Fábrica na Serra pode fornecer estruturas para projeto da GWM em Aracruz
Executivos chineses visitarão fábrica de 350 milhões na Serra, possível fornecedora de estruturas para complexo em Aracruz
A nova unidade da Perfilados Rio Doce na Rodovia do Contorno, na Serra, pode dar impulso ao projeto da Great Wall Motors (GWM) em Aracruz, no Norte do Espírito Santo. Executivos da montadora, vindos da China, já têm agenda marcada com a empresa para discutir negócios, afirma o diretor comercial da RDG Aços do Brasil, Maurício Suarez.
A principal possibilidade, diz Suarez, é de que a indústria forneça estruturas para a construção do complexo de produção da GWM.
A PRD já ofereceu, inclusive, chapas para a planta da Marcopolo em São Mateus, onde são fabricados ônibus elétricos, comenta o gerente da unidade de produção no Contorno, Leandro Francisco da Silva.
Na nova fábrica, inaugurada na quinta-feira (17) na Rodovia do Contorno, a estimativa é que a linha de chapas produza cerca 4.500 toneladas por mês, o que pode ser reajustado conforme a demanda. São cerca de 300 toneladas por turno de produção.
A PRD Contorno teve investimento de R$ 350 milhões, com recursos próprios, e fica em um terreno de 150 mil metros quadrados, sendo 62 mil m de área construída. Além das chapas, a fábrica vai produzir tubos, perfis, telhas e calhas, além de fazer, em um setor à parte, a galvanização a fogo.
A planta capacita a PRD a desbobinar o aço de alta resistência e saltar da fabricação de tubos de 5 polegadas para o diâmetro de até 8 polegadas. A operação também passa a industrializar itens da construção civil antes adquiridos prontos para revenda.
A meta é alcançar, no total, volume anual de 200 mil toneladas de aço processado na estrutura. Para produzir, a PRD Contorno compra bobinas de vergalhão e fio máquina da Simec, da ArcelorMittal e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Na linha de galvanizados, a Petrobras é a principal cliente, explica Silva. O processo robusto permite ao produto ficar exposto sem corroer, garantindo de 25 a 30 anos, em média, de exposição em ambiente de alto-mar.
“É um tratamento do aço que cria uma película protetora para o material ficar exposto ao tempo e não oxidar rápido, principalmente nas áreas mais salinas”, detalha.
Para o diretor e fundador do Grupo RDG, Ronaldo Roque Campo, a entrega técnica da planta consolida uma nova fase de competitividade para a empresa.
Estatal chinesa investe 5 milhões
A estatal chinesa XCMG inaugurou um centro logístico de R$ 5 milhões e mais de 70 mil metros quadrados na Serra, em parceria com a empresa capixaba Timbro.
A XCMG Brasil, empresa líder no segmento de máquinas pesadas na China é a terceira maior fabricante do setor no mundo.
A nova estrutura integra a estratégia de expansão da companhia no País e busca ampliar a capacidade logística, comercial e de atendimento aos clientes e parceiros da região. A inauguração na Serra ocorre em um momento de expansão da presença da XCMG no mercado brasileiro.
A cerimônia reuniu executivos da XCMG Brasil, entre eles o presidente Li Hanguang, o vice-presidente Tian Dong, e a diretora de novos negócios Amanda Machado.
Para Li Hanguang, a nova unidade representa uma etapa importante no desenvolvimento da operação brasileira da companhia.
“Essa nova unidade representa um grande avanço da XCMG Brasil no fortalecimento de sua carteira de suprimentos e na elevação de sua capacidade de atendimento aos clientes. Ao mesmo tempo, simboliza mais uma conquista relevante, construída a partir da confiança mútua, da cooperação e do desenvolvimento conjunto com os nossos parceiros”, afirmou
Investimento de 16 milhões em placas de energia solar
O consumo de energia não é uma preocupação na planta da Perfilados Rio Doce (PRD) Contorno. A empresa implantou um sistema de produção de energia elétrica com nove mil placas solares, de um canto a outro do telhado da fábrica. Com isso, a indústria possui total autossuficiência energética — ou seja, não precisa comprar energia no mercado.
