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Empresários no Estado pedem a volta do horário de verão

15/09/2021 17:20:17 min. de leitura

Empresários de diferentes setores no Estado saíram em defesa da volta do horário de verão como forma de evitar um racionamento de energia e também para estimular a economia.

O mesmo pedido também já foi feito por associações nacionais dos setores de alimentação, turismo e comércio, que enviaram um documento ao presidente Jair Bolsonaro pela volta do horário de verão.

No documento, as entidades argumentam que qualquer economia de energia seria relevante diante da gravidade da crise hídrica que o País enfrenta.

O horário de verão foi extinto em 2019 por Bolsonaro, sob o argumento de que já não garantia grande economia de energia enquanto causava transtornos para trabalhadores, principalmente aqueles que dependem do transporte público ainda de madrugada.

Imagem ilustrativa da imagem Empresários no Estado pedem a volta do horário de verão
Relógio ajustado: Empresários pedem a volta do horário de verão Foto: Pixabay
Com o agravamento da crise energética, porém, vem crescendo nos últimos meses o apoio ao retorno do programa, que adia em uma hora o fim do dia, garantindo melhor uso de iluminação natural em um horário de grande demanda por eletricidade.

A presidente da Associação dos Comerciantes da Glória (Uniglória), Glenda Amaral, disse que o retorno seria muito positivo para funcionários e lojistas.

“Para o funcionário seria ótimo, porque, com uma hora a mais de sol, há mais segurança para voltar para casa ou fazer alguma atividade física, por exemplo. Para o empresário também é ótimo, porque já percebemos que as pessoas ficam mais dispostas a sair do trabalho e vir fazer compras”.

Já a Federação de Comércio do Estado (Fecomércio-ES) diz que não vê problemas em um eventual retorno do horário de verão.

“Não é algo que nos afete caso aconteça. Daremos nosso apoio se for necessário”, disse o diretor da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin.

Em nota, a Federação das Indústrias (Findes) explicou que montou, junto ao governo do Estado, um comitê de crise hidroenergética, que visa a estudar soluções a curto, médio e longo prazo para evitar racionamentos compulsórios de energia, e que irá se reunir, na próxima semana, com o Ministério de Minas e Energia para tratar do tema.


SAIBA MAIS


Criação, adoção e extinção no País

  • O horário de verão moderno foi proposto em 1784 nos Estados Unidos por Benjamin Franklin, que, na época, calculou que adiantar os relógios no verão poderia criar economia milionária em cera de vela.
  • A ideia ficou no ar até 1895, quando o biólogo neozelandês George Hudson formulou o horário de verão da maneira que conhecemos hoje, mas com um ajuste de duas horas.
  • No Brasil, o modelo de economia elétrica foi adotado em outubro de 1931 perdurando, com algumas interrupções, até 2019, quando o presidente Jair Bolsonaro o extinguiu, sob o argumento de que se tratava de algo que já não garantia grande economia de energia enquanto causava transtornos para trabalhadores, principalmente aqueles que dependem do transporte público ainda de madrugada.

Possível retorno

  • Com o agravamento da crise energética, porém, vem crescendo nos últimos meses o apoio ao retorno do programa, que adia em uma hora o fim do dia, garantindo melhor uso de iluminação natural em um horário de grande demanda por eletricidade.
  • Entidades do setor elétrico, apoiadas pelos setores de turismo, comércio, supermercados e restaurantes elaboraram documento que defende o retorno do horário de verão para reduzir o risco de novas crises elétricas no País.
  • O grupo de entidades diz que o horário de verão economizaria entre 2% e 3% do consumo no início da noite, reduzindo a necessidade de acionar térmicas mais caras que hoje pressionam a conta de luz.
  • Outro argumento levantado pelo grupo é que a própria entidade que coordena e controla as operações de geração de energia no País, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) havia sido contrário à extinção do programa na época.
Fontes: Folha de S.Paulo, revista Superinteressante e pesquisa AT.

Setor de bares prevê lucro maior com o dia mais longo

Um retorno do horário de verão teria impacto positivo no setor de restaurantes, bares e no turismo em geral, segundo empresários ligados a esses setores.

O presidente do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Estado (Sindbares), Rodrigo Vervloet, destaca que haverá aumento nas vendas caso a alteração volte a ser realizada.

“Nós somos a favor do retorno do horário. Sem dúvidas seria um grande ganho para o setor e para a sociedade. Inclusive, há uma expectativa de que, se isso se concretizar, teremos aumento de vendas por conta dessa hora extra com sol”, avalia Rodrigo Vervloet.

Segundo o presidente da Federação das Associações de Microempresas, Empresas de Pequeno Porte e Empreendedores Individuais do Estado (Femicro), José Vargas, a alteração iria incentivar a movimentação do público e ampliar o consumo, o que poderia ter impacto positivo na economia nacional.

“O retorno do horário de verão pode ser positivo, principalmente para o setor de turismo, de alimentação e comércio. Irá estimular a movimentação de público e, consequentemente, o consumo”.

Entidades do turismo, como CNTur e Feturismo, e o setor dos shoppings já se manifestaram a favor da medida.

Na segunda-feira, o apoio foi reforçado por Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), ICS (Instituto Clima e Sociedade), IEI (International Energy Initiative), Mitsidi Projetos e Hospitais Saudáveis.

Ministério diz que mudança é pouco efetiva contra crise

Apesar do desejo dos empresários e de entidades do setor elétrico, o Ministério de Minas e Energia, por enquanto, descarta a volta do horário de verão. Em nota, o ministério diz que a medida é pouco efetiva no controle da crise.

“O Ministério tem estudado iniciativas que visam ao deslocamento do consumo de energia elétrica dos horários de maior consumo para os de menor, de forma a otimizar o uso dos recursos energéticos disponíveis no Sistema Interligado Nacional”, afirma o texto.

“A contribuição do horário de verão é limitada, tendo em vista que, nos últimos anos, houve mudanças no hábito de consumo de energia”.