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Mais de 68 mil recorrem a empréstimo durante a pandemia

| 24/08/2020 09:29 h | Atualizado em 24/08/2020, 10:29

"Em 95% dos domicílios, não houve solicitação de  empréstimo. O auxílio emergencial ajudou as  pessoas a não terem que se endividar”, disse Fernando Caio Galdi
"Em 95% dos domicílios, não houve solicitação de empréstimo. O auxílio emergencial ajudou as pessoas a não terem que se endividar”, disse Fernando Caio Galdi |  Foto: Divulgação

Ter uma reserva financeira de emergência não faz parte da realidade da maioria dos brasileiros. Em julho, em meio à pandemia do novo coronavírus, em cerca de 68 mil domicílios, de um total de 1,369 milhão no Espírito Santo, algum morador teve de recorrer a empréstimo. O que significa 5% do total.

Em 79,4% dos domicílios em que houve solicitação de empréstimo, o pedido foi atendido. A maior fonte foram os bancos e outras instituições financeiras (81,9%). Em 17,9% dos casos, foram amigos ou parentes, de acordo com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19 mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pós-doutor em contabilidade e professor da Fucape, Fernando Caio Galdi considerou que o número é baixo, para um período de pandemia, com elevação do desemprego. “Significa que em 95% dos domicílios não houve solicitação de empréstimo. E o auxílio emergencial teve participação nisso, porque ajudou as pessoas a não terem que se endividar”, explicou.

O professor detalhou que, de cada 10 pessoas que fizeram a solicitação, oito conseguiram. “A maioria das pessoas que procurou teve acesso ao crédito que, em sua maior parte, veio do sistema bancário. Mas teve ainda um número razoável de empréstimos feitos com amigos e parentes. Às vezes, sem juros ou com juros menores do que um banco cobraria”.

Para o economista chefe da Lotus, Luiz Sant'Anna, existe um efeito de defasagem. “A pesquisa mostra que o Estado está sofrendo um pouco menos que a média nacional. Julho foi o pior mês de todos porque carrega os efeitos de meses anteriores no resultado. A partir de agosto, as expectativas estão sendo alinhadas e setembro e outubro teremos uma recuperação”, opinou.

O economista e sócio-fundador da Golden Investimentos, Thomas Gilberti, lembrou que, à medida que as coisas vão voltando ao normal, os consumidores terão de honrar os empréstimos.

“O banco quer que as pessoas paguem. Voltando à normalidade, os clientes devem renegociar essas dívidas, alongando o período para pagamento. A taxa básica de juros está a 2%. Não faz sentido pagar juros altos. É preciso conversar”.

O governo vai estender o pagamento do auxílio emergencial, mas o valor está em discussão. “Tem de se programar para a redução”, destacou o economista.


Saiba mais


Empréstimos

  • Do total de 1,369 milhão de domicílios no Estado, em cerca de 68 mil algum morador solicitou empréstimo. O que significa 5% do total.
  • Em 54 mil (3,9% do total de domicílios), a solicitação foi atendida, e em 14 mil domicílios (1%), o empréstimo não foi concedido.
  • De acordo com especialistas, o número é baixo, considerando que se trata de um período de pandemia, o que elevou o índice de desemprego.

Auxílio emergencial

  • O auxílio emergencial contribuiu para que mais consumidores não recorressem aos empréstimos.
  • Em julho, 607 mil domicílios receberam algum auxílio relacionado à pandemia no Espírito Santo, o que representa 44,4% do total.
  • No mês anterior, essa proporção foi de 42,8% (584 mil domicílios).

Reflexos

  • O auxílio emergencial, que inicialmente previa três parcelas, será estendido, mas o novo valor ainda está em discussão pelo governo.
  • Um estudo apontou que o recurso reduziu a desigualdade social, levando-a para o menor nível histórico no País.

Trabalho

  • conforme dados da Pnad Covid-19, havia 240 mil desocupados no Estado em julho (26 mil a mais do que no mês anterior).
  • A população ocupada teve uma redução de 58 mil pessoas entre junho e julho, quando atingiu 1,704 milhão.
  • A população na força de trabalho teve uma redução de 31 mil pessoas no mesmo período.

Afastamentos

  • No Espírito Santo, em julho, do total de 1,704 milhão de ocupados, 185 mil estavam afastados do trabalho, 95 mil a menos do que no mês anterior.
  • Um total de 129 mil estavam afastados devido ao distanciamento social (77 mil a menos do que em maio), representado 7,6% de afastados na população ocupada. No mês anterior, esse valor era de 11,7%.

Remuneração

  • Foi verificado que, entre os 185 mil ocupados que estavam afastados do trabalho no Espírito Santo, aproximadamente 59 mil pessoas estavam sem a remuneração do trabalho (69 mil a menos do que no mês anterior). Esse total representava 32% do total de afastados do trabalho ou 3,5% do total de ocupados.

Home office

  • Do total de ocupados, 1,519 milhão (89,1%) não estava afastado do trabalho. Entre os não afastados, 111 mil pessoas (7,3%) estavam trabalhando de forma remota – 26 mil a menos do que em junho.

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