucos de frutas;
Cacau e derivados;
Frutas: como manga, abacaxi, melão e mamão;
Mel orgânico;
Petróleo bruto;
Minério de ferro;
Ferro-gusa e sucata de ferro e aço;
Celulose (pasta de madeira, exceto a de alta pureza para dissolução);
Aeronaves civis, motores, partes e simuladores de voo;
Alumínio, aço e cobre e derivados já sujeitos a outras tarifas (Seção 232);
Veículos de passageiros e comerciais e suas autopeças;
Produtos de madeira e semicondutores;
Fertilizantes, metais preciosos, pedras e minerais diversos;
Medicamentos e insumos farmacêuticos;
Roupas usadas e materiais informativos.
Produtos taxados
Etanol: o combustível é uma das justificativas centrais da medida americana, que alega falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro;
Açúcar;
Calçados;
Tabaco;
Celulose de alta pureza para dissolução, retirada da lista de isenções após pedidos de produtores americanos;
Máquinas, equipamentos e demais manufaturados não incluídos nas exceções.
Fontes: Band, G1
Pescadores do Estado veem problemas com a taxação
Embora o espadarte e a cavala — peixes abundantes no Espírito Santo — tenham entrado na lista de isenção, pescadores estão preocupados e esperam resultado negativo com a nova tarifa.
Isso porque pescados também importantes, como dourado, badejo, garoupa e cioba, ficaram de fora da lista. Para o presidente do Sindicato da Indústria da Pesca (Sindipesca-ES), Mauro Lúcio Peçanha, é esperado “um problema pela frente”, embora não saibam quanto.
A saída, segundo ele, é a Europa.
“Se voltarmos a exportar para a Europa, teríamos uma gama de produtos para lá. Principalmente a cioba, o pargo e os outros vermelhos. São realmente de alto consumo na região”.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários