Novo projeto pode atrair mais navios para Aracruz
Modelo desenvolvido pela Seatrium pode ampliar chances de estaleiro capixaba conquistar contratos no setor de petróleo e gás
Um novo projeto da Seatrium pode atrair mais navios para o estaleiro da empresa que fica em Aracruz, no Norte do Espírito Santo.
Com sede em Singapura, a empresa apresentou seu primeiro projeto próprio de unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO) – a FLEXHull 1500K-M – voltada especificamente para o mercado brasileiro de petróleo e gás em águas profundas.
O projeto recebeu a aprovação do American Bureau of Shipping (ABS), marcando um marco importante para a empresa, que busca assumir maior controle sobre a engenharia e a entrega de FPSOs.
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Esse novo projeto da Seatrium vai consolidar a competência do estaleiro capixaba nos próximos anos, segundo o consultor empresarial e CEO da DVF Consultoria, Durval Vieira de Freitas.
Abre portas para novos negócios em um mercado – de petróleo e gás – que tende a seguir em crescimento, por pelo menos mais uma década, destacou Freitas.
“Com esse projeto, a Seatrium cria uma padronização, se tornando cada vez mais referência nesse mercado, que tem concorrência global, como de Singapura e da China, e mostra que o estaleiro em Aracruz não é ocioso, como se chegou a imaginar no início da antiga Jurong”, afirmou.
O consultor avaliou que a necessidade atualmente é acelerar a qualificação de mão de obra local, para este e outros projetos e investimentos na região – que integra, por exemplo, o ParklogES, cercado por grandes indústrias e empresas – que ainda é um gargalo para vários setores.
Para o presidente da RedePetro ES, Rafaele Cé, esse projeto de modelos replicantes da Seatrium trará um diferencial ainda maior para a empresa, aumentando a probabilidade de novos contratos vencidos e aumento de serviços e novos empregos em terras capixabas.
“O estaleiro Seatrium é um ativo importante para o Espírito Santo. Apesar de os cascos serem normalmente construídos na China e a integração dos módulos ocorrerem em Singapura, o crescente aumento dos percentuais de conteúdo local exigidos pela Petrobras tornam empresas com ativos no Brasil extremamente competitivas, provocando a construção de mais módulos por aqui e, quem sabe, futuras integrações”, disse.
A Seatrium foi procurada pela reportagem para dar mais detalhes, mas informou que não conseguiria responder aos questionamentos em tempo hábil.
Saiba mais
Projeto de plataforma
A Seatrium anunciou o lançamento do FLEXHull 1500K-M, seu primeiro projeto próprio de FPSO, desenvolvido especificamente para o mercado brasileiro de petróleo em águas profundas.
Até então, a empresa utilizava projetos licenciados de terceiros. Com um modelo padronizado, a expectativa da companhia é reduzir custos, acelerar a construção das plataformas e ampliar sua competitividade na disputa por novos contratos, que podem ser trazidos para o estaleiro em Aracruz.
O projeto recebeu a aprovação do American Bureau of Shipping (ABS), marcando um marco importante para a empresa, que busca assumir maior controle sobre a engenharia e a entrega de FPSOs.
Detalhes
A plataforma FLEXHull 1500K-M foi projetada para operar em profundidades de até 2.500 metros e possui capacidade de armazenamento para mais de 1,5 milhão de barris de petróleo. O casco foi construído para acomodar superestruturas com peso de até 80 mil toneladas, suportando taxas de produção de até 120 mil barris de petróleo por dia e 10 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
O projeto adota uma configuração de casco simplificada e modular, eliminando as estruturas complexas de proa e popa comuns em cascos de FPSO anteriores.
Essa abordagem reduz a necessidade de estruturas de aço, melhora a eficiência da construção e agiliza a integração com os módulos de superfície. O layout modular também permite escalabilidade, possibilitando que o mesmo projeto básico seja adaptado para uma variedade de tamanhos de campo e requisitos de produção.
Demanda crescente
A decisão da Seatrium de desenvolver seu próprio casco de FPSO é impulsionada tanto pela demanda do mercado quanto por uma estratégia de longo prazo. O Brasil continua sendo o mercado de FPSO mais ativo do mundo, com a Petrobras liderando diversos projetos em águas profundas na bacia do pré-sal.
A Seatrium está atualmente construindo cinco FPSOs para a estatal brasileira – P-80, P-82, P-83, P-84 e P-85 – após a entrega bem-sucedida da P-78 no início deste ano.
O desenvolvimento de um projeto de casco próprio permite à Seatrium oferecer uma solução FPSO integrada e padronizada, replicável em diversos projetos. A empresa visa reduzir sua dependência de licenciadores externos, melhorar a competitividade de custos e acelerar a execução de projetos por meio de processos de engenharia e fabricação repetíveis.
O FLEXHull também está alinhado com o modelo emergente de construção-operação-transferência (BOT) do Brasil, no qual as empreiteiras financiam e constroem FPSOs antes de transferir a propriedade para a operadora. Ao oferecer uma plataforma de casco ancorado padrão, a Seatrium pode atender melhor a esse segmento em crescimento, mantendo a flexibilidade para implantação global.
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