Investimento bilionário em ferrovia vai atrair empresas para o ES
A VLI prevê retomada de trecho no Espírito Santo e fluxo de cargas deve crescer, o que vai criar mais empregos
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Mais empresas vão ser atraídas e novos empregos serão criados com as obras na Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) após a renovação de contrato por mais 30 anos, com investimentos previstos no trecho entre Minas Gerais e o Espírito Santo.
A VLI, que administra a centenária ferrovia (antiga Estrada de Ferro Leopoldina), vai investir cerca de R$ 10 bilhões no Corredor Leste, que liga Minas Gerais ao Espírito Santo, em conexão entre a Ferrovia Centro-Atlântica e a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).
O trecho de 257 km da FCA que corta 11 municípios do Estado e está desativado desde 2017, será devolvido a União, e deve ser destinado para investimentos turísticos, atraindo empresas, segundo o subsecretário de Estado de Integração e Desenvolvimento Regional, Celso Guerra.
Os cerca de R$ 10 bilhões contemplam, por exemplo, aquisição de vagões e locomotivas, manutenção e melhorias da malha e obras de resolução de conflitos urbanos. Entre as demandas do Estado para a ferrovia está o contorno ferroviário de Belo Horizonte, que ficará sob gatilho de demanda, dependendo de estudos.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Paulo Baraona, destacou que outra obra que será estudada – o trecho entre Luziânia (GO) e Pirapora (MG) – conectará o Espírito Santo ao Cerrado com maior competitividade.
A VLI estima alta de 63% no volume de cargas movimentadas no Estado através de fluxos de importação e exportação transportando cargas como grãos, fertilizantes e celulose, além de insumos e produtos acabados da indústria siderúrgica, com a renovação do contrato.
Este aumento vai proporcionar a atração de mais empresas que trabalham com essas cargas para o Estado para ter estruturas próximas dos portos, desta forma criando oportunidades de empregos diretos e indiretos, destacou o consultor empresarial Durval Freitas.
“Vai ampliar o interesse de mais produtores de grãos, principalmente soja e fertilizantes, para escoamento da produção pelo Estado, com construção de silos e depósitos, além de oportunidades para empresas de transporte na região, criando muitos empregos”, disse.
Potencial turístico com devolução
O trecho da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) no Estado que será devolvido para a União tem grande potencial turístico. Os 11 municípios cortados pelos 257 km de ferrovias tem planos como o “Trem das Montanhas” e uma ciclovia turística.
É possível construir uma cadeia produtiva para o desenvolvimento do turismo: hospedagem, gastronomia, artesanato, agroturismo, turismo cultural entre outros, segundo o subsecretário de Estado de Integração e Desenvolvimento Regional, Celso Guerra.
“São atividades intensivas em mão de obra local, com forte efeito multiplicador nos municípios da região serrana e que se somariam às vocações naturais da região, particularmente o agroturismo e o turismo de inverno”, explicou.
O percurso do “Trem das Montanhas” operado até 2013, com seus cerca de 50 km entre Viana e Marechal Floriano, atravessando trechos de Mata Atlântica, túneis e viadutos históricos já demonstrou um tipo de experiência sem par no estado, demonstrando seu potencial de diferenciação turística, destacou o subsecretário.
O projeto de retomada vem sendo articulado de forma protagonista por Viana, Domingos Martins, Marechal Floriano e Alfredo Chaves, com apoio institucional do governo do Estado, explicou Guerra.
Segundo o deputado federal Gilson Daniel, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) marcou uma reunião para terça sobre a devolução de trecho da FCA e repasse para os municípios.
Logística e turismo
Devolução do trecho desativado
Os trechos da ferrovia abandonados entre Itaboraí (RJ) e Vitória serão devolvidos a União, com pagamento de indenização.
No total dos 3.100 quilômetros, a indenização é estimada em R$ 4,2 bilhões, que podem ser destinadas para viabilizar projetos que beneficiarão as comunidades ao longo do traçado.
No trecho do Estado, alguns projetos são previstos, como a volta do “Trem das Montanhas” em um trecho e a construção de construção de uma grande ciclovia turística, em outra parte. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) marcou uma reunião sobre o assunto para a próxima terça-feira.
Uma vez que a devolução se formalize, a União poderá ofertar esses trechos a outros operadores, por chamamento público ou por novas concessões. A possibilidade de reaproveitamento para transporte de cargas e principalmente turismo, existe do ponto de vista regulatório.
Um estudo preliminar do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com a estatal Infra S.A, vinculada ao Ministério dos Transportes, apontou que um dos corredores considerados promissores nesta região é o trecho entre Itaboraí e Vitória, mas o ministério não deu mais detalhes.
Investimentos
A proposta de prorrogação por mais 30 anos prevê investimentos de cerca de R$ 30 bilhões e a criação de 10 mil empregos ao longo do período da concessão em todo o País.
Especificamente no Corredor Leste, que liga Minas Gerais ao Estado, estão previstos cerca de R$ 10 bilhões em investimentos. O aporte contempla aquisição de vagões e locomotivas, manutenção e melhorias da malha e obras de resolução de conflitos urbanos.
A proposta de renovação da FCA também prevê a realização do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para o contorno ferroviário de Belo Horizonte, que é avaliado como fundamental para o Espírito Santo.
Outro investimento importante é a requalificação do Ramal Piraquê-Açu, que conecta a linha tronco da EFVM ao complexo portuário na região de Aracruz, no Norte do Estado, onde se concentra o Parklog ES, com investimento estimado em cerca de R$ 500 milhões. O trecho é da Vale e utilizado também pela VLI.
Ferrovia Centro-Atlântica
A FCA é administrada pela VLI Logística, empresa que é uma das gigantes. A via férrea é a maior em extensão do Brasil, com 7.200 quilômetros ao longo de sete estados e o Distrito Federal, sendo 257 km no Estado, em 11 municípios.
O trecho no Estado passa por Vila Velha, Cariacica, Viana, Domingos Martins, Marechal Floriano, Alfredo Chaves, Vargem Alta, Cachoeiro, Atílio Vivácqua, Muqui e Mimoso do Sul.
A FCA passa também por Minas, Bahia, Goiás, Rio, São Paulo e Sergipe. É responsável por cerca de 65,3% das 61,2 milhões de toneladas de cargas transportadas pela VLI em todas suas ferrovias.
Desde 2017, o trecho da FCA no Estado está desativado. A VLI movimenta cargas no ES pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), e a conexão da FCA com a EFVM acontece na região metropolitana de Belo Horizonte.
Através desta conexão com a EFVM, forma um corredor de escoamento de grãos e açúcar do Centro-Oeste do País e de Minas para os portos capixabas
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