Novo condomínio terá golfe e marina em Guarapari; veja detalhes
A ABR Brasil estreia no mercado imobiliário com dois empreendimentos e prevê R$ 120 milhões só em lançamento no Norte, o Reserva Aracruz
Um condomínio de alto padrão com campo de golfe, marina, hípica, restaurante e terrenos de em média 1.560 metros quadrados está nos planos dos empresários Josias de Oliveira Dias e Hildo Cecato para Guarapari. O empreendimento terá praticamente 1 milhão de metros quadrados e exclusivos 282 lotes.
A área fica no Contorno de Guarapari, a cerca de seis quilômetros do mar. A proposta é levar ao Estado um projeto inspirado em empreendimentos de alto padrão de São Paulo. A previsão é começar a movimentação no terreno em meados de 2027 e trabalhar para lançar o empreendimento entre 2027 e 2028.
Antes disso, a dupla pretende lançar, até o fim de 2026, o Reserva Aracruz. O condomínio terá 220 lotes numa área total de 250 mil metros quadrados, clube, ciclovia, pista de caminhada e um mall com serviços. O Valor Geral de Vendas (VGV) é de R$ 120 milhões.
Os dois projetos marcam a entrada da ABR Brasil no mercado imobiliário. A empresa nasceu no setor florestal, tem sede na Serra, cerca de 350 trabalhadores e atuação também na Bahia, Piauí, Tocantins e Maranhão.
Josias e Hildo contaram ao Histórias Empresariais como surgiu a companhia e os novos planos.
A Tribuna — O projeto do Reserva Aracruz envolve 220 lotes, com mall e estabelecimentos comerciais. Poderiam apresentar mais dessa proposta?
Josias de Oliveira Dias — Esse projeto nasceu há uns sete anos, quando o Hildo chegou ao escritório e falou que tinha surgido uma área próxima ao Morada Parque. A gente comprou já com o propósito de fazer um loteamento e foi amadurecendo a ideia até decidir fazer o primeiro condomínio fechado da cidade. A área total tem 250 mil metros quadrados.
Já tem um VGV fechado, valor geral de vendas?
Josias — Temos. Para Aracruz, estimamos um VGV de R$ 120 milhões. Será um condomínio de entrada controlada, com reserva florestal em volta, pista de caminhada, ciclovia, áreas de lazer e clube.
Mas vai precisar de muita gente para trabalhar lá?
Josias — Na obra, vai precisar de 80 a 100 pessoas, sem falar nos empregos indiretos. Depois, quando o condomínio for lançado e começarem as construções das casas, a demanda por mão de obra na região cresce ainda mais.
A ideia é fazer só esse projeto? Dar uma escapadinha para o mercado imobiliário e depois voltar para o lugar de origem? Ou não, tem projetos maiores?
Josias — Quase que foi um conjunto. Quando a gente comprou a área de Aracruz, eu comprei uma fazenda em Guarapari. Temos um projeto em Guarapari fabuloso. A gente vem amadurecendo ele a cada dia.
Onde ele fica mesmo?
Hildo Cecato — Guarapari, no Contorno. Estamos a seis quilômetros do mar. São quase 1 milhão de metros quadrados e só 282 lotes, com terrenos de 1.560 metros quadrados, em média. Tem campo de golfe, marina, restaurante, campo de futebol e hípica. É outro padrão. A gente está trazendo um estilo de São Paulo para Guarapari.
E onde vai crescer mais? Aracruz ou Guarapari?
Hildo — Acho que, no momento, Aracruz cresce um pouco mais. São dois tipos de público. Aracruz é mais primeira residência e Guarapari é mais segunda residência. Para mim, são dois municípios que mais vão crescer fora da curva.
Estamos atravessando um quadro em que os juros estão começando a cair, mas ainda são muito altos. O mercado imobiliário é muito dependente de transações de crédito. Esse é o maior desafio ou já se percebe algum desafio maior?
Hildo — Juros altos são um empecilho muito grande para empreender. Mas vamos fazer financiamento próprio no loteamento, dentro da própria empresa, conforme o que o cliente quiser, dois, três, quatro anos, com taxa e estudo. No loteamento é relativamente mais fácil. Quando fala em verticalização, complica mais porque os juros atingem mais o capital.