Na unidade da PRD Contorno, o sistema de placas solares possuem capacidade de produção de 5,3 megawatts/pico. O pico é o período de maior insolação, quando é possível aproveitar o máximo da irradiação do sol.
Somando as outras unidades da PRD, na Serra e em Linhares, são ao todo 12 mil placas solares instaladas, o que fornece à indústria uma capacidade de 7,3 megawatts/pico de produção de energia. O investimento total na geração solar ultrapassou R$ 16 milhões, conta o presidente da RDG Aços do Brasil, Ronaldo Roque.
A PRD Contorno ainda conta com uma estação de tratamento de esgoto sanitário para atender a uma vazão média de 1,5 m³/h e uma estação de tratamento de água por osmose reversa de 6 m³/h.
Para Roque, investir é um ato de fé. “Fé no nosso negócio, nos nossos clientes, nos nossos colaboradores. Fé no Espírito Santo e no futuro”, disse, em tom emocionado, durante a inauguração oficial.
Roque conta que a inauguração não é o ponto final dos planos da empresa: “É um novo ponto de partida. Temos desafios pela frente, muito a aprender e aprimorar. Temos, acima de tudo, uma vontade inabalável de continuar produzindo e investindo no nosso negócio”.
Estiveram presentes no evento o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume; o secretário de Desenvolvimento da Serra, Cláudio Denicoli; o prefeito da Serra, Weverson Meireles; e o presidente da ArcelorMittal, Jorge Oliveira.
Novos galpões logísticos
Dois novos galpões logísticos da CampoLog, braço da RDG Aços do Brasil para armazenagem de cargas, estão em construção bem em frente à nova unidade da Perfilados Rio Doce, na Rodovia do Contorno.
As estruturas, que somam 180.000 m², devem ser inauguradas em 2028, afirma o diretor comercial da RDG, Maurício Suarez.
Os clientes, segundo Suarez, tem grande potencial de ser do setor de e-commerce. Hoje, o grupo já atende em outros dois galpões da CampoLog, na Serra, clientes como DHL e Mercado Livre. O CampoLog 1 e o CampoLog 2, somam cerca de 60.000 m² — ou seja, menos da metade das novas unidades em construção.
“O Espírito Santo está recebendo muitas empresas de fora que alugam esses galpões, pois hoje a entrega precisa acontecer em menos de 24 horas”, comenta.
Suarez não confirma o negócio, mas adianta que os atuais clientes têm planos de expansão. “São clientes que ocupam quase a totalidade desses dois espaços (CampoLog 1 e 2)”, diz.
Mercado
As gigantes do setor estão cada vez mais de olho no Espírito Santo, como mostram os anúncios recentes.
Neste mês, a Amazon, empresa de comércio eletrônico dos EUA, inaugurou seu primeiro centro de distribuição no Espírito Santo, em Cariacica, com capacidade de processar 420 mil pacotes por semana.
Mais imóveis em Aracruz
O Grupo ABR Brasil, com mais de duas décadas de atuação na cadeia florestal e de biomassa do Espírito Santo, oficializa sua entrada no mercado imobiliário, com Valor Geral de Vendas (VGV) projetado em R$ 500 milhões ao longo dos próximos três anos.
Fundado por Hildo Cecato e Josias de Oliveira Dias, o braço imobiliário do grupo nasce com três empreendimentos já engatilhados.
O primeiro deles, em Aracruz, deve iniciar vendas ainda este ano. Só esse primeiro projeto já responde por boa parte do resultado esperado: R$ 120 milhões em VGV na etapa de loteamento e outros R$ 250 milhões previstos numa futura etapa que prevê um mall, somando R$ 370 milhões.
O investimento do grupo na construção, diferente do VGV (que é a expectativa de faturamento com as vendas), soma R$ 150 milhões ao longo de cinco anos.
O loteamento em Aracruz ocupará uma área de 255 mil metros quadrados a cerca de dois quilômetros do Shopping Oriundi, no sentido da rodovia ES-257.
“Com a chegada do porto e da ZPE, entendemos que chegou o momento de contribuir com esse novo ciclo também através da moradia, oferecendo à cidade um padrão imobiliário que ela ainda não tinha”, afirmou Cecato.
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