Empresários do ES voltam a apostar em lojas de rua para movimentar o comércio
Novo olhar tem feito com que bairros antes vistos como residenciais ganhem cada vez mais lojas do varejo, diz Fecomércio
Mais empresários vêm apostando na abertura de lojas de rua, seguindo uma tendência de aproximação com o mercado consumidor a partir da conveniência — ou seja, da facilidade de acessar o local e comprar o produto.
Esse novo olhar para o tipo de empreendimento tem feito com que bairros que antes eram vistos como prioritariamente residenciais ganhem cada vez mais lojas do varejo, avalia o vice-presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin.
Para o representante, há no cenário atual uma distribuição menos concentrada de lojas pelos tecidos urbanos, com investimentos pequenos e localizados.
“O mercado está mais distribuído, horizontalizado. São condomínios e bairros com pequenas lojas. Não se criam mais grandes polos, mas cresce enormemente uma cadeia de pequenos negócios próximos às residências dos consumidores, para atender em serviços e produtos”, afirma.
Bergamin aponta ainda para um fracionamento do mercado, onde grandes negócios acabam se dividindo em pequenos pontos comerciais — como, por exemplo, a decisão de abrir vários pequenos mercados no lugar de abrir um único grande supermercado.
Segmentos como os de cuidados pessoais, beleza, produtos naturais, comidas artesanais, vestuário feminino, cuidados animais e cuidados com o corpo são alguns que têm se mostrado atrativos para os empresários e empreendedores.
“Não há, no entanto, um crescimento enorme do consumo. Ele (apenas) está dividido. É possível ver isso em bairros como Itaparica, Itapuã e Santa Mônica, por exemplo”, comenta o vice-presidente da Fecomércio-ES.
Em Vitória, a região do Centro vem recebendo incentivos para a retomada do movimento do comércio, que permanece ativo, mas já foi o mais pujante da região em décadas passadas.
A redução da alíquota do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) de 5% para 2% na região, a criação de novas vagas de estacionamento e a reforma do Mercado da Capixaba são alguns dos estímulos, comenta a vice-prefeita de Vitória, Cris Samorini.
“Em 2024 e 2025, tivemos um saldo de mais de 2 mil empresas abertas só no Centro”, conta.
Saiba Mais
Reforço na segurança
Consultores e fornecedores de serviços de tecnologia ouvidos identificaram um aumento nos investimentos em segurança, nos últimos anos, nesses pontos, e varejistas têm lançado planos de inauguração de lojas específicas para as ruas a partir de 2026.
O cenário é o oposto do que se verificava na década passada, quando os grandes shopping centers dominavam, após o “boom” de aberturas em 2012, e os pontos em ruas e avenidas em grandes metrópoles ficaram mais em segundo plano.
O movimento se cruza com melhora na intenção de compra nas ruas e avenidas das cidades em 2025, segundo levantamento da empresa de tecnologia que monitora o varejo Seed Digital, feito a pedido do jornal Valor Econômico.
Festividades
As festas de início de ano, como o Carnaval, somado à melhora da renda média do brasileiro, prometem aquecer o mercado consumidor em 2026.
Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que 95% planejam comprar produtos e 88% pretendem contratar serviços exclusivamente para o período do Carnaval, por exemplo.
Entre os mais contratados, destacam-se os bares e restaurantes (45%), transporte particular (39%), serviços de beleza como manicure, cabelereiro, depilação, bronzeamento, massagens e salão (26%), passagens de avião e ônibus (23%), hospedagem em hotéis e pousadas (22%) e compra de convite e/ou ingresso para festas em clubes, boates, desfiles, camarotes (21%).
Lojas de rua e de bairro correspondem a 36% do total no planejamento para as compras durante o período, superando levemente a internet (35%) e os apps de entrega (30%). Os supermercados lideram, com 55%.
A intenção média de gasto é de R$ 1.096. A pesquisa ouviu 41,4 milhões de pessoas em todo o País.
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