Conflito entre EUA e Irã: tarifa pode afetar o café capixaba?
Trump anunciou 25% de sobretaxa para quem fizer negócios com o país, para onde vai quantidade pequena dos grãos do Estado
As tarifas de 25% que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou aos países que comercializam com o Irã podem impactar vários setores do agro brasileiro. Dos 10 principais produtos exportados à república islâmica, nove são do setor primário. A lista é liderada pela soja, seguida por milho, açúcar, animais vivos, carne bovina e café.
E o Espírito Santo pode vir a ser afetado por ter exportação de café para o país, mesmo não tendo volumes consideráveis exportados, explicou Fabrício Tristão, presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV).
As exportações do Estado para o Irã apresentam volume reduzido, e isso sugere, portanto, a possibilidade de exportações indiretas, destacou Daniel Carvalho, coordenador dos cursos de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Universidade Vila Velha.
“Por exemplo, o produtor de café vende para uma trading company e esta, que está localizada, suponho, em São Paulo, exporta para o Irã. Nos dados, isso conta como exportação de São Paulo, e não do Espírito Santo”.
No geral, nem exportações e nem importações capixabas dependem do Irã, mas as exportações capixabas são altamente dependentes dos Estados Unidos.
“Se a gente for pegar nos últimos 7 a 10 anos, vamos ver que os EUA se tornaram o principal destino das exportações capixabas. A China é um ator extremamente diminuto, o que aumenta a pressão em um cenário no qual exportadores capixabas não podem se dar ao luxo de arriscar um mercado tão importante quanto o americano”, afirmou Carvalho.
No caso específico do café, tanto os EUA quanto o Irã importam, e essa dinâmica se acentua, o que pode criar um impacto considevárel. “Pode ter um impacto relevante, uma vez que o produto perderia competitividade nos EUA. No caso do Irã, a questão é determinar a parcela de café capixaba presente nas exportações brasileiras para o país”, disse.
No âmbito geral do Brasil, Carvalho disse que a questão do milho – que lidera as exportações para o país asiático – pode se tornar problemática, com diversos cenários possíveis, caso as sanções de Trump sejam oficialmente efetivadas e o Brasil mantenha relações comerciais com o Irã.
Saiba mais
Nova tarifa
O presidente dos EUA, Donald Trump, não detalhou se a nova tarifa de 25% valeria para contratos já em vigor ou apenas para novas operações, nem se a cobrança seria aplicada automaticamente a todos os parceiros comerciais do Irã. Até o momento, não há decreto ou norma oficial que regulamente a medida.
Mesmo sem definição, a possível taxação ocorre em um contexto no qual produtos brasileiros já estão sujeitos a diferentes níveis de tarifa no mercado americano. Atualmente, as exportações do Brasil para os Estados Unidos se distribuem, de forma geral, em dois grupos: produtos que entram no país sem tarifas adicionais e mercadorias sujeitas a uma sobretaxa de 40%.
Comércio com o Irã
O comércio entre Brasil e Irã é caracterizado por uma pauta concentrada em poucos produtos. As exportações brasileiras ao país são dominadas pelo agronegócio, enquanto as importações se concentram em insumos industriais.
O Brasil pode cortar vínculo comercial com o Irã?
O corte de comércio formalmente seria “pagar caro” para o Brasil. Ao mesmo tempo, a manutenção integral do comércio com o Irã também é arriscada, principalmente se for aplicada de forma ampla.
Uma saída seria ir reduzindo negócios com o país asiático, para ir cortando de formal informal, avaliou Daniel Carvalho, coordenador dos cursos de Relações Internacionais e Comércio Exterior da UVV.
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