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Economia

Moedas e notas estão com os dias contados

11/10/2020 14:44:25 min. de leitura

As medidas de isolamento social e a crise financeira por conta da pandemia do novo coronavírus reduziram o uso de dinheiro em espécie no Brasil, e os pagamentos em notas e moedas devem diminuir 19% neste ano. A estimativa é da consultoria Euromonitor, em comparação com os números de 2019.

O número de transações eletrônicas, por outro lado, vem registrando seguidas altas.

Segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), as compras eletrônicas tiveram um aumento de 87,6% somente em agosto na Grande Vitória, em relação ao mesmo mês do ano passado, movimentando um total de R$ 122,2 milhões no mês.

O volume de pedidos pela internet também registrou evolução na região: foram 272 mil em agosto, ascensão de 61,8%, ante o mesmo mês de 2019, segundo o Movimento Compre & Confie.

Em meio à disparada no número de transações eletrônicas, até a última sexta-feira, 25 milhões de pessoas já haviam realizado o cadastro no Pix, sistema de transferências instantâneas do Banco Central que vai começar a operar no mês que vem e será ofertado pelos maiores bancos do País.

A expectativa é de que a ferramenta diminua ainda mais o número de transações em dinheiro, já que será possível fazer pagamentos em tempo real mesmo nos comércios.

Para especialistas, é questão de tempo para que as transações digitais passem a ser a principal forma de pagamento no dia a dia, e o dinheiro em espécie seja cada vez menos utilizado.

“A circulação de dinheiro tende a diminuir gradativamente, e no futuro as transações serão todas eletrônicas. Isso vem em curso desde que a internet começou a entrar nas nossas vidas. Mas o tempo que isso vai levar ainda não é mensurável”, opinou a economista e professora da Fucape Arilda Teixeira.

Segundo ela, um dos fatores determinantes para isso é o grau de desenvolvimento do País.

“Em um país subdesenvolvido, há menos escolaridade e condições piores de moradia. Essas particularidades é que vão ditar o ritmo que um mercado ou outro vai diminuir a utilização do dinheiro físico”, concluiu a economista.

Dificuldade para produção

Desde o início da pandemia no Brasil, no final de março, o Banco Central vem enfrentando dificuldades para fabricar dinheiro em espécie no País.

No início da crise, houve forte demanda por dinheiro físico por parte das famílias e das empresas. Em abril, o crescimento do meio circulante (dinheiro em posse da população e dos bancos) se acelerou para 13,8% em 12 meses, mais do que o dobro da velocidade habitual de expansão, de 6%.

A população passou a guardar o dinheiro físico, para evitar o risco de contágio com idas frequentes aos bancos.

Além disso, os programas do governo para combate à crise, como o auxílio emergencial, a liberação de FGTS e o pagamento do benefício que complementa o salário de trabalhadores com jornada reduzida, também aumentaram a demanda por dinheiro em circulação.

Uma das soluções encontradas pelo governo foi o lançamento da cédula de R$ 200, em agosto, devido às limitações da Casa da Moeda.

Uma das explicações é a limitação do teto de gastos do governo, que também afeta o órgão emissor de dinheiro, que solicitou um aporte de R$ 113,8 milhões.

Após a cédula entrar em circulação, em setembro, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a nova nota de R$ 200 foi criada por falta de papel moeda.

Saiba mais

Dinheiro em circulação

  • Levantamento da consultoria Euromonitor constatou que os pagamentos em notas e moedas devem diminuir 19% no Brasil neste ano, em comparação com 2019.
  • O número de transações eletrônicas e compras pela internet, por outro lado, vem em disparada desde o início da pandemia do novo coronavírus.
  • Segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, as compras eletrônicas tiveram um aumento de 87,6% somente em agosto na Grande Vitória, alcançando um volume de R$ 122,2 milhões.

Pagamentos digitais

  • O banco central apostou na criação do Pix, sistema de pagamentos e transferências instantâneas, que deve acentuar o desuso do dinheiro em espécie.
  • Para especialistas, a tendência é de que o dinheiro em espécie seja cada vez menos utilizado no dia a dia, mas ainda não é possível especificar uma data para que ele desapareça por completo.
  • Fatores como o grau de desenvolvimento de cada sociedade influenciam nessa previsão.
Fonte: Camara E-Net e especialistas.