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Carros usados já valorizam mais que os novos no mercado

15/09/2021 17:12:51 min. de leitura

A falta de estoque de carros novos, aliada à alta dos preços, trazem valorização aos veículos usados e seminovos. Em alguns casos, eles já podem valer mais na venda do que o proprietário pagou na concessionária.

Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), de fevereiro do ano passado, antes da pandemia, até julho deste ano, os preços dos usados subiram mais de 24%. No mesmo período, a valorização dos modelos zero quilômetro foi de 20%.

A explicação, segundo especialistas do setor, passa pela escassez de veículos novos, reflexo da pandemia, que paralisou linhas de montagem por falta de componentes como os semicondutores.

Imagem ilustrativa da imagem Carros usados já valorizam mais que os novos no mercado
Felício Pezente diz que há seminovos de 4 anos de uso com custo-benefício superior ao de um modelo 0 km Foto: Leone Iglesias/AT

“As entregas não estão acompanhando as expectativas porque há falta de componentes, como eletrônicos e condutores. Esperava-se que, no segundo semestre, isso se normalizasse, mas agora a previsão já passou para 2022”, disse o diretor do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado (Sincodiv-ES), José Francisco Costa.

Com poucos veículos zero quilômetro em estoque, os preços aumentaram, crescendo a busca por carros usados — que também ficaram mais caros.

Além disso, com a alta dos preços, consumidores passaram a enxergar a oportunidade de comprar usados mais completos pelo preço de um zero quilômetro popular.

Proprietário da Dakar Veículos, Felício Pezente explicou que entre os fatores que levam à procura dos usados está a demora na entrega dos carros novos, ocasionada pelos estoques baixos.

“Hoje, você acha carros seminovos com três ou quatro anos de uso que vão te atender melhor que carro zero. Um Polo High Line, ano 2019, custava até R$ 130 mil originalmente. O seminovo está na mesma faixa de preço de um Gol zero (cerca de R$ 88 mil)”, disse.

Segundo o economista Eduardo Araújo, este efeito se observa em veículos que têm menos mercado de venda.

“Essa distância é menor em carros com maior índice de vendas. Mas há um efeito inédito, dos preços se mantendo ou até aumentando. O carro novo ficou mais caro e carregou a referência dos seminovos. Isso é efeito da escassez e elevação dos custos”.