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Golpe do FGTS faz 2 mil vítimas no Estado. Veja como se proteger

| 02/10/2020 16:17 h | Atualizado em 02/10/2020, 16:30

Imagem ilustrativa da imagem Golpe do FGTS faz 2 mil vítimas no Estado. Veja como se proteger

Criado para socorro financeiro na pandemia, o FGTS emergencial (R$ 1.045) virou matéria-prima para criminosos: cerca de duas mil pessoas no Estado foram vítimas de golpes como roubo de dinheiro e dados.

A estimativa, proporcional, é de Eduardo Pinheiro, especialista em segurança digital e colunista de A Tribuna.

No País inteiro esse número chega a 100 mil, segundo o laboratório especializado em segurança digital da startup PSafe. Segundo o delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos, um dos tipos de golpe tem grande proporção especialmente no WhatsApp.

“A pessoa realiza um cadastro em um site falso sob promessa de receber o benefício, e nesse cadastro acaba dando informações pessoais que são utilizadas pelos golpistas para criar contas virtuais, obter empréstimos ou cartões de crédito em nome da pessoa”, diz.

Em outra modalidade, criminosos acessam a conta do aplicativo Caixa Tem – onde é possível movimentar o dinheiro – antes do proprietário de posse do CPF dele.

Professor da disciplina de Segurança da Informação de cursos de graduação da Universidade Vila Velha, Denis Rodrigues da Silva, explica que os roubos de dados – sobretudo nome, endereço e documentos como RG e CPF – são costumeiramente vendidos para outros golpistas para abrir contas, cadastros em sites e até obtenção de empréstimos em bancos.

“A vítima recebe um link pelo WhastApp, que direciona para o site criado para a fraude. É uma prática comum, chamada de 'pescaria', usando o saque do FGTS e até a interface do Facebook, para tentar conferir credibilidade”, diz.

Ele aponta uma fragilidade no aplicativo da Caixa. “E também no processo de cadastro. O criminoso, inclusive, para acessar a conta antes do real dono, usando dados vendidos por esses criminosos que roubam os dados pessoais. O sistema poderia ser aperfeiçoado, pedindo informações mais específicas, como nome do pai ou data de nascimento de um filho”, completa.

Eduardo Pinheiro conta que geralmente as vítimas são pessoas mais humildes, sem muita familiaridade com tecnologias: “Esses dados roubados também são usados para criação de cartões de créditos. No caso do aplicativo, com nome completo e CPF o criminoso já se antecipa e rouba o dinheiro”.

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“Dinheiro havia sido retirado”

A cobradora Fernanda Souza Soares, 42, diz que o dinheiro do seu FGTS Emergencial (R$ 1.045) foi desviado do aplicativo da Caixa.

“Quando entrei, o dinheiro já tinha sido retirado para pagar um boleto. No banco, me informaram que uma mulher de São Paulo usou meu CPF para fazer isso. Mas ela usou o e-mail e número de telefone dela. Já fiz recurso, boletim de ocorrência, mas até agora nada”, relata ela, que está com dívidas no cartão e usaria o dinheiro para quitá-la.

Caixa diz que monitora casos

Procurada, a Caixa Econômica Federal disse que colabora com os órgãos de segurança que atuam no combate a fraudes no Saque Emergencial do FGTS e que informações sobre eventos criminosos são repassadas exclusivamente às autoridades policiais.

Falou ainda que realiza, de forma estratégica e preventiva, monitoramento de casos suspeitos e bloqueia contas com indícios de fraude ou com inconsistências cadastrais para a verificação de informações.

No caso de eventuais contestações de saques, informou que elas podem ser formalizadas pelo beneficiário diretamente em qualquer agência. “Para os casos em que houver comprovação de saque fraudulento, o beneficiário será devidamente ressarcido”, garantiu.


Dicas de segurança


Não clique em links suspeitos

  • Segundo o especialista Eduardo Pinheiro, a dica de ouro é simplesmente não clicar em links recebidos por e-mails ou mensagens. Esses links maliciosos direcionam a vítima para páginas clonadas com objetivo de roubar dados pessoais para se antecipar ao titular do dado pessoal e desviar os benefícios da vítima.

Evite atalhos

  • Um link pode ser um atalho para um site de um banco, porém, são altas as chances de se tratar de uma armadilha virtual. O ideal é digitar pessoalmente o endereço do site e só baixar aplicativos das plataformas oficiais.

Pessoa de confiança

  • Muitas pessoas pouco familiarizadas com a tecnologia não conseguem enxergar os riscos no ambiente digital, então o melhor a fazer é buscar ajuda de uma pessoa de sua confiança.

Desconfie de facilidades

  • O principal artificio utilizado pelos criminosos é facilitar a vida de uma pessoa oferecendo serviços, benefícios e vantagens a apenas um clique de distância. Sempre desconfie dessas facilidades.

Como agem os golpistas

  • Enviam um link prometendo acesso garantido ao saque do FGTS emergencial. Ao acessar o link malicioso enviado na mensagem sobre o suposto saque, a vítima é direcionada a uma página onde deve informar seus dados pessoais – que serão roubados.
  • O site simula a interface do Facebook, com comentários que usam o nome da Caixa para orientações de como obter o benefício. No entanto, é “fake news”.
  • Criminosos acessam o aplicativo da Caixa Tem antes do real dono da conta com algum documento dele – geralmente o CPF –, e desviam o dinheiro com transferências. Esses dados, aliás, são obtidos justamente numa colaboração com criminosos que roubam dados.
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