Mais de 200 projetos de energia solar deixam de ser aprovados todo mês no ES
Mais da metade dos novos projetos de energia solar é reprovada no ES por inversão de fluxo, travando a expansão da geração distribuída
Mais de 200 projetos de instalação de energia solar deixam de ser aprovados por mês no Estado por conta da inversão de fluxo, disse Luciano Juliatti Eggert, presidente da Frente Capixaba de Geração Distribuída.
A inversão de fluxo ocorre quando a energia gerada por um sistema de energia solar – ou outra fonte renovável – é maior que o consumo local, enviando o excedente de volta à rede de distribuição.
Segundo Eggert, as concessionárias são responsáveis pela aprovação ou não de projetos, e a inversão de fluxo tem sido determinante para a recusa de propostas.
“Em agosto de 2025, a concessionária começou a reprovar projetos por inversão de fluxo, dizendo haver mais geração que consumo. Diversos projetos foram reprovados, desde comércios, como uma padaria, que consome de R$ 2 mil a R$ 3 mil e não pode instalar o sistema”, explicou.
Hoje, mais da metade dos projetos são reprovados por esse motivo, disse o representante da instituição associada ao Movimento Solar Livre. “Por mês, estimo que mais de 200 projetos sejam reprovados no Estado, sem exagero — sendo este um número conservador”.
A leitura dele é de que, se a análise fosse feita na chave da subestação, reduziria drasticamente ou quase eliminaria o problema de inversão de fluxo. O especialista em energia e diretor de Energia e Sustentabilidade do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC), Carlos Sena, disse que as empresas de geração distribuída podem buscar soluções junto à Aneel e associações do setor.
“Em outros estados, como em Minas Gerais, o nível de penetração é gigante e realmente não há mais espaço nos alimentadores. No Espírito Santo pode haver alimentador pontual sobrecarregado, mas não é a regra geral”.
A EDP informou que analisa cada projeto individualmente, considerando geração, consumo e condições técnicas da rede. Sobre a inversão de fluxo, disse seguir os procedimentos da Aneel e, quando há restrição técnica, estudar alternativas para viabilizar as instalações.
A empresa esclareceu que trabalha para ampliar a capacidade e modernizar sua rede, acompanhando a expansão da geração distribuída no Estado e garantindo que novas conexões ocorram com segurança, qualidade e confiabilidade para consumidores.
Entenda
O que é inversão de fluxo?
A inversão de fluxo de energia ocorre quando a eletricidade gerada por sistemas de consumidores, como painéis solares, é maior que o consumo local e passa a ser enviada para a rede da concessionária.
As concessionárias aplicam essa regra técnica que pode reprovar ou travar novos projetos de geração distribuída quando a rede local não suporta receber tanta energia.
Projetos não aprovados
No ano passado, por volta de agosto, os prjetos de instalação começaram a ser reprovados por inversão de fluxo (fluxo reverso).
As concessionárias dizem haver mais geração do que consumo.
Mais de 200 projetos têm sido reprovados por mês no Espírito Santo.
Diversos projetos foram reprovados, desde comércios — como uma padaria que consome R$ 2 mil a R$ 3 mil e não pode instalar o sistema porque o vizinho ou concorrente já colocou — até residências.
Busca por soluções
Para lidar com esse cenário, é importante que as empresas integradoras atuem de forma estratégica, principalmente na escolha dos equipamentos e no dimensionamento do sistema.
Uma das formas mais eficazes de contornar as restrições de injeção impostas pelas concessionárias é optar por inversores que oferecem controle de potência exportada (EPM). Esses equipamentos permitem ajustar a quantidade de energia injetada na rede, o que pode ser essencial em regiões com alta concentração de sistemas fotovoltaicos.
Além dos equipamentos, o projeto deve ser pensado considerando o histórico de restrições da região. Ajustes como limitar a potência instalada ou adotar inversores com múltiplos MPPTs (Maximum Power Point Tracking, ou rastreador de ponto de máxima potência) podem contribuir para uma operação mais eficiente e segura.
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