GWM estuda produzir baterias no ES e reforçar polo automotivo em Aracruz
Montadora diz que unidade em Aracruz pode exigir mão de obra técnica e não descarta antecipar o início da produção previsto para 2029
A Great Wall Motor (GWM) informou que estuda construir uma fábrica de baterias para carros elétricos no Espírito Santo, além da unidade de produção de veículos prevista para o complexo no Norte do Estado. A proposta amplia o papel do empreendimento como polo tecnológico e pode fortalecer a cadeia automotiva capixaba.
A possibilidade foi revelada nesta terça-feira (30) pelo diretor de Assuntos Institucionais da GWM, Ricardo Bastos, durante a cerimônia de lançamento da fábrica. Segundo ele, o projeto prevê espaço para novas operações e a produção local de baterias está entre as alternativas em análise.
"Nada é descartado. Nós temos uma unidade dentro da GWM que produz baterias, a S-Volt. Metade das baterias que nós usamos são feitas por nós. A outra metade nós compramos no mercado. Essa unidade está à disposição e faz parte do projeto. Sim, com certeza. Tem espaço para isso", afirmou.
A S-Volt é a divisão da GWM responsável pela fabricação de baterias para veículos elétricos e já abastece parte da produção global da montadora. Caso o projeto avance, Aracruz poderá concentrar não apenas a montagem dos veículos, mas também a produção de um dos principais componentes da nova geração de automóveis eletrificados.
Obras
Ainda durante o evento, Ricardo Bastos também foi questionado sobre quais empresas serão responsáveis pelas obras da futura fábrica da GWM em Aracruz. Segundo o diretor de Assuntos Institucionais da montadora, as contratações ainda estão em andamento, mas a intenção é priorizar empresas brasileiras e, sempre que possível, fornecedores capixabas.
"Olha, a gente ainda está contratando. Está muita coisa ainda sendo definida. Vão ser empresas nacionais e, quem sabe, empresas capixabas, na medida do possível. Inclusive, esse evento aqui foi feito por uma empresa capixaba. Então, eu acho que a gente vai dar sempre preferência local, para o Brasil, para o Espírito Santo. Mas nós queremos, sim, fazer de forma competente, rápida e atendendo todos os padrões da regulamentação brasileira."
Perfis profissionais e empregos
Ricardo Bastos explicou que, embora existam vagas para funções operacionais, a tendência é que a maior parte dos postos exija algum nível de capacitação técnica. “Vamos buscar profissionais em universidades, escolas técnicas, Senai e também pessoas que tenham interesse em se qualificar. Precisaremos de gente preparada em diferentes áreas”, avisou.
Segundo ele, a automação substituiu parte das atividades mais pesadas da indústria, mas abriu espaço para novas funções ligadas à tecnologia. “Operações como estampagem e soldagem são hoje amplamente automatizadas por robôs. Em compensação, aumentou muito a necessidade de profissionais para montagem de componentes eletrônicos, controle de qualidade e integração de sistemas.”
O diretor também destacou o aumento da tecnologia embarcada nos veículos atuais. “Hoje um para-choque não é apenas uma peça de plástico. Ele reúne sensores, módulos eletrônicos e diversos sistemas. Retrovisores, bancos, teto solar, comandos por voz e funções controladas pelo celular exigem profissionais preparados para trabalhar com essa tecnologia.”
Principais pontos já apresentados pela empresa:
- Projeção de cerca de 9 mil empregos diretos com a futura operação
- Demanda prevista por formação técnica e perfis especializados em eletrônica e sistemas elétricos
- Busca por profissionais em universidades, escolas técnicas e no Senai
Cronograma, investimentos e mercado externo
A cerimônia de lançamento da fábrica da GWM, em Aracruz, contou com uma comitiva de cerca de 20 integrantes da companhia, entre executivos brasileiros e chineses, incluindo o Chief Product Officer (CPO) da GWM Global, Xiangjun Meng.
Após a cerimônia, o projeto deve avançar para uma etapa de preparação técnica e institucional, com licenciamento ambiental, estudos técnicos, planejamento industrial, arranjo do terreno e articulações voltadas à qualificação profissional. A empresa também prevê parcerias com instituições de ensino e formação de mão de obra para sustentar a futura operação e a cadeia produtiva associada ao empreendimento.
As obras estão previstas para começar ainda este ano. A montadora trabalha com a estimativa de iniciar a produção dos primeiros veículos no Espírito Santo em 2029, mas não descarta antecipar o início das operações, a depender do andamento do projeto.
Em relação aos aportes, embora a GWM tenha anunciado em 2022 um plano de investimentos de R$ 10 bilhões no Brasil, os valores destinados à unidade de Aracruz estão em revisão e podem ser ampliados. A estimativa atual é de investimento em torno de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões), mas o montante ainda não está fechado e pode aumentar conforme o avanço do empreendimento.
Após atender ao mercado brasileiro, a unidade de Aracruz deverá abastecer Argentina, México, Chile, Colômbia e Uruguai, reforçando a presença do Espírito Santo nas cadeias globais da indústria automotiva.
Dados em destaque:
- Investimento estimado: cerca de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões)
- Início das obras: previsto para este ano
- Produção: estimada para 2029, com possibilidade de antecipação
- Mercados citados para abastecimento: Argentina, México, Chile, Colômbia e Uruguai
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