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Em janeiro, poupança tem a maior saída de recursos da história

Esse é o maior volume de retirada líquida para um único mês na série histórica do BC, iniciada em janeiro de 1995

Agência Folhapress | 04/02/2022 21:57 h

Os saques das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 19,665 bilhões no mês de janeiro deste ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (4).

Esse é o maior volume de retirada líquida para um único mês na série histórica do BC, iniciada em janeiro de 1995.

Em janeiro, os depósitos na modalidade de investimento totalizaram R$ 260,494 bilhões, enquanto as retiradas de recursos somaram R$ 280,159 bilhões.

O recorde negativo anterior era de janeiro de 2021, quando houve saque líquido de R$ 18,15 bilhões. Historicamente, o mês é marcado por resgate de recursos. Desde 2013, não há registro de saldo positivo nesta época do ano.

As retiradas coincidem com os gastos previstos no início de ano, como, por exemplo, o pagamento de impostos -IPVA e IPTU-, além de matrícula de filhos em escolas particulares e compra de material escolar, entre outros.

Outros fatores econômicos também influenciam o movimento de saques, segundo José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.

De acordo com ele, o aumento da inflação e seu impacto no salário real dos trabalhadores e a migração de investimentos para outros fundos de rendimento com o aumento da taxa de juros levaram à retirada de recursos da poupança.

"Outros ativos passaram a ter ganho maior do que a caderneta de poupança, o que tende a gerar uma fuga para esses fundos", disse Camargo.

Na quarta-feira (2), o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou a taxa básica de juros -a Selic- de 9,25% para 10,75%.

A taxa Selic estava abaixo dos dois dígitos desde julho de 2017, período em que foi reduzida diante de uma inflação em queda e uma atividade econômica praticamente estagnada.

Agora o Brasil vive uma nova realidade. Em 2021, o poder de compra do brasileiro voltou a ser assombrado por uma inflação de dois dígitos e compete ao BC, por meio da Selic, tentar segurar essa expansão.

Nos 12 meses do ano passado, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), acumulou variação de 10,06%.

A alta é a maior para o período de janeiro a dezembro desde 2015 (10,67%). À época, a economia nacional atravessava período de recessão no governo Dilma Rousseff (PT).

Agora, a economia global ainda sofre os efeitos da pandemia de Covid-19, com escassez de oferta de insumos para produção de itens consumidos pelas famílias, o que eleva seus preços.

No cenário brasileiro, a percepção de aumento de riscos fiscais -por causa da elevação de gastos do governo e a possibilidade de corte de tributos em ano eleitoral-, também contribui para a alta do dólar, o que impulsiona ainda mais a inflação.

O aumento dos preços corrói a renda dos consumidores. Além disso, com a Selic mais alta, a poupança perde atratividade para outros investimentos.

"Como a Selic vem subindo, seguramente as aplicações do mercado financeiro vêm se tornando mais atrativas", afirmou o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas.

"A subida da taxa de juros explica uma parte dessa fuga da poupança, além disso, as pessoas estão precisando gastar por conta das dificuldades da gestão financeira de cada um. Estamos em uma fase de desemprego muito alto, economia crescendo pouco, uma certa contenção fiscal, como as pessoas não vão colocar a mão na poupança para sobreviver?", disse Velloso.

Nesse cenário, o BC sinalizou ainda que o ciclo de aperto iniciado em março do ano passado não chegou ao fim, diante de uma inflação ainda resistente e que ameaça estourar a meta pelo segundo ano seguido. A Selic deve subir.

De acordo com dados da autoridade monetária, apesar da saída de recursos em janeiro, o estoque na poupança está em R$ 1,016 trilhão e o rendimento foi de R$ 5,39 bilhões no mês.

O saldo, que é todo o montante investido na modalidade, chegou à marca de R$ 1 trilhão pela primeira vez na história em setembro de 2020, após cinco meses de pagamento de um auxílio emergencial de R$ 600 a mais de 60 milhões de brasileiros.

Em 2021, os saques em caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 35,49 bilhões -o primeiro resultado anual negativo desde 2016, quando a modalidade registrou retirada líquida de R$ 40,7 bilhões.

Em dezembro do ano passado, contudo, a poupança teve entrada líquida de R$ 7,66 bilhões, impulsionada pelo pagamento do 13º salário.​

Atualmente, a caderneta de poupança rende 0,50% ao mês (ou 6,17% ao ano), mais a TR (taxa referencial). O indicador é calculado pelo BC com base nas taxas de juros das Letras do Tesouro Nacional e tem flutuação diária.

A regra da poupança mudou em dezembro do ano passado com a elevação da Selic acima de 8,5% ao ano.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 10,75% ao ano. Nesse caso, a regra prevê que o rendimento da poupança seja de 0,50% ao mês, mais a TR (para depósitos novos e antigos).

Em meio à escalada da Selic, a TR, que ficou nula de setembro de 2017 até o fim do ano passado, também sobe. Quando a taxa de juros está menor ou igual a 8,5% ao ano, o investimento é limitado a 70% da taxa, acrescida da TR.

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