Guerra no Oriente Médio pode elevar preços de passagens e produtos nos mercados
Alta do petróleo pode afetar rotas aéreas, logística e preços no varejo, com impactos no turismo, transporte e custo de produtos no Brasil
Siga o Tribuna Online no Google
Há pelo menos duas décadas, o Oriente Médio se consolidou como uma das rotas aéreas mais relevantes do mundo. Mas, em situações como a atual, com a alta no preço do barril de petróleo, o valor do querosene de aviação também tende a subir, aumentando os custos operacionais das companhias aéreas.
O cientista político Thomaz Tommasi ressalta que, além do petróleo, a instabilidade atinge outros setores da economia. Países da Península Arábica, como Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Omã e Arábia Saudita, fazem parte de cadeias produtivas globais e dependem de um ambiente de estabilidade para manter negócios, turismo e investimentos. Nesse contexto, hubs logísticos importantes também podem ser afetados.
“Companhias aéreas como Qatar Airways, Emirates e Etihad operam grandes centros de conexão em cidades como Doha, Dubai e Abu Dhabi, fundamentais para rotas internacionais entre Américas, Europa e Ásia. Esses hubs são essenciais para o transporte global de passageiros e mercadorias. Qualquer instabilidade na região impacta diretamente o turismo, os negócios e o fluxo internacional de pessoas”.
Ele acrescenta que a Turquia também pode ser afetada pelo cenário, já que tem um dos maiores centros de conexão aérea do mundo, operado pela Turkish Airlines em Istambul. “Caso o conflito se amplie ou afete rotas estratégicas, pode haver impacto nas operações da companhia e nas conexões globais que passam pela região”.
Supermercados preveem encarecimento de produtos
A alta no preço dos combustíveis, impulsionada pela instabilidade global, já acende um alerta no setor varejista. Supermercados preveem que o encarecimento do diesel e da gasolina, caso se confirme no Brasil e, consequentemente no Espírito Santo, vai pressionar os custos do transporte e da logística, o que irá refletir no bolso do consumidor final.
O superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider, disse que o impacto depende principalmente da duração do conflito e da evolução dos custos logísticos.
Ainda de acordo com ele, enquanto tiver estoques, os preços são mantidos. “As empresas têm estoques de segurança, mas não são grandes. Dependendo da situação, em cerca de 20 a 25 dias os reajustes já podem começar a aparecer, mas tudo vai depender dos desdobramentos do conflito e da realidade de cada empresa”.
Ele aproveitou para reforçar que a situação causada pelos conflitos reforça a importância de planejamento econômico tanto por parte do governo quanto das famílias. “Quanto mais o País consegue produzir e ser autossuficiente em áreas estratégicas, como alimentos e energia, menos fica vulnerável a crises externas”, conclui.
O economista Eduardo Araújo lembra que materiais de construção, produtos industriais e outros itens também dependem de transporte rodoviário em algum momento e devem ser impactados.
Análise
“Inflação nos EUA pressiona Trump”
“A inflação é um problema sério para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, porque corrói o poder de compra da população americana.
A forte alta do petróleo registrada nos últimos dias provocou grande pressão política sobre o presidente dos Estados Unidos para buscar moderação e resolver rapidamente a guerra, já que o cenário vem complicando muitos negócios.
Também é preciso lembrar que, no fim do ano, os Estados Unidos terão eleições de meio de mandato, em um contexto de pressão inflacionária, influenciada em parte pelo tarifaço. Por isso, Trump precisa ter cautela.
Ao mesmo tempo, é importante considerar o forte lobby da indústria petroleira, que também pesa nesse debate.”
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários