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Inflação é a maior para janeiro desde 2016 e vai a 10,38% em 12 meses

Trata-se do maior resultado no mês para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em seis anos

Agência Folhapress | 09/02/2022 20:30 h

Pressionado por alimentos, o índice oficial de inflação no Brasil começou 2022 com alta de 0,54% em janeiro, informou nesta quarta-feira (9) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Trata-se do maior resultado no mês para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em seis anos. Ou seja, desde janeiro de 2016 (1,27%), quando a economia do país atravessava período de recessão.

A variação de 0,54% veio em linha com as expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam taxa de 0,55%.

O resultado até sinaliza uma desaceleração frente a dezembro de 2021, quando o avanço havia sido de 0,73%, mas o IPCA segue em dois dígitos no acumulado de 12 meses.

A alta acumulada até janeiro chegou a 10,38%, a maior desde novembro de 2021 (10,74%). No recorte dos 12 meses até janeiro, a taxa é a mais elevada desde 2016 (10,71%).

O IPCA está distante da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). O centro da medida de referência neste ano é de 3,50%. O teto é de 5%.

De acordo com analistas, o índice deve estourar a meta em 2022. Se a estimativa for confirmada, será o segundo ano consecutivo de descumprimento. Em 2021, o avanço do IPCA até dezembro foi de 10,06%.

Para tentar conter a inflação, o BC vem subindo a taxa básica de juros, que alcançou 10,75% na semana passada. O efeito colateral da Selic mais alta é inibir investimentos produtivos na economia, já que as linhas de crédito ficam mais caras no país. A redução de investimentos, por sua vez, ameaça a geração de empregos e a retomada econômica.

ALIMENTAÇÃO PUXA ALTA EM JANEIRO

Conforme o IBGE, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta de preços em janeiro. O avanço mensal do IPCA foi influenciado, principalmente, por alimentação e bebidas (1,11%). O grupo teve o maior impacto no índice do mês (0,23 ponto percentual).

Segundo André Filipe Almeida, analista da pesquisa do IBGE, a alta dos alimentos pode ser associada em parte a eventos climáticos adversos.

No início do ano, estados como Minas Gerais e Bahia sentiram os reflexos de fortes chuvas, enquanto a região Sul amarga período de estiagem.

"Produtos in natura têm o clima como um dos principais fatores para determinação da quantidade produzida e ofertada", disse Almeida. "Esses fatores climáticos acabam influenciando a quantidade e até a qualidade dos produtos", emendou.

Em alimentação e bebidas, os principais destaques foram carnes (1,32%) e frutas (3,40%). Embora tenham desacelerado em relação ao mês anterior, os itens responderam pelos maiores impactos no grupo.

Já os preços do café moído (4,75%) subiram pelo 11º mês consecutivo. Outros destaques foram cenoura (27,64%), cebola (12,43%), batata-inglesa (9,65%) e tomate (6,21%).

No sentido contrário, os principais recuos em alimentação e bebidas vieram de arroz (-2,66%), frango inteiro (-0,85%) e frango em pedaços (-0,71%).

O IBGE ainda apontou que a desaceleração do IPCA de dezembro para janeiro (de 0,73% para 0,54%) foi impactada pelo grupo dos transportes.

O segmento recuou 0,11%, após subir 0,58%. Esse foi o único dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados que teve queda em janeiro.

Segundo o instituto, o recuo reflete a baixa nos preços das passagens aéreas (-18,35%) e dos combustíveis (-1,23%). Além da gasolina (-1,14%), também houve queda em etanol (-2,84%) e gás veicular (-0,86%).

"A queda nas passagens aéreas pode ser explicada pelo componente sazonal", ponderou Almeida. "Em relação aos combustíveis, os reajustes negativos aplicados nas refinarias pela Petrobras, em dezembro, ajudam a entender o recuo nos preços em janeiro", acrescentou.

Na visão do economista André Braz, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), os dados do mês passado mostram um "espalhamento das pressões inflacionárias".

Em janeiro, o índice de difusão calculado pelo IBGE foi de 73%. Foi a segunda vez consecutiva acima de 70%. Em dezembro, o indicador estava em 75%.

O índice mede o percentual de produtos e serviços que apresentaram alta de preços, em uma amostra com 377 subitens do IPCA. Quanto maior ele for, mais difusa é a inflação.

"Em fevereiro, a gente não vai ter a contribuição negativa da gasolina. Já vai aparecer um sinal positivo, porque, antes do final da primeira quinzena de janeiro, foi anunciado aumento nas refinarias. Vamos ter ainda os reajustes das escolas", diz Braz.

"A gente deve ter uma inflação bem parecida com essa que a gente viveu no mês passado. Isso quer dizer que a inflação deve oferecer pouca trégua", acrescenta.

Entre as 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, Curitiba (PR) tem a maior variação acumulada em 12 meses. A alta até janeiro foi de 12,77%. Em seguida, aparecem Rio Branco (AC), com 11,90%, e Vitória (ES), com 11,65%.

Belém (PA) está na outra ponta da lista, com IPCA acumulado de 8,84%. É o menor entre as metrópoles. São Paulo registra inflação de 10,02%.

PRESSÕES EM SÉRIE

Ao longo da crise, houve aumento dos preços administrados, como combustíveis e energia elétrica, carestia de alimentos e persistente ruptura da cadeia global de insumos industriais.

No Brasil, o dólar mais alto foi um componente adicional, já que intensificou a pressão inflacionária. O câmbio, que impacta itens como combustíveis, subiu em meio à turbulência política protagonizada pelo governo Jair Bolsonaro (PL).

O avanço generalizado dos preços castiga sobretudo os mais pobres, que têm menos condições financeiras para enfrentar a carestia. Em meio a esse contexto, o Brasil passou a registrar uma sucessão de cenas de grupos em busca de doações e até de restos de comida para alimentação.

O mercado financeiro projeta inflação de 5,44% no acumulado até dezembro de 2022, aponta a edição mais recente do boletim Focus, divulgado pelo BC.

A estimativa vem sendo revisada para cima nas últimas semanas diante dos riscos que permanecem no cenário. Parte dos analistas já prevê IPCA maior, acima de 6%.

"As projeções têm sido revisadas para cima. Diria, hoje, que a inflação deve ficar entre 6% e 6,5%", aponta o economista Fábio Astrauskas, sócio-diretor da Siegen Consultoria.

"O maior desafio é desarmar a memória inflacionária. Vários países estão lidando com isso no momento", completa.

Entre as ameaças no combate ao aumento de preços estão as incertezas da corrida eleitoral, que costumam impactar a taxa de câmbio, e a pressão do petróleo, que gera efeitos sobre os combustíveis no Brasil.

Há, ainda, o temor com os eventuais reflexos do clima adverso. A seca na região Sul, por exemplo, pode gerar novos avanços nos preços dos alimentos.

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