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Carne fica mais cara no supermercado e só deve cair em dezembro

| 14/10/2020 14:14 h | Atualizado em 14/10/2020, 14:40

Patinho suíno também ficou mais caro
Patinho suíno também ficou mais caro |  Foto: Mais Carne Suína / Divulgação
Depois do arroz, do óleo de soja e do leite e seus derivados, agora são as carnes que ficaram mais caras nos supermercados. Não é só a de boi: frango e porco também tiveram aumento de preço nas últimas semanas.

O preço do patinho bovino, por exemplo, variava ontem de R$ 35 a R$ 41,90 o quilo, conforme levantamento da reportagem em redes supermercadistas do Estado. O mesmo corte, mas de porco, chegava a R$ 32,90. Há cerca de um mês, ambas as opções podiam ser encontradas a menos de R$ 30 o quilo.

Corte que custava de R$ 20 a R$ 30 há um mês, a fraldinha de boi foi encontrada por até R$ 39,90, ontem, enquanto a suína variava de R$ 23,90 a R$ 25,90, preço que era abaixo de R$ 20 em setembro.

Nem mesmo os cortes de segunda fogem do aumento de preço: o acém bovino, encontrado em setembro por menos de R$ 20 o quilo, chega a custar agora R$ 25,98.

Segundo Júlio Rocha, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), o valor da carne sempre sobe em outubro. “Estamos saindo de uma estiagem e começando a fase de chuvas. A qualidade do pasto ainda está ruim, e não há muitos animais de qualidade disponíveis para o abate”, explicou.

Rocha disse que a tendência é que o pasto comece a melhorar agora: “Em dezembro teremos a época do boi gordo, quando há uma maior oferta de animais. Com isso, o preço costuma cair um pouco.”

Outro motivo para o encarecimento das carnes é a valorização do dólar, segundo a economista e professora Arilda Teixeira.

“A carne, o óleo, o arroz e a soja, por exemplo, são matérias-primas, cotadas em dólar. Além de influenciar no custo da produção, que também está mais caro, a alta do dólar faz com que o produtor faça mais dinheiro se vender para fora do Brasil. Isso faz com que a oferta seja mais escassa no País”, justificou a especialista.

A pandemia da Covid-19 também influenciou nos preços dos alimentos em geral, segundo Arilda. “Essa crise também está acontecendo em outros países por causa da pandemia”, enfatizou.

Apesar do cenário de aumento de preços, Arilda não acredita que haverá alta fora de controle da inflação. “A estimativa do Banco Central é de que a inflação não aumente muito até o final do ano, alcançando no máximo 3%”, disse ela, que lamentou ser esse patamar o “novo normal” até 2021.


Banha de porco no lugar do óleo de soja

O consumidor já está sentindo no bolso a valorização da carne, do óleo de cozinha e do arroz. O turismólogo Cristiano Monjardim tem optado pela carne de porco e pelas carnes de “segunda”, como patinho moído e lagarto. “Essas carnes são macias e saborosas, e normalmente mais baratas. Mas vi que os preços delas também já estão subindo”, reclamou.

Ele contou que sua mãe está usando banha de porco para substituir o óleo, que já está passando dos R$ 7 nos supermercados.

A estudante Dayanna Santana também não está satisfeita com os preços. “O arroz está mais caro do que nunca. Mesmo na promoção, o saco de 2 kg custa quase R$ 15. Mas é algo que não pode faltar”.

Estudante Dayanna Santana também não está satisfeita com os preços
Estudante Dayanna Santana também não está satisfeita com os preços |  Foto: Dayana Souza / AT

Limite para comprar óleo e arroz

O aumento nos preços do arroz e do óleo de soja, amplamente utilizados na refeição dos brasileiros, tiveram impacto no dia a dia do consumidor.

O superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider, afirmou que alguns supermercados do Estado optaram por limitar a compra desses produtos por pessoa.

“Algumas empresas fazem isso para não falhar com o cliente. Como a oferta desses produtos está baixa, talvez nem todo mundo consiga comprar. Ainda assim, a gente observa que o consumidor já tem consciência de que o momento pede que ele compre apenas o necessário”, explicou.


SAIBA MAIS Por que a proteína animal está mais cara


Demanda do mercado internacional

  • Os países asiáticos, especialmente a China, estão com grande demanda de proteína animal, e importam carne bovina do Brasil, diminuindo a oferta desses animais no País.

Baixa oferta de animais

  • O País acabou de passar por um período de estiagem, que diminui a qualidade do pasto.
  • As chuvas estão começando e, com isso, a expectativa é de que, com a abundância do pasto, a oferta de gado de qualidade aumente em dezembro. Com o aumento da oferta, os preços devem diminuir.

Alta do dólar

  • Com a valorização da moeda americana, o preço de produção das matérias-primas aumentam.
  • o dólar alto encarece o milho e a soja. Esses insumos são utilizados para alimentar os animais. Se eles ficam mais caros, é mais difícil e demorado preparar o animal para o abate.
  • Para o produtor,é mais vantajoso exportar a carne e receber em dólar do que vender os cortes dentro do País. Com isso, a oferta do produto fica menor.

Endividamento do produtor

  • O preço da carne subiu bem mais que o do leite e seus derivados, causando prejuízo na venda dos laticínios e o endividamento do produtor.
  • Como o produtor ganha mais com o abate de animais do que com o gado de leite, ele também começa a oferecer as vacas para o corte.
  • Sem as fêmeas, também não há bezerros para a reposição do gado.
  • A oferta de carne bovina diminui.

Fonte: Economista Arilda Teixeira e Júlio Rocha, presidente da Faes.

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