Nobel de Economia defende jornada de trabalho menor
Pissarides afirma que a produtividade tende a crescer com menos horas de trabalho e descarta chance de alta generalizada de preços
A redução da jornada de trabalho tende a aumentar a produtividade dos trabalhadores e não deve provocar impactos relevantes sobre a inflação, avalia o economista Christopher Pissarides, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2010.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o pesquisador afirmou que os países caminham para uma carga horária menor à medida que a renda e a produtividade crescem, mas defendeu que essa transição ocorra com flexibilidade para atender às características de cada atividade econômica.
A avaliação ocorre enquanto o Brasil discute o fim da escala 6x1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um.
Para Pissarides, não é possível afirmar de forma genérica que reduzir a jornada seja sempre positivo ou negativo, pois o resultado depende das condições de cada mercado e da forma como a mudança é implementada. Segundo ele, a experiência internacional mostra que a produtividade por hora pode crescer quando as pessoas trabalham menos tempo.
O economista cita a França como exemplo. Apesar da resistência inicial, afirma que a redução da jornada foi absorvida pelo mercado de trabalho com mais facilidade do que se imaginava. “Mais do que possível, é provável que a produtividade aumente se você souber que tem menos horas para trabalhar.”
O Nobel ressalta, porém, que a redução da carga horária não pode ser excessivamente rígida. Setores como restaurantes, hotéis, transporte e turismo, por exemplo, têm necessidades diferentes das atividades de escritório e exigem escalas próprias de funcionamento.
Para ele, a organização do trabalho deve preservar margem para negociações e adaptações conforme a realidade de cada segmento.
Pissarides discorda da tese de que jornadas menores provocariam aceleração da inflação. Para ele, mudanças assim podem gerar apenas ajustes pontuais de preços, enquanto a inflação depende principalmente de fatores macroeconômicos, como política monetária e oscilações internacionais de custos, a exemplo do petróleo.
Segundo o economista, cabe aos bancos centrais administrar esses movimentos por meio da política monetária. Assim, a redução, isoladamente, não seria suficiente para provocar aumento relevante da inflação nem comprometer o crescimento econômico.
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