Estado tem 1.589 orelhões funcionando
Raramente usados, os aparelhos ainda estão presentes nas ruas. Mas, dos 2.996 que existem, 1.377 estão em manutenção
Apesar de estarem cada vez mais difíceis de serem vistos pelas ruas do Estado, os orelhões ainda perseveram em pleno 2022. Ao todo, são 2.966 unidades espalhados pelo Espírito Santo. Desses, cerca de 1.589 estão ativos e funcionando, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A disponibilidade em todo o Estado é de 53.57% com 1.377 orelhões em manutenção. As cidades com mais telefones públicos ativos são Vitória com 167 orelhões, Cariacica com 111 e Cachoeiro de Itapemirim com 107.
Os municípios com menos unidades disponíveis para uso da população são Divino de São Lourenço, Irupi, São Domingos do Norte e São Roque do Canaã, ambas com três unidades cada, e Ponto Belo com apenas um orelhão.
A empregada doméstica Zilda dos Santos, de 42 anos, conta que não usa um telefone público desde antes de vir morar no Espírito Santo.
“Não lembro a última vez que usei um. Foi antes de eu sair da Bahia para morar aqui. Assim que comprei em celular anos atrás eu parei de usar orelhão”, explica.
Zilda conta que cada dia que passa vê menos orelhões nas ruas e que acha que em poucos anos deixarão de existir, já que para ela as pessoas preferem usar celulares para se comunicar.
Em tempos de smartphones, aplicativos de mensagens e videochamadas, muitos podem pensar que ninguém usa mais os orelhões, mas a realidade é um pouco diferente quando se liga para alguns na cidade.
Depois de 11 toques, Luís Cláudio atende. O lavador de carros de 50 anos conta que ainda vê muitas pessoas usando o orelhão da rua em que trabalha.
O aparelho fica na rua Doutor João dos Santos Neves, na Vila Rubim, ao lado da Santa Casa de Misericórdia, e foi ativado em maio de 1996, há 26 anos.
“Aqui perto têm duas bancas de jornal e duas padarias que ainda vendem cartão para orelhão. Como é do lado do hospital, muita gente usa em casos de emergência para falar com alguém. Têm dias que forma até fila para usar”, comenta Luís Cláudio.
Ele ainda explica que atende o telefone de vez em quando, pois algumas pessoas dão o número do orelhão para deixar recados, e que por esse motivo acha que os orelhões deveriam ser mais bem cuidados na cidade.
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