Banco Master: atraso no pagamento dá prejuízo a 32 mil pessoas
Esse é o número de investidores no Estado que aguardam o pagamento pelo FGC e estão perdendo para a inflação com a demora
À espera do pagamento do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) há quase dois meses, investidores do Banco Master estão perdendo dinheiro.
As aplicações foram paralisadas com a liquidação da instituição, em 18 de novembro de 2025, e o valor a ser ressarcido pelo fundo é o que constava como saldo nessa data, sem correção pela inflação ou pela taxa Selic.
Segundo o FGC, o valor que os investidores vão receber inclui rendimentos da aplicação (correção e juros) até a data de liquidação calculados conforme a contabilização do banco, mas sempre respeitando o limite de R$ 250 mil.
A demora do pagamento se deve à complexidade da liquidação, que envolve o pagamento a 1,6 milhão de credores — sendo 32 mil no Espírito Santo — com direito a uma indenização do FGC de cerca de R$ 41 bilhões.
Segundo Patricia Palomo, planejadora financeira CFP pela Planejar, a demora e a imprevisibilidade comprometem decisões financeiras dos investidores, bem como obrigações assumidas e estratégias de realocação do patrimônio.
“Essa situação amplia a insegurança dos investidores em relação a outras instituições com possíveis fragilidades operacionais. Quando o capital permanece indisponível, o investidor perde tempo financeiro, previsibilidade e rendimento, o que, em um ambiente de taxas elevadas, significa deixar de ganhar rendimentos significativos por conta do risco de liquidez”.
Em novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 0,18% e, em dezembro, de 0,33%. Corrigindo pela inflação desses dois meses, R$ 1.000 seriam R$ 1.005,11. O teto da restituição do FGC de R$ 250 mil, por sua vez, iria para R$ 251.276,48.
Considerando a Selic, atualmente em 15% ao ano (1,17% ao mês), R$ 1.000 virariam R$ 1.020 e R$ 250 mil iriam para R$ 255.009,96 em dois meses. Levando em conta investimentos mais rentáveis, como eram os CDBs do Master, uma rentabilidade de 120% do CDI faria R$ 1.000 virarem R$ 1.027,79 e R$ 250 mil, R$ 256.947,61, no mesmo intervalo.
“Se o dinheiro está parado, é um problema. É preciso liberar a lista (de quem tem direito a receber a garantia do FGC) do interventor. Essa demora é atípica. O que está acontecendo com esse caso do Master é diferente pelo volume e também pela complicação jurídica”, diz Alexandre Jorge Chaia, professor do Insper.
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