Vamos falar sobre a história da empresa, que atua com o mercado florestal. Quando começou? Como é que foi isso?
Josias — Foi em 2002. Minha família sempre mexeu com reciclagem. Em Aracruz, começamos com resíduos de eucalipto, casca e madeira. Meu pai foi saindo da reciclagem e começou a mexer com madeira.
Depois peguei serviços maiores, voltei para Aracruz e resolvi montar uma recauchutadora de pneus. Foi nessa época que conheci o Hildo. Depois voltei para a madeira e para a biomassa.
O Hildo entrou também e foi ele quem deu o nome ABR, que significa Aracruz Biomassa Renovável.
A empresa tem atuação em Aracruz, mas é só em Aracruz ou está no Norte do Estado?
Josias — O setor florestal atua hoje também na Bahia, Piauí, Tocantins e Maranhão.
Plantar árvore é bom negócio?
Josias — Hoje, quem tem eucalipto plantado em grande escala está em um momento bom. É uma atividade que exige escala porque são cerca de sete anos até o primeiro corte. O eucalipto nunca teve o valor que tem hoje, porque há demanda muito grande da siderurgia e da celulose.
Investir e empreender é questão de seguir o que se gosta de fazer ou o negócio é procurar uma atividade necessária, pesquisar e oferecer um serviço para alguém que precise, independentemente de gostar?
Hildo — Quando comecei, foi de outro jeito. Fui vender pastel e caldo de cana. Saímos da roça na década de 1970 para trabalhar como empregados e, pouco tempo depois, viramos sócios do negócio.
A vontade de trabalhar e de vencer na vida fez a gente agarrar a oportunidade. Depois vieram supermercado e outros negócios.
O empreendedor não pode deixar de se preocupar em ter um braço gestor?
Josias — Se o empreendedor enxergar que não tem condição de fazer a gestão, tem que buscar quem saiba. Empreender é diferente de fazer gestão. Se não conhece o negócio, tem que buscar quem conhece. Senão, você parte com o negócio amador. Ter alguém que realmente entende faz o negócio nascer mais maduro.
Além do mercado imobiliário, tem algum outro negócio em vista pela ABR?
Hildo — Não. Temos que dar um passo de cada vez. Em Aracruz, temos o loteamento, depois o mall e ainda uma terceira área. E temos Guarapari. A gente lança Aracruz até o fim de 2026 e, entre 2027 e 2028, entrega. Em Guarapari, começamos a mexer no campo em meados de 2027 e, de 2027 para 2028, lançamos. Agora estamos focados nisso.
Perfil
Hildo Cecato
Empresário e sócio da ABR Brasil
- Começou a trabalhar ainda jovem, vendendo pastel e caldo de cana
- Passou pelo comércio e pelo setor de supermercados
- Casado há cerca de 40 anos com Elizabeth
- Pai de duas filhas, Carolina e Bianca
- Já participou de mais de 20 CNPJs ao longo da vida
Perfil
Josias de Oliveira Dias
Capixaba de Vitória
- Empresário da ABR Brasil
- Trajetória ligada à reciclagem, madeira, biomassa e setor florestal
- Casado e pai de quatro filhos
- Começou a trabalhar e empreender ainda muito jovem
- Tem atuação empresarial ligada a Aracruz
- Hobby: cavalos e cavalgadas
- Hoje também investe no mercado imobiliário
Curiosidades
Do picolé à cocada
Josias conta que tinha sete ou oito anos quando vendeu picolés por alguns dias para juntar dinheiro e comprar coco e açúcar. As irmãs faziam cocadas, que ele vendia na estação de trem de Marechal Floriano.
Foi uma das primeiras experiências dele com comércio ainda na infância.
111 km pedalando
Hildo começou a pedalar depois de enfrentar problemas de coluna por volta dos 40 anos.
A bicicleta virou um de seus principais hobbies. Hoje afirma conseguir percorrer 100 quilômetros e contou que recentemente completou uma volta de 111 quilômetros com amigos em cerca de seis horas.
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