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Duzentos demitidos por fake news sobre vacina

Muitos dos trabalhadores dispensados sequer sabem o motivo da demissão

Matheus Souza, do jornal A Tribuna | 16/02/2022 16:03 h

Pelo menos 200 trabalhadores foram demitidos no Estado devido a posicionamentos inadequados envolvendo a vacina contra a covid-19  nas redes sociais. É o que aponta um levantamento da reportagem realizado junto a empresas especializadas em recursos humanos.

Muitos dos demitidos, porém, sequer sabem o verdadeiro motivo para terem sido dispensados, segundo a psicóloga e especialista em carreiras Gisélia Freitas. “Isso (as fake news sobre vacinas) não é falado de forma clara para o empregado. Eles preferem demitir por um motivo que não  possa provocar algum processo na Justiça”, explicou.

As empresas, segundo Gisélia, não querem estar associadas a profissionais que disseminem campanhas de desinformação e, por isso, tomam atitudes e monitoram o que seus empregados publicam  na internet. “Eles colocam de forma transparente que não gostam dessa postura, de espalhar fake news. Por isso, alguns  setores de RH em parceria com os setores de marketing acompanham esses colaboradores em suas principais redes sociais”, relata.

Para Elcio Teixeira, CEO da Heach Brasil RH, empresa de gestão de pessoas, o funcionário que influencia os demais a não se vacinarem está colocando em risco a saúde dos seus colegas. “A partir do momento em que eu começo a transmitir fake news, influencio na saúde dos demais. Coloco o ambiente de trabalho em risco, e aí fico vulnerável, inclusive a uma demissão”, frisou.

Elcio explicou que a questão das vacinas está ligada diretamente à polarização política, um fenômeno que pode ser prejudicial nos ambientes profissionais. “Quando você faz apologia à não vacinação, a empresa te vê como socialmente irresponsável. Isso está associado à polarização política e pessoas muito polarizadas acabam sendo tóxicas para o local de trabalho”, explicou.

Até justa causa para quem recusa o imunizante

Os trabalhadores que se recusam a tomar a vacina contra covid-19 estão sujeitos a penalidades em seus locais de trabalho, que podem chegar até a demissão por justa causa.  A demissão por justa causa é imposta quando o funcionário comete falta grave. Devido a isso, ele não recebe as mesmas verbas rescisórias  de uma demissão sem justa causa.

O  advogado trabalhista Victor Passos Costa explica que as empresas são recomendadas a aplicarem outras penalidades antes de recorrerem à demissão por justa causa. “Inicialmente, as empresas orientam esses colaboradores a se vacinarem. Havendo a recusa, eles podem incorrer em penalidades graduais. Esse funcionário pode estar sujeito a uma advertência, a uma suspensão,  o que faz com que ele não receba pelos dias em que esteve afastado, até chegar a uma demissão desse trabalhador por justa causa”, explica o advogado.

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