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Economia

Demissões por preconceito contra gays chegam a 1.300


Imagem ilustrativa da imagem Demissões por preconceito contra gays chegam a 1.300
Elias Gomes disse que o preconceito, muitas vezes, ocorre no refeitório ou em um grupo de WhatsApp: “Empresas estão atentas” |  Foto: Leone Iglesias — 13/03/2018

Brincadeiras de mau gosto, apelidos e qualquer outra forma de desrespeito a homossexuais no ambiente de trabalho são cada vez menos tolerados. No Estado, cerca de 1.300 foram demitidos por essas razões em 2019.

Nesse período, foram 333.446 profissionais desligados de empresas. Desse total, 0,4% foram por causa de preconceito contra homossexuais, de acordo com levantamento feito com especialistas e empresas de RH. Parece muito, mas o número caiu: de junho de 2017 a junho de 2018, foram 3 mil demitidos por homofobia.

Entretanto, a redução não significa redução da discriminação. Nesta semana, a fabricante de bebidas Ambev anunciou que demitiu, em São Paulo, um empregado que, em uma rede social, afirmou que homossexuais “não são gente” e se referiu a eles como “uma raça maldita”, ao comentar a notícia de um casal gay que foi impedido de alugar um imóvel no Rio de Janeiro.

A psicóloga e diretora da Psico Store, Martha Zouain, disse que, pelo fato de muitas empresas estarem mais rígidas, funcionários preconceituosos passaram a pensar mais antes de se expressar, o que explica a redução das demissões.

“Muitas empresas mudaram de postura, não admitem mais discriminação. Isso fez com que as pessoas preconceituosas se calassem, por medo de serem punidas”, frisou.

O CEO da Heach Recursos Humanos, Elcio Teixeira, lembrou uma pesquisa realizada pela Santo Caos que indica que quase metade da população LGBT+ já sofreu algum tipo de discriminação no trabalho.

“Foi uma pesquisa com profissionais de diversas áreas, dos 18 aos 50 anos. 40% deles sofreram preconceito de chefes, colegas ou clientes e todos relataram discriminação velada no trabalho.”

O diretor da Acroy, Elias Gomes, disse que nem todos os casos vão para as redes sociais. “O preconceito ocorre no refeitório, em um grupo de WhatsApp. As empresas estão atentas, principalmente, na internet, porque, lá, isso reverbera na imagem delas”.

A diretora de diversidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Estado (ABRH-ES), Cynthia Molina, explicou que as empresas entenderam a necessidade de se posicionar e hoje muitas contam com canais para denúncias. “É uma tendência que começou com as grandes empresas. A população aprova esse posicionamento”.

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