IA torna mais difícil a primeira vaga de trabalho
Relatório da OCDE aponta que empresas passaram a exigir novas habilidades, dificultando a entrada para a 1ª oportunidade
A Inteligência Artificial ainda não provocou uma redução generalizada dos empregos, mas já está tornando mais difícil a entrada dos jovens no mercado de trabalho, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A entidade afirma que a tecnologia vem transformando as competências exigidas pelas empresas e alterando o perfil das vagas, especialmente as de início de carreira.
A OCDE destaca que a taxa média de desemprego entre seus 38 países segue em 4,9%, próxima do menor nível histórico, de 4,8%, de junho de 2023. A previsão é que o emprego siga crescendo: 0,3% neste ano e 0,6% em 2027.
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Apesar disso, o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, afirma que os recentes avanços da IA generativa ajudam a explicar por que a inserção dos jovens no mercado se tornou mais difícil.
Segundo ele, a IA está transformando o trabalho, e não eliminando empregos em larga escala.
O relatório aponta que as empresas passaram a buscar novas habilidades profissionais, o que afeta principalmente quem tenta conquistar a primeira oportunidade. A tecnologia também modifica a demanda por determinadas funções, exigindo adaptação dos trabalhadores.
Outro ponto destacado pela organização é a resiliência do mercado de trabalho diante da guerra no Oriente Médio. Mesmo com a alta dos preços da energia provocada pelo conflito, a criação de empregos permaneceu sólida. As vagas abertas diminuíram em relação ao pico após a pandemia, mas se estabilizaram desde a escalada das tensões na região.
A OCDE também chama atenção para a remuneração. Embora o mercado de trabalho siga aquecido, muitos trabalhadores ainda não percebem plenamente os benefícios. Em quase um terço dos países da organização, os salários reais continuam abaixo dos registrados há cinco anos, indicando que a recuperação do poder de compra não alcançou a todos.
Para a entidade, o principal desafio agora é preparar, sobretudo os mais jovens, para um mercado em rápida transformação, no qual a IA tende a assumir tarefas repetitivas enquanto aumenta a demanda por competências técnicas, digitais e analíticas.
A avaliação é que a tecnologia continuará remodelando o trabalho, exigindo qualificação constante, mas sem indicar, por enquanto, uma substituição em massa da força de trabalho.
Pedida regra para preservar vagas
Mais de 200 economistas, pesquisadores e especialistas em inteligência artificial, entre eles 16 vencedores do Prêmio Nobel, divulgaram uma carta aberta pedindo que governos, empresas e universidades aprofundem os estudos sobre os impactos da IA e criem mecanismos para direcionar seu desenvolvimento em benefício da sociedade.
Segundo o grupo, a tecnologia pode se tornar "radicalmente mais poderosa" na próxima década e provocar uma transformação econômica maior do que a Revolução Industrial, mas em um intervalo de tempo muito menor.
Os signatários afirmam que a inteligência artificial tem potencial para elevar significativamente o padrão de vida da população, aumentar a produtividade e acelerar a inovação.
Ao mesmo tempo, alertam para riscos como o deslocamento de empregos em larga escala e defendem a criação de incentivos, salvaguardas e instituições capazes de garantir que a tecnologia complemente, em vez de substituir, o trabalho humano.
A carta foi organizada pelos economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal, Anton Korinek e Tom Cunningham e reúne mais de 200 acadêmicos e especialistas em IA.
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