Geração acima dos 50 anos cresce na economia do País
Faixa etária concentra 20% de toda a renda do trabalho no País, com presença crescente em cargos de liderança, técnicos e operacionais
Longe da ideia de aposentadoria precoce, a geração 50+ segue ativa, mais escolarizada, com melhores condições de saúde e ocupando espaço crescente no mercado de trabalho. Hoje, pessoas entre 50 a 79 anos alcançaram uma participação inédita na economia: passaram a responder por um quinto de toda a renda do trabalho do país em 2024.
É o que revela um dos capítulos do livro organizado pela economista Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), intitulado “Brasil velho: bomba fiscal ou vetor de inovação e desenvolvimento?”
Em 2016, essa faixa etária representava 18,4% da renda. O avanço está diretamente ligado ao maior nível de escolaridade dessa geração, que passou a permanecer por mais tempo na vida profissional.
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Na GWM (Great Wall Motor), há oportunidades tanto para jovens em busca do primeiro emprego quanto para profissionais com 50 anos ou mais. “Eu tinha 52 anos quando entrei na empresa e hoje estou com 56. Muitas vezes, quem tem mais experiência acaba ocupando cargos de liderança, dependendo da qualificação”, afirmou o diretor de Assuntos Institucionais da GWM, Ricardo Bastos.
Economista pela Universidade de Brasília, Ricardo Bastos tem mais de 25 anos de experiência na indústria. Atualmente também é presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
O coordenador de Gente & Gestão de Portocel, Júlio César de Oliveira e Silva, conta que na empresa, a presença de profissionais 50+ é uma realidade importante e valorizada.
“Atualmente, contamos com 81 colaboradores acima de 50 anos, o que representa 22% do nosso quadro atual. Esse dado reforça que a experiência, a maturidade profissional e a diversidade geracional fazem parte da nossa cultura e contribuem diretamente para a continuidade, a segurança e a evolução do negócio”.
De acordo com ele, esses profissionais atuam em diferentes frentes da empresa, tanto em áreas administrativas quanto técnicas, operacionais e de apoio à gestão.
“Essa diversidade demonstra que a contribuição da geração 50+ não está limitada a um único tipo de função, mas está presente em áreas estratégicas para a operação portuária e para a gestão corporativa da Portocel”.
“É um caminho sem volta”
“Vejo que esta realidade é um caminho sem volta. O avanço dos profissionais com mais de 50 anos no mercado de trabalho é resultado de uma transformação da sociedade.”
Essa é a percepção de Eliana Machado, CEO da Center RH e mentora de Carreira e Desenvolvimento Humano.
“O trabalho representa propósito, realização pessoal, convivência social e a oportunidade de continuar contribuindo com seu conhecimento. Na maioria dos casos são profissionais que inclusive só conseguiram realizar suas formações acadêmicas após os seus 30 anos”.
Para as empresas, como pontua, essa é uma excelente oportunidade. “Profissionais acima dos 50 anos agregam maturidade, comprometimento, equilíbrio emocional e uma experiência que muitas vezes acelera a tomada de decisões e contribui para o desenvolvimento das equipes. Sabemos que esta geração atual não consegue lidar com algumas questões como hierarquia, estabilidade e carreirismo”.
Quem também fala sobre essa geração é Lorena Furieri, diretora Administrativa da MedSênior.
“Por fazer parte de um negócio voltado para o público 49+, estamos sempre pesquisando e buscando subsídios para entender o comportamento dos nossos clientes e a forma como nossa sociedade vive o processo de envelhecimento. O que vemos são pessoas mais ativas, dispostas, que encaram desafios, seguem no mercado de trabalho e até mudam de carreira depois dos 50 anos”.
Maturidade, disciplina e paixão
De trainee a diretor de operações
Aos 64 anos, Leomárcio Tessarolo carrega uma trajetória que simboliza a força da geração 50+ no mercado de trabalho. Capixaba e formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ingressou no Cimento Nassau como engenheiro trainee há 42 anos e construiu toda a carreira na empresa.
Ao longo desse período, passou de trainee a diretor de operações, liderando fábricas, equipes e projetos voltados à eficiência industrial. Hoje, percorre unidades da companhia pelo País e garante manter a mesma disposição de quando iniciou a carreira.
Para Leomárcio, a geração 50+ prova que maturidade, disciplina e paixão pelo que se faz continuam sendo ativos valiosos no mercado.
Ao comparar sua geração com a atual, faz uma reflexão: os jovens estão mais preparados para lidar com a tecnologia, mas enfrentam o desafio de desenvolver resiliência e experiência prática.
“Está tudo muito fácil na tecnologia. Você faz menos, pensa menos. E, no fim, alguém sempre terá de colocar a mão na massa”.
Trajetória
“Muito aprendizado”
Formada em Letras/Inglês, Margareth Soares Cunha, 61 anos, atua como assistente executiva na Portocel. Sua contratação foi em novembro de 1990.
“Minha trajetória foi, e continua sendo, um processo de muito aprendizado, crescimento e construção. Ao longo dos anos, aprendi a amar a atividade portuária”.
Apesar de já reunir mais de três décadas de atuação na empresa, ela diz que não conta os dias para se aposentar e que gosta muito do que faz.
Análise
“Idade vista como diversidade”
“No Espírito Santo, esse movimento ganha força porque o mercado de trabalho está bastante aquecido. Com a taxa de desemprego em 3,1%, as empresas têm enfrentado mais dificuldade para atrair e reter mão de obra, o que amplia o olhar para diferentes perfis profissionais.
A população com mais de 50 anos entra nesse cenário como força de trabalho importante, reunindo experiência, maturidade, compromisso e capacidade de relacionamento. Na prática, equipes com diferentes gerações tendem a ser mais equilibradas, combinando energia, inovação, repertório e estabilidade.
A idade passa a ser vista como diversidade, o que também exige modelos de gestão que permitam a boa convivência.”
Saiba Mais
Geração “prateada” no mercado de trabalho
Mais qualificada
- A população de 50 a 79 anos é mais escolarizada do que as gerações anteriores, resultado da ampliação do acesso à educação nas últimas décadas.
Mais tempo na ativa
- A melhora das condições de saúde e da expectativa de vida tem permitido que muitos profissionais permaneçam trabalhando mesmo após a aposentadoria.
Mulheres impulsionam o movimento
- A entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho e o desejo de seguir na carreira têm contribuído para o crescimento da participação desse grupo na economia.
Rendimento médio mensal
Por faixa etária
- 18 a 29 anos - R$ 2.579
- 30 a 39 anos - R$ 3.715
- 40 a 49 anos - R$ 4.017
- 50 a 59 anos - R$ 3.917
- 60 anos ou mais - R$ 3.567
Número médio de estudos
- 18 a 24 anos - 11,9 anos
- 25 a 39 anos - 12,1 anos
- 40 a 59 anos - 10,4 anos
- 60 anos ou mais - 7,4 anos
